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Artigo Domingo, 16 de Agosto de 2015, 00:00 - A | A

16 de Agosto de 2015, 00h:00 - A | A

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O buraco é mais embaixo



ONOFRE RIBEIRO

 

O termo é popular, mas a verdade que ele expressa é universal. Refiro-me ao grande imbroglio brasileiro que atinge a economia e a política, e vice-versa.

Neste domingo, uma multidão imprevisível deverá ir às ruas com o mote “Fora Dilma”. Aqui reside a grande questão.

Tirando a incompetência das gestões Dilma e sua vocação burocrática sem nenhum senso político, é que o buraco é mais embaixo.

O que levou as últimas gestões presidenciais aos sucessivos escândalos e à ineficiência? Começa na Constituição federal de 1988, construída sob o recalque da ditadura e imaginada de modo a não se construir uma nação.

Construiu-se uma teia de direitos, deveres dos cidadãos, e atribuições embaralhadas das instituições do Estado.

Aos poucos, nesses 27 anos de sua vigência em vez de uma nação armou uma estrutura de governança mais conflitante do que harmônica.



Se Dilma renunciar como é o esperado para os próximos passos da crise, quem assumirá? Aqui está o problema. Não importa quem seja, Temer, do PMDB, ou na linha sucessória, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, do Senado, Renan Calheiros ou, por último, presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandoswki.

O problema não é uma figura de pessoa-presidente. É o sistema de governança brasileiro que nunca foi e não será viável sob a vigência do atual caos jurídico e institucional.

Os poderes estão misturados e desvirtuados. Vale a desordem, debaixo de duas molduras malditas: a burocracia e a insegurança jurídica. O que está em jogo neste momento não é a deposição de uma presidente da República inabilitada pra governar embora eleita legalmente, ainda que sob mentiras eleitorais que hoje a perseguem.

Embora o inconsciente coletivo não racionalize dessa forma, ele sabe que é preciso reformar o país: reconstruir a representação parlamentar hoje completamente prostituída a partir de partidos políticos prostituídos.

O Executivo enrolado na mais profunda burocracia, criador de uma insegurança jurídica infernal pros negócios e pros investimentos.

Não se trata de substituir presidentes. Trata-se de reconstruir o Brasil. Se cair Dilma, não vai melhorar. Pode até piorar porque às condições gerais do país vai se somar a instabilidade.

Tem que se mudar todo o sistema político, administrativo e jurídico do país. O povo na rua vai dizer aos dirigentes públicos e gestores que não haverá legitimidade enquanto não se construir um cenário de transformações.

O mundo está esperando isso porque o Brasil tem o melhor cenário mundial para negócios. E a sociedade brasileira é muito melhor e mais moderna do que os seus dirigentes públicos e privados.

Basta esse elefante se mover pra derrotar o Colosso de Brasília. Por isso, o buraco é mais embaixo.

ONOFRE RIBEIRO é jornalista em Mato Grosso.
[email protected]

 

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