Fala-se bastante na ‘janela partidária‘. Se ela vai ou não sair fica por conta dos que dedicam seu tempo para a arte da adivinhação.
Esta nada tem a ver com este texto, cujo objeto é a dita ‘janela’, a qual institucionaliza a migração partidária.
É o grande momento esperado por dirigentes dos partidos e por muitos que ocupam cadeiras nas Câmaras Municipais, nas Assembleias Legislativas e na Câmara dos Deputados. O que expõe de vez as entranhas das agremiações e do próprio sistema partidário do país.
Neste processo todo, a sigla se reduz tão somente ao simples local de carimbar passaportes para que as pessoas possam sair candidatas.
E as pessoas se candidatam, fazem campanhas e são eleitas sem qualquer vínculo ideológico e de defesa com as causas do partido em que se encontram filiados.
O pior de tudo é que muitas delas desconhecem ou, sequer, leram por completo o estatuto dos partidos em que pertencem.
Mal sabem o conteúdo do regimento interno da Casa onde trabalham e se encontram alheias aos sonhos de quem mais precisam.
Assim, nas Casas Legislativas federais, sobrepõem-se os interesses das bancadas quaisquer coisas, a exemplo da do agronegócio e da religião, em detrimento das vontades extraídas de uma reflexão no interior de cada partido político (se é que tal reflexão exista realmente).
Dizem até, e não é de se duvidar, que a bancada ‘BBB’ (Bíblia, boi e bala) dispõe de mais de 40% dos votos na Câmara, e, quando precisa, coopta apoios de outras bancadas - em troca de reciprocidade em outro momento - para obter maioria necessária à aprovação de um dado projeto de seu interesse.
Há quem garanta, baseando-se nos dados do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), que a ala mais numerosa é a ruralista. Ela se apresenta com quase vinte senadores e mais de cem deputados federais.
É a partir daqui que se deve discutir a tal ‘janela partidária’, bem como as especulações que vem ocorrendo em função dela, desacompanhadas de um freio a debandada: quatro anos seriam o tempo mínimo e ideal de filiação para que alguém possa ser candidato em uma dada disputa eleitoral.
Com a dita ‘janela’, O PSDB, PR e o PMDB abriram suas portas para receberem mais e mais filiados. Tanto que, por exemplo, o retrato da distribuição tende a mudar no Legislativo mato-grossense, devendo ficar completamente diferente do saído das urnas de 2014, com o claro enfraquecimento do DEM e do PSD.
Este resultado, contudo, não mudará o comportamento da Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Pois ela continuará como sempre foi e é distante dos anseios e das vontades da população, e bem longe das realidades do Estado.
Portanto, a mudança de sigla, bem como a própria ‘janela partidária’, que a institucionaliza e legaliza, não contribui em nada, a não ser com o interesse eleitoral do político migrante, tornando-o mais próximo ou não do grupo que controla o centro de decisão política e administrativa estadual.
LOUREMBERGUE ALVES é professor universitário e analista político em Cuiabá.
[email protected]








