Jornal Mato Grosso do Norte
José Vieira do Nascimento
A discriminação com que os grandes anunciantes tratam as mídias de cidades do interior interfere negativamente nas transformações sociais, que passam pela democratização das pequenas empresas de comunicação.
As notícias das cidades de nossa região não passam nas televisões e nos jornais de maior circulação dos grandes centros. Por isso, o cidadão tem preferência em ler o jornal de sua cidade ou da sua região, e de ver e ouvir a TV e rádios locais.
O que acontece é que as mídias de menor porte, excluídas pelo governo federal e estadual, muitas vezes encontram dificuldades para transmitir as notícias sobre a realidade local, por falta de autonomia financeira.
O que vemos até agora é uma visão equivocada do governo, principalmente o estadual, que concentra todo o seu recurso para meia dúzia de veículos de comunicação das três principais cidades do Estado. Para ter acesso a mídia do governo e da Assembleia Legislativa é preciso ter padrinhos nas esferas de poder e vender a alma e a credibilidade ao diabo.
Em 2014, o governo de Mato Grosso licitou mais de R$ 60 milhões destinados a propaganda oficial. No entanto, as empresas que estão fora do eixo Cuiabá e Várzea Grande são raras as que são contempladas com alguma migalha deste recurso.
O mesmo acontece com a Assembleia Legislativa, que tutelada por José Riva e Mauro Savi, licitou em 2014, R$ 38 milhões para gastar em publicidade. No entanto, nem um por cento deste valor saiu de Cuiabá, Várzea Grande e Rondonópolis.
Já o governo federal, maior anunciante público do país, conforme dados de 2013, investiu R$ 2,3 bilhões em publicidades. Cerca de 570 milhões somente para a Rede Globo, da família Marinho, que junto com outras poucas famílias, como Macedo, Mesquita, Civita, Frias, Saad e Abravanel, monopolizam o mercado editorial e midiático no Brasil.
Esta realidade caolha tem que ser mudada com a pulverização das verbas oficiais de propaganda. O cidadão de cidades consideradas de pequenos e médios portes, também quer ter acesso a informações locais de qualidade. Portanto, para isso, é preciso fortalecer as mídias de menor porte que estão nos municípios menores e que, com grandes dificuldades, refletem a realidade do dia-a-dia e empregam um grande número de profissionais. Nas cidades menores também tem jornalistas e organizações midiáticas. Por isso, a imprensa regional tem direito e deve ser valorizada
A mídia impressa exerce um papel fundamental na progressão da sociedade e na defesa dos interesses coletivos. Entretanto, a monopolização dos grupos que abocanham e se fortalecem com o dinheiro oficial, está matando jornais, rádios e canais de televisão de abrangência regionais. E a sociedade, diante disto, corre o risco de ficar refém dos grandes grupos de comunicação, na maioria das vezes, sem nenhuma identificação com a realidade dos municípios.
Em alguns poucos Estados brasileiros, o governo estadual, já destina um percentual de 30% de sua verba de publicidades para as empresas regionais e locais. E isto tem sido primordial para a estruturação do setor. Com mais recursos, as empresas tem como investir em sua estruturação e modernização e oferecer um serviço de melhor qualidade para a população.
Mato Grosso é o Estado em que a mídia regional enfrenta as maiores dificuldades. Não bastasse ser excluída dos recursos do governo e da Assembleia Legislativa, o dinheiro que a maioria das prefeituras deveria gastar para dar publicidades às suas ações, também estão entrando no bolo da corrupção. Gestores medíocres e corruptos (a) usam empresas de fachadas para desviar os recursos. O dinheiro saí da conta das prefeituras, mas não chega às empresas.
A expectativa é que o governador Pedro Taques, que se elegeu com uma proposta de olhar para o Estado por inteiro, democratize a verba de publicidade do governo e não favoreça apenas os chamados grandes veículos de comunicação do Estado.
O mesmo se espera da Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Nos 20 anos de Riva e seus lacaios, a AL, na área de comunicação, agiu como se a imprensa regional fosse algo inferior, desprezível, nivelou tudo por baixo.
Aliás, a Assembleia Legislativa de Mato deveria ser chamada de Assembleia Legislativa de Cuiabá. Os deputados, mesmos os que tem base em municípios do interior, só lembram dos moradores das cidades de sua região em época de campanhas eleitorais.
José Vieira do Nascimento e editor e diretor responsável de Mato Grosso do Norte
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