ALFREDO DA MOTA MENEZES
Você sabia que o Ibope fez pesquisas secretas sobre o governo Jango Goulart às vésperas do golpe militar? Estavam engavetadas pelo Ibope e uma foi encontrada em arquivo da Unicamp.
Quem revela isso em robusto artigo é Marcelo Rubens Paiva. Tomo emprestado o que ele revelou sobre esse assunto. A intenção é fazer um paralelo com o atual momento da presidente Dilma.
Pesquisa encomendada ao Ibope pela Federação do Comércio de São Paulo,feita pertinho do golpe em três cidades de diferentes tamanhos daquele estado (S. Paulo, Araraquara e Avaí), mostrou que 45% dos entrevistados consideravam o governo Goulart ótimo ou bom, 24% regular e 16% péssimo.
Em outra pesquisa, feita em oito capitais, 49,8% votariam em Jango se ele pudesse ser candidato à reeleição. Dilma hoje tem 7% de aprovação, Goulart, que foi deposto, tinha 45%. Ela tem 68% de péssimo, Goulart 16%.
Mas, mostra Marcelo Paiva, o governo Goulart tinha enorme problema inflacionário, muito pior que o da Dilma.
Em dezembro de 1962, a inflação chegou a 45,6% e fechou 1963 com quase 80%. O PIB de Jango estava melhor: caiu de 6,6% em 1962 para 0,6% em 1963. O da Dilma foi zero em 2014, deve cair 1.5% em 2015 e quase zero também em 2016.
Em mais uma pesquisa escondida pelo Ibope, 59% dos entrevistados eram a favor das medidas anunciadas por Jango no famoso discurso na Central do Brasil que, em tese, detonou o golpe militar. Jango não estava tão ruim e caiu. Um ingrediente daquele tempo tem que ser trazido de volta.
Era o momento da Guerra Fria. Moscou de um lado, Washington do outro. E os EUA, depois do que ocorrera em Cuba, incluindo a crise dos mísseis soviéticos (1962) voltados para aquele país, resolveram endurecer o jogo na região.
Documentos liberados recentemente mostram como foi feito o jogo para não permitir o Brasil perto dos fluidos de Moscou.
Não existe nada disso no momento atual para que, como querem alguns aloprados, os militares ou sei lá quem tomem o poder à força.
Marcelo Paiva faz uma viagem pela história conturbada dos presidentes no Brasil. Não é preciso ir tão longe, a coluna apenas repete o que foi antes aqui publicado.
Getúlio Vargas deu um tiro no peito. Café Filho, seu vice, foi impedido de assumir. Nereu Ramos, presidente do Senado, termina o mandato. JK quase não assume com revoltas militares.
Jânio Quadros renuncia em sete meses. Goulart, na sequência, sofreu um golpe militar. Houve golpe no golpe quando não deixaram o vice Pedro Aleixo assumir no lugar de Costa e Silva.
Tancredo Neves nem chegou a tomar posse. Assume Sarney para governar seis anos que foi diminuído na pressão para cinco. Collor de Mello sofreu impeachment.
No segundo mandato de FHC, o PT queria sua renúncia. E no momento, Dilma termina o mandato, renuncia, sofre impeachment ou arrumam uma doença para que ela tire licença?
Qual o Lula prefere?
ALFREDO DA MOTA MENEZES é historiador e analista político em Cuiabá.
E-mail: [email protected]. Site www.alfredomenezes








