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Atualidades Domingo, 31 de Maio de 2015, 00:00 - A | A

31 de Maio de 2015, 00h:00 - A | A

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Mortes e emboscadas na disputa pela terra em Novo Mundo

Jornal Mato Grosso do Norte



José Vieira do Nascimento Editor do Jornal Mato Grosso do Norte

 

 

A disputa pela terra entre fazendeiros e famílias de agricultores que ocupam uma área de 9 mil hectares denominada de Nova Horizonte em Novo Mundo, se transformou em um palco de guerra. A situação é tensa e de conflito efervescente. Nos últimos três anos,  pessoas foram assassinadas, de ambos os lados e vários agricultores foram feridos por pistoleiros em emboscadas e tocaias.

Os números não são oficiais, mas algumas pessoas que estão no acampamento falam que já ocorreram 11 assassinatos em função da disputa pela terra.

Um dos posseiros, que por medo não revela seu nome, conta como aconteceu um dos assassinatos. Segundo ele, um agricultor, que passava de moto por uma estrada que dá acesso às posses,  foi alvejado por  pistoleiros que estavam numa tocaia. Após receber o primeiro tiro e cair  cerca de 500 metros adiante, recebeu tiros na cabeça e morreu no local. Ele também afirma que várias pessoas já foram feridas e emboscadas.

Outra agricultora, que também tem medo de aparecer, mostra um dos sítios onde a moradora, que se chama Renata, mãe de três adolescentes, foi expulsa à bala do local por pistoleiros.

“já sofremos muito aqui, sofrendo ameaças. Lutamos por esta terra porque sabemos que ela é da União. Se fosse  de fazendeiro, não iríamos lutar por terra dos outros. Às famílias tiveram que sair correndo e deixar todas as nossas plantações para trás. Nossas casas e barracos foram derrubados  com trator e queimados”, conta ela.

A denúncia foi feita pelo vereador Rogério Colicchio (PT), de Alta Floresta, que visitou o local na semana passada e ficou assustado com clima de violência, a tensão e o medo que envolve as famílias que estão na área.  Segundo o parlamentar, Novo Horizonte fica a cerca de 40 quilômetros da cidade de Novo Mundo entre os rios Nhandu e Braço Norte,  pertence a União e está improdutiva. No entanto, um grupo de fazendeiros  ocuparam a área e expulsaram as famílias que há 3 anos a ocupavam.

Apesar de ser terra da União, uma decisão judicial, favorável a um dos fazendeiros acusados pelos agricultores de promover a violência no local, obrigou as famílias a desocuparem a área. Mas elas permaneceram acampadas nas proximidades esperando o momento de voltar a ocupar as suas posses.

Rogério conta que muitas famílias já estavam trabalhando na terra como posseiras, mas foram expulsas por pistoleiros que trabalham para os fazendeiros. As casas foram derrubadas por tratores e queimadas.

Somente de Alta Floresta, 250 famílias estão acampadas nas proximidades após serem expulsas de suas posses. Mas há pessoas de todas as cidades da região no acampamento. Os pistoleiros continuam no local fazendo constantes ameaças às famílias que sonham em conquistar um pedaço de terra para trabalhar e produzir.

“Além de famílias de Alta Floresta, há pessoas de Sinop. Colider, Guarantã e das demais cidades da região. A minha preocupação é com a vida destas pessoas. O clima é muito tenso e pode ocorrer uma tragédia a qualquer momento e muita gente perder a vida”, enfatiza Rogério.

O vereador disse que está elaborando um relatório sobre  a situação em que se encontra a área Nova Horizonte, e na próxima semana, vai entregá-lo para o INCRA, para oTerra Legal, Comissão Pastoral da Terra e para lideranças políticas do Estado.

“As autoridades e os órgãos do setor agrário tem que tomar conhecimento do que está acontecendo. Temos que estabelecer um diálogo entre as famílias e os fazendeiros antes que algo mais grave aconteça. Minha preocupação é que aconteça uma tragédia de grande proporção nessa disputa”, reitera Rogério.

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