José Vieira do Nascimento
Ouve-se muita gente comentando, até mesmo quem tem mandato, que é uma vergonha para Mato Grosso ter um ex-governador preso. Particularmente, acho que vergonha é o nome do Estado ter sido manchado por este grupo de larápios, no noticiário nacional, por causa dos desmandos praticados quando estavam no governo.
O cidadão comum, aquele que é honesto e que labuta de sol a sol para ganhar o seu sustento e viver com dignidade, sente nestes dias nebulosos de operações Sodoma, Metástase, Ouro de Tolo, Imperador e etcetera, a sensação que uma mudança está se processando no sistema e a impunidade não é mais tão elástica. E cabe aqui um elogio ao grande trabalho do Ministério Público de Mato Grosso, ao poder Judiciário e o Gaeco - Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado.
Até há poucos anos, era muito raro ver alguns figurões políticos presos. Agora, tem gente de importância no cenário político estadual, que jaz na moita, com receio de ser surpreendido com uma ordem de prisão. A população sente enorme prazer em ver esses caras algemados e presos. Essas prisões é uma resposta aguardada há muitos anos.
E a justiça de Mato Grosso, na onda da Lava Jato, está dando um exemplo, de que não importa qual seja o cargo. Pode ser ex- secretário de Estado, ex-governador, ex-deputado ou ex-primeira-dama. Se desviou dinheiro público, passa pelo menos uns dias na cadeia.
Pena que é pouco tempo. Esse pessoal deveria mofar atrás das grades. O crime nunca pode compensar. É muito cômodo os envolvidos na operação Sodoma, por exemplo, terem desviado mais de um bilhão dos cobres do Estado, passar uns dias na cadeia e depois e curtir a vida, em Miami ou no litoral, com o dinheiro surrupiado.
Mais do que prisão, o povo de Mato Grosso quer a devolução do dinheiro desviado. Esta é a expectativa da sociedade!
O ex-governador Silval Barbosa deveria aproveitar estes dias, no silêncio de sua cela no Quartel do Corpo de Bombeiros em Cuiabá, para fazer uma profunda reflexão. Pensar nos danos que toda essa corrupção, aflorada dos meandros de seu governo, causou a população mato-grossense, e devolver, pelos menos parte do dinheiro.
Se for confirmado os valores que estão nos autos dos processos, se ele fizer a devolução de apenas 30 por cento, daria para o atual governo fazer muitas obras públicas.
José Vieira do Nascimento é diretor e Editor responsável de Mato Grosso do Norte
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