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Artigo Segunda-feira, 02 de Março de 2015, 00:00 - A | A

02 de Março de 2015, 00h:00 - A | A

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Um caminho para o entendimento



A crise política desencadeada em Alta Floresta, só se agrava à medida que passam os dias. E pelas proporções que está tomando, a incerteza quanto à normalidade na administração pública, começa a habitar o imaginário da sociedade, pois ninguém sabe como tudo isto irá terminar.  Enquanto se trava uma disputa pelo poder, entre os grupos políticos, com denúncias, xingamentos e discursos emotivos, a população, no meio deste fogo cruzado, está apreensiva diante dos fatos e com receio das conseqüências que a cidade poderá sofrer.

Lógico que não se deve fechar os olhos para os desvios de recursos públicos. As investigações das denuncias apresentadas devem ser levadas à cabo e os culpados terão que sofrer as sanções punitivas conforme prevê a Legislação.  Mas neste momento de crise, é fundamental que os interesses partidários, o poder e a ambição pelo dinheiro, cedam lugar aos interesses da coletividade. Se as pessoas envolvidas nesta polemica não agirem com bom senso, os prejuízos para Alta Floresta serão irreparáveis. E como sempre, a fatura será debitada para a sociedade.

É péssimo para uma cidade ter um prefeito cassado. A repercussão negativa macula a imagem do município em todo o Estado. E isto repercute mal e trará danos indeléveis, econômicos e sociais. Poderá afetar a normalidade administrativa e gerar prejuízos para os investimentos públicos e privados.  Para os políticos que são habituados a chafurdar na lama, é um processo normal. Mas para os cidadãos comuns, indiretamente atingidos pela situação, não é nada confortável ver sua cidade com o nome enlameado. 

Neste momento, para evitar danos ainda maiores para a população, deve prevalecer o bom senso e a precaução. Talvez antes das decisões motivadas pelas emoções políticas, deve se estabelecer exaustivamente o diálogo entre vereadores, e os dois prefeitos da cidade. A Câmara, o Asiel Bezerra e o Ângelo Campos deveriam sentar,  discutir um entendimento e formatar um acordo para apresentar ao ministério público, para a administração do município.

As cartas têm que ser postas na mesa. Se realmente todos estão pesando no bem de Alta Floresta, devem ceder, para se chegar ao um consenso, de quem será o prefeito: o Asiel ou Ângelo.  Se pela legitimidade, o prefeito afastado, Asiel Bezerra, voltar para a prefeitura, o vice-prefeito, Ângelo Campos, deve ter autonomia para participar das decisões da administração e os ajustes feitos neste período em que está no exercício do cargo, mantidos.

A causa da corrupção é justamente a falta de transparência nas ações da prefeitura. Se o município criar um conselho formado por representantes da Câmara Municipal, representantes da sociedade organizada e o Ministério Público, com competência para decidir sobre os pagamentos, acompanhar as licitações e os contratos da prefeitura, seria bem mais difícil desviar o dinheiro público.    

Não adianta o prefeito que estiver na titularidade não ter certeza de até quando irá continuar no cargo. O clima de instabilidade política irá prevalecer e os serviços públicos irão ser prejudicados. A continuar esta situação, se tiver uma decisão de uma instância superior, haverá substituição do prefeito, o que poderá se repetir por vezes indeterminadas nestes dois anos que restam para concluir o mandato.

Na minha avaliação, não é hora de faca no pescoço. Quem ganha com o que está acontecendo é somente a classe política e a galera do quanto pior, melhor. Portanto, antes da Câmara Municipal armar o palco para seu showzinho, com direito a Câmaras microfones, é bom refletir sobre o que está fazendo. E não se trata de ser conivente com  coisas erradas e nem deixar de fiscalizar  e cumprir o seu papel os vereadores costumam dizer. É hora de maturidade e de encontrar, dentro da moralidade e legalidade, o que é melhor para o município.

Mesmo com a formatação de uma proposta desse nível entre, entre os dois prefeitos e a Câmara Municipal, para ser apresentada à juíza e ao Ministério Público, as investigações às denuncias apresentadas contra a administração municipal, terão que seguir para a sociedade ter uma resposta e haver punição para quem for culpado.

Mas sabemos que uma discussão deste nível é quase impossível de acontecer. Afinal, o que está em jogo é a briga inefável pelo poder. Sabemos que não existe santo nesta história, nem na Câmara e nem na prefeitura. Os vereadores, norteiam suas postura a favor de quem ou contra quem, com bases em interesses próprios, defende seus grupos políticos  e o que menos interessa são os interesses da coletividade.

A política é uma máquina de triturar reputações, que contamina até mesmo os mais ilibados. Há dois anos, Asiel Bezerra era um médico conceituado. Seu grande e único erro foi ingressar na política sem ter uma noção exata da sujeira por onde iria trilhar. 

 José Vieira do Nascimento é editor e diretor de Mato Grosso do Norte?/ E-mail: [email protected]

 

 

 

 

 

 

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