Jornal Mato Grosso do Norte
José Vieira do Nascimento
Maio é o mês que vários municípios comemoram aniversário de Emancipação e fundação na região norte de Mato Grosso. A data nos remete a uma reflexão sobre o que poderemos esperar do futuro e o que podemos fazer para superar os gargalos que o presente nos impõe.
Na última década, não só Alta Floresta como as demais cidades, desde Guarantã do Norte até Nova Bandeirantes, foram deixados para trás com relação aos municípios de Sorriso, Lucas e Nova Mutum, no processo de crescimento econômico.
Além dos últimos governos, que discriminaram a região, a falta de gestão política, a limitação e mediocridade dos gestores, aliadas a corrupção, emperram o crescimento de nossas cidades. Estamos, no mínimo, 20 anos atrasados em termos de infra-estrutura urbana.
Hoje, enquanto as cidades do médio norte praticamente não tem ruas que não sejam asfaltadas, abaixo do paralelo 13, grande parte dos moradores mora em bairros de ruas sem pavimentação. A sociedade padece com a má qualidade dos serviços públicos, fatores que interferem negativamente na qualidade de vida da população.
Lógico que a culpa não cabe somente aos gestores, mas se houvesse um pouco mais de competência e boa vontade por parte dos prefeitos, a realidade seria outra. O governo é responsável pela saúde Pública, pela Educação e pela Segurança. E cabe as administrações municipais fazerem pelo menos o dever de casa, na execução dos serviços básicos.
Mas se por um lado, o governo estadual não faz a sua parte, a maioria dos nossos prefeitos tem desempenho pusilânime na efetivação de políticas púbicas que contemplam a sociedade e possibilitariam melhoras da qualidade de vida.
Existe quem usa a desculpa que Sorriso, Lucas e Nova Mutum são grandes produtores de grãos, e que tem uma arrecadação muito superior aos demais. Mas este argumento serve apenas para atenuar o mea- culpa daqueles que deveriam ter feito e que não o fizeram e que tentam camuflar a verdade insofismável.
Exemplo que uma boa gestão pública pode transformar um município é Matupá, que serve como referência na região norte em termos de infra-estrutura urbana e qualidade de Vida. A cidade é praticamente toda asfaltada.
Outro exemplo foi Nova Canaã do Norte, quando o prefeito Luizão administrava o município. Ele conseguiu transformar uma cidade de poucas perspectivas num município próspero, crescendo acima da média das demais cidades da região.
Bastou ele morrer, para a corrupção voltar a assolar a cidade, que parou de avançar em suas conquistas e está retrocedendo, definhando, andando para trás, em função de uma péssima gestão pública.
Pelo eixo no qual irá deslizar o nosso progresso passa necessariamente por uma logística de integração regional. Enganam-se quem acredita que a chegada do agronegócio terá o condão de fazer um milagre econômico em Alta Floresta e na região. Se ficarmos resignados esperando as coisas acontecerem, os problemas crônicos vão demorar a serem solucionados.
Os gestores públicos e a sociedade organizada deveriam formatar uma pauta de reivindicações, com os principais itens necessários ao nosso crescimento e apresentá-la ao novo governo. Não ficarmos esperando que as coisas caiam do céu. Os políticos, quando prometem, dificilmente cumprem. Imagine se deixá-los à vontade? Dificilmente as ações acontecerão!
José Vieira do Nascimento é diretor e editor responsável de Mato Grosso do Norte
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