Jornal Mato Grosso do Norte
José Vieira do Nascimento
O Brasil é o país das reincidências. Impressionante, como esse mosquito que está causando tanto pavor na população, ressurgiu das profundezas obscuras, depois de passar quase um século submergido.
O advento do mosquito da dengue, o aedes aegypti, no Brasil, remonta ao final século 19 (XIX) e início do século 20 (XX). À época também causou grande apavoramento na população. Era o transmissor da febre amarela, que vitimou um grande número de pessoas, sendo combatido com veemência pelo médico sanitarista, Oswaldo Cruz.
Oswaldo Cruz adotou medidas radicais para combater o mosquito. A estratégia foi eliminar os focos propícios a sua proliferação. E para isto, criou-se brigadas que tinham permissão de entrar nas casas, numa verdadeira operação de guerra, para localizar e eliminar os criadouros.
A população da época se revoltou contra as medicas poucos ortodoxas do sanitarista. Mas o resultado foi altamente eficaz. O Brasil deve muito a este grande herói nacional.
Passado tantos anos, apesar de todos os avanços tecnológicos dos tempos modernos, eis que uma mazela que acreditava-se eliminada, ressurgiu mais forte ainda. Pior que agora não temos um Oswaldo Cruz para agir com tamanha energia e rigor contra um inimigo que é capaz de ressurgir como uma fênix, proveniente dos esgotos e das sujeiras de nossas cidades.
Não entendo patavina da área de saúde, mas o quadro que se desenha no Brasil é de uma tragédia anunciada. A dengue agora passou a ser também sinônimo de sika vírus, da microcefalia e da febre chikungunya. Um verdadeiro absurdo!
Caso medidas rigorosas e concreta não forem adotadas por parte do poder públicos, é difícil imaginar o preço que a sociedade irá pagar. Aliás, já está pagando. Todavia a população também tem que fazer a sua parte. Caso contrário, daqui a algum tempo, corremos o risco de ter novamente, a febre amarela urbana.
O Brasil precisa de política de estado para tratar do problema. Se no início do século passado o médico Oswaldo Cruz, com suas medidas sanitárias, conseguiu fazer o controle do mosquito durante décadas, agora, em pleno século 21, será que não conseguiremos adotar ações capazes de eliminar este mosquito?
José Vieira do Nascimento é diretor e editor de Mato Grosso do Norte - E-mail: [email protected]








