Quem convive no meio político vê constantemente as diferentes formas usadas para desviar o dinheiro público. Nos bastidores da política, a corrupção é vista como algo banal, inerente a esta atividade. Infelizmente, em algumas prefeituras, o objetivo principal do grupo que governa o município é se locupletar. Tem chefes de executivo que só querem mesmo é roubar e fazer negociatas para se darem bem. Os interesses da coletividade são detalhes insignificantes nas metas da administração.
Um amigo do tempo de escola, promotor de justiça no Pará, me falou sobre sua indignação ao constatar como a corrupção corre solta nas prefeituras de seu estado. Consternei-me com sua aflição e sua tristeza em ver a roubalheira destruir vidas dc crianças e disseminar a miséria.
E o Pará é como o resto do Brasil. O dinheiro que é desviado das prefeituras é equivalente a 30 por cento do PIB nacional. Se esse volume de dinheiro fosse investido em obras sociais daria para construir escolas, hospitais, rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e melhorar a vida de milhões de brasileiro.
A corrupção é um cancro incontrolável que dissemina a miséria. A extrema pobreza é como uma metástase que penetra no interior das pessoas e destroem o brilho da vida, tornando-as incapazes de exercer sua cidadania.
Em muitas cidades brasileiras as crianças de famílias que vivem em situação de extrema pobreza morrem de doenças provocadas pela fome e por falta de saneamento básico. São vítimas da mal gestão pública. A falta de Educação de qualidade limita o infinito dos horizontes. A fome dói, provoca doenças e mata! As crianças e os jovens não têm opção de escolher.
Mas os corruptos são insensível, maus, truculentos, egoístas e mesquinhos. Preocupam-se apenas em seu conforto e ignoram o sofrimento que causam se apossando indevidamente do dinheiro que deveria ser investido no bem estar social.
Eu sempre sonhei com um mundo melhor, onde todos pudessem ter direitos aos serviços elementares para lhe assegurar uma boa qualidade de vida como nos países da Europa. Mas assim como meu amigo de infância, que se transformou em um combatente promotor de justiça, percebi que a corrupção é mais forte do que os sonhos de quem quer fazer o bem.
Quando o cidadão de bem se indignar com a malversação dos recursos públicos e deixar de achar a corrupção normal, talvez seja possível o inicio de uma transformação para o mundo que os homens de bens sonham construir.
José Vieira do Nascimento é diretor e editor responsável de Mato Grosso do Norte
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