Jornal Mato Grosso do Norte
José Vieira do Nascimento
A proporção exata de sujeira suficiente para deixar uma ficha enquadrada na lei da ficha limpa, pelos menos para mim, não é intranscendente. No meio político tem fichas de muitas cores. Sujas. Outra tem manchas. Muitas são enlameadas. E poucas são as realmente limpas.
Tem políticos que são mais sujos do que pau de galinheiro e estão sempre aptos para disputar as eleições. Como o lendário Paulo Maluf, estão sempre numa boa, mesmo sendo ex-presidiários e com dinheiro depositado em contas nos paraísos fiscais.
Aqui mesmo em Mato Grosso há políticos que está há décadas exercendo mandatos, se transformaram em milionários com o dinheiro do contribuinte, e nunca foram enquadrados na lei da Ficha Limpa. Os processos ficam tramitando nas varas judiciais e nunca são transitados em julgados. Os pesos e as medidas nem sempre são iguais.
Já outros não têm a mesma sorte. Na primeira irregularidade que cometem passam a figurar como fichas sujas, muitas vezes por apenas ter cometido uma falha técnica, sem intenção de lesar o erário público. A lei da ficha limpa é como o cupido do amor: tem que ser flechado por ele para sentir os efeitos.
O ex-prefeito de Nova Bandeirantes, Valdir Barranco, que não pôde ser empossado como deputado porque foi enquadrado na lei da Ficha Limpa, é um exemplo das dualidades que envolvem a emaranhada Legislação brasileira.
Barranco tem um histórico que nos induz a crer que sua conduta política é mais honesta do que muitos deputados que assumiram o cargo e de outros ex-prefeitos que concluíram mandatos, praticaram atos mais graves do que os que são imputados a ele, e que figuram como fichas limpas.
Alguns deputados estaduais de Mato Grosso, tem a ficha bem mais suja do que a de Valdir Barranco e um histórico recheado de falcatruas e malandragem. No entanto, assumiram o mandato sem nenhum problema.
Barranco foi um bom prefeito em Nova Bandeirantes. Teve mais acertos do que erros, apesar de não ter conseguido se reeleger. Talvez hoje a sociedade daquele município já reconheça o seu trabalho. Foi perseguido por denunciar vereadores que exigiam pagamento para aprovar as suas contas e foi obrigado a deixar sua cidade porque corria risco de sofrer algum atentado contra sua vida.
Se ele tivesse pago para os vereadores que tentaram lhe extorquir, sua ficha estaria limpa e hoje seria deputado estadual.
José Vieira do Nascimento é diretor e editor responsável de Mato Grosso do Norte
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