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Artigo Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2015, 00:00 - A | A

23 de Fevereiro de 2015, 00h:00 - A | A

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Uma das últimas descobertas de pesquisadores ingleses mostra ser o altruísmo um comportamento sexualmente atraente.

busca de parceiros, mulheres segundo estudos da Universidade de Nottingham (Inglaterra), seguem a máxima da frase/prece de Francisco de Assis já profanada pelo senso comum de que ‘é dando que se recebe‘.

O sexo feminino considera importante características altruístas daqueles com quem possivelmente podem vir a compartilhar momentos especiais. E elas levam em conta, franciscanamente, inclusive ações como doar sangue.

Na cotação de valores positivos para as mulheres na escolha de companheiros tem alta pontuação homens que se oferecem para serviços voluntários em hospitais, abrigos, etc.

Embora em grau menor, existem também homens que por vezes levam em consideração o altruísmo na definição de uma parceira.


A pesquisa inglesa, publicada no British Journal of Psychology, entrevistou 170 casais, que responderam a perguntas sobre o quanto valorizavam atitudes desprendidas e a respeito do próprio nível de comportamento benevolente.

O pesquisador Tim Philips comenta que durante muitos anos a explicação clássica pela admiração ao altruísmo esteve associada ao conceito de ‘boa reputação‘.

Era simples: homens bondosos sinalizavam para a existência do chamado par ideal que, no futuro, seriam pais responsáveis e comprometidos, porque o sexo tinha naquela época forte apelo, socialmente falando, restrito à procriação.

Para Tim, entretanto, a modernidade impõe avanço nos esclarecimentos a fim de sustentar a tese apresentada como científica de que o altruísmo é sim um enorme indicador de atração sexual.

Tudo bem. Mas viajando um bocadinho no tempo e a Francisco de Assis, que nos deu o legado da frase ‘é dando que se recebe‘, a reflexão ganha terreno.

Afinal, a afirmação franciscana é verdadeira? Quem dá amor só recebe amor? Quem dá carinho só recebe carinho?

E se a gente colocar, para esticar a prosa, o cientista Newton com a sua 3ª lei, a coisa muda de figura?

Ele assegura que a “toda ação corresponde uma reação igual e em sentido contrário!‘. Neste caso, o que dizer então?

Ações boas ou más que cometemos com outras pessoas e elas com a gente teriam em tese dois efeitos, simultâneos e opostos.

Newton desequilibra a serenidade franciscana e a tese emergente dos sexólogos ingleses. Podemos dar e não receber na mesma proporção e, muitos menos, sermos altruístas e não sexualmente atraentes. A ciência de Newton, definitivamente, aparece como complicador no mix de teorias.

Por Newton, podemos dar flores e receber espinhos. Por Francisco de Assis, flores gerariam flores.

Longe de mim querer confusão e apenas para colocar uma lenhazinha na fogueira da Tim teoria, lanço mão de uma tiradinha do irreverente compositor e cantor Tom Zé.

Em um programa de entrevista, ele afirmou ter descoberto através do movimento funk carioca o novo ‘Grito do Ipiranga‘ das mulheres sufocadas sexualmente.

Tom Zé reportou à semiótica para explicar que a frase ‘tô ficando atoladinha‘, da música Atoladinha, da Tati Quebra Barraco, é quase um desabafo orgástico feminino.

Agora pensa: juntar altruísmo, sexo, Francisco de Assis, Newton, Tom Zé e Tati Quebra Barraco ficou um pouco demais e não leva nada a lugar algum.

De toda forma, diante da frase ‘é dando que se recebe’ para quem ‘tá ficando atoladinha‘, tirando a reação em contrário de Newton e destacando o empenho dos cientistas e suas teses maravilhosas, nos resta dar viva ao altruísmo e ao bom sexo ou ao sexo bom.

Nesta situação, que parecia sem pé nem cabeça, a ordem das palavras altera significativamente o sentido da expressão.

MARGARETH BOTELHO é jornalista em Cuiabá.
[email protected]

 

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