Quarta-feira, 14 de Outubro de 2026

Artigo Quarta-feira, 02 de Dezembro de 2015, 00:00 - A | A

02 de Dezembro de 2015, 00h:00 - A | A

Artigo /

Uma tragédia anunciada

Jornal Mato Grosso do Norte



José Vieira do Nascimento

O Brasil é o país das reincidências. Impressionante, como esse mosquito que está causando tanto pavor na população, ressurgiu  das profundezas obscuras,  depois de passar quase um século submergido. 
O advento do mosquito da dengue, o aedes aegypti, no Brasil,  remonta ao final século 19 (XIX) e início do século 20 (XX). À época também causou grande apavoramento na população. Era o transmissor da febre amarela, que vitimou um grande número de pessoas, sendo combatido  com veemência pelo médico sanitarista, Oswaldo Cruz. 
Oswaldo Cruz adotou medidas radicais para combater o mosquito. A estratégia foi eliminar os focos propícios a sua proliferação. E para isto, criou-se brigadas que tinham permissão de entrar nas casas, numa verdadeira operação de guerra, para localizar e eliminar os criadouros.  
A população da época se revoltou contra as medicas poucos ortodoxas do sanitarista. Mas o resultado foi altamente eficaz. O Brasil deve muito a este grande herói nacional.
Passado tantos anos, apesar de todos os avanços tecnológicos dos tempos modernos, eis que  uma mazela que acreditava-se eliminada, ressurgiu mais forte ainda.  Pior que agora não temos um Oswaldo Cruz para agir com tamanha energia e rigor contra um inimigo que é capaz de ressurgir como uma fênix, proveniente dos esgotos e das sujeiras de nossas cidades.
Não entendo patavina da área de saúde, mas o quadro que se desenha no Brasil é de uma tragédia anunciada.  A dengue agora passou a ser também sinônimo de sika vírus, da microcefalia  e da febre chikungunya. Um verdadeiro absurdo!
Caso medidas rigorosas e concreta não forem adotadas por parte do poder públicos, é difícil imaginar o preço que a sociedade irá pagar. Aliás, já está pagando.  Todavia a população também tem que fazer a sua parte. Caso contrário, daqui a algum tempo, corremos o risco de ter novamente, a febre amarela urbana.
O Brasil precisa de política de estado para tratar do problema. Se no início do século passado o médico  Oswaldo Cruz, com suas medidas  sanitárias, conseguiu fazer o controle do mosquito durante décadas, agora, em pleno século 21, será que não conseguiremos adotar ações capazes de eliminar este mosquito?

José Vieira do Nascimento é diretor e editor de Mato Grosso do Norte - E-mail: [email protected]

Comente esta notícia

Rua Ivandelina Rosa Nazário (H-6), 97 - Setor Industrial - Centro - Alta Floresta - 78.580-000 - MT

(66) 3521-6406

[email protected]