José Vieira/ Mato Grosso do Norte
O jornal Mato Grosso do Norte protocolou no dia 9 de setembro, um ofício no escritório da AGIRF- Agência de Regulação e Fiscalização - solicitando os resultados dos exames laboratoriais realizados para medir a qualidade da água distribuída pela concessionária aos consumidores de Alta Floresta.
O pedido foi feito com base na Lei Federal de Acesso a Informação - nº 12.527/2011 e nos incisos e XXXIII do artigo 5º da Constituição. Entretanto, até nesta terça-feira, 29, o jornal não obteve qualquer resposta, o que deixa subentendido que a AGIRF negou repassar as informações.
Porém, Mato Grosso do Norte teve acesso a um material encaminhado pela Agência à Comissão Parlamentar de inquérito – CPI- instaurada na Câmara Municipal, para investigar o contrato de concessão da Águas Alta Floresta.
Segundo o conteúdo deste documento, as análises laboratoriais realizadas em amostras de águas do sistema de abastecimento de Alta Floresta, identificaram desconformidades em diferentes parâmetros de qualidade da água. Os exames foram realizados a partir de coletas feitas em 29 de julho de 2026. Além disso, a documentação encaminhada à Câmara Municipal, também foi enviada ao Ministério Público Estadual de Alta Floresta.
Entre os resultados que mais chamam atenção estão as concentrações de manganês e ferro, além de alterações importantes em cor aparente, turbidez e fluoreto em pontos da rede de abastecimento.
Os parâmetros foram comparados aos padrões de potabilidade estabelecidos pela Portaria GM/MS nº 888/2021, que estabelece os procedimentos de controle e vigilância da qualidade da água destinada ao consumo humano.
A norma estabelece, entre outros valores, limite de 0,3 mg/L para ferro, 0,1 mg/L para manganês, 15 uH para cor aparente, 5 uT para turbidez e 1,5 mg/L para fluoreto. Estes percentuais significam o valor máximo permitido ao consumo humano)
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Manganês - Na saída do Reservatório Sede, a análise apontou 0,700 mg/L de manganês total. Considerando o limite de 0,1 mg/L, a concentração registrada é sete vezes superior ao valor máximo permitido, ou 600% acima do limite.
No mesmo ponto, a cor aparente apresentou resultado de 17 uH, acima do limite de 15 uH. A situação também foi identificada na saída do Reservatório Cidade Alta. O exame registrou 0,800 mg/L de manganês, o equivalente a oito vezes o limite permitido e 700% acima do padrão de referência.
Nesse ponto, também foi identificado ferro total de 0,940 mg/L. O valor máximo permitido é de 0,3 mg/L. Na comparação direta, a concentração encontrada é aproximadamente 3,13 vezes o limite, ou 213,3% acima do padrão. A cor aparente também chegou a 17 uH no local.
Reservatório da ETA -Na saída do Reservatório da ETA, a concentração de manganês registrada foi de 0,500 mg/L. O resultado corresponde a cinco vezes o limite de 0,1 mg/L, ficando 400% acima do valor máximo permitido.
No mesmo ponto, a cor aparente atingiu 95 uH, enquanto o limite estabelecido é de 15 uH. Isso significa que o resultado foi aproximadamente 6,3 vezes superior ao padrão.
Rede de distribuição- Um dos resultados mais expressivos foi registrado no PCQ 03, ponto localizado na rede de distribuição. A amostra apresentou 4.240 uH de cor aparente, contra um limite de 15 uH. O resultado é aproximadamente 283 vezes o valor permitido, correspondendo a cerca de 28.167% acima do padrão.
A turbidez chegou a 865 uT, enquanto o limite é de 5 uT. O resultado representa 173 vezes o valor permitido, ou aproximadamente 17.200% acima do padrão.
Também foi identificado fluoreto total de 12,80 mg/L, diante do limite de 1,5 mg/L. A concentração representa aproximadamente 8,5 vezes o valor máximo permitido, ou 753% acima do padrão.
Os resultados laboratoriais demonstram que determinadas amostras apresentaram parâmetros acima dos valores de referência estabelecidos para a qualidade da água, com destaque para manganês, ferro, cor aparente, turbidez e fluoreto.
NÚMEROS QUE CHAMAM A ATENÇÃO
Mato Grosso do Norte
Ofício protocolado na AGIRF, solicitando os resultados dos exames, mas apesar de ser uma agência de regulação e fiscalização da Águas Alta Floresta, não entregou o material ao jornal.
Foto/ Jornal Mato Grosso do Norte
foto/ Mato Grosso do Norte










