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Atualidades Quarta-feira, 09 de Novembro de 2022, 09:19 - A | A

09 de Novembro de 2022, 09h:19 - A | A

Atualidades / Através do Esporte

Projeto incentiva paratletas a resgatar autoestima e a se tornarem campeões

Programa atende 23 atletas em Alta Floresta, com atividades de Esportes amadores



Natalia Emanoela Varela
Mato Grosso do Norte

O projeto IDESP (Instituto Desportivo Educacional Social Presbiteriano), desenvolvido em Alta Floresta, realiza um trabalho importante com paratletas, através da prática de Esportes. Os participantes foram vítimas de acidentes, que as deixaram com a mobilidade comprometida. E o Esporte ajuda no resgate da autoestima e a recrudescer a motivação para enfrentarem esta nova realidade.
O projeto nasceu de uma ideia iniciada em Colíder em 2011, através do professor João Quadra da Costa, que reuniu algumas pessoas cadeirantes para aulas de natação apenas para lazer. No entanto, como forma de incentivo, decidiu acrescentar a participação do grupo em competições esportivas locais. Um aluno era enviado para representar os demais. Porém, à época, Mato Grosso ainda não possuía competições adequadas para a inclusão de atletas com deficiência.

Instituto tem um quadro de mais de 30 medalhas, 7 atletas que fazem parte do ranking nacional e 2 estão entre os top 3 na classificação funcional de seus segmentos


Com os resultados positivos do trabalho desenvolvido no projeto, João Quadra foi indicado para vice-presidente da CPB (Comitê Paraolímpico Brasileiro. A partir desta iniciativa, o Comitê Paraolímpico passou a apresentar mais modalidades para trabalhar com os alunos. E João cursou faculdade de Educação Física para dar continuidade ao projeto.
Em 2015 foi fundado o IDESP (Instituto Desportivo Educacional Social Presbiteriano). E o professor recebeu convite para implantar um instituto no município de Alta Floresta. Segundo João, hoje o instituto tem um quadro de mais de 30 medalhas, 7 atletas que fazem parte do ranking nacional e 2 estão entre os top 3 na classificação funcional de seus segmentos.
No início as modalidades eram somente futebol para pessoa com deficiência visual e natação. Depois foi inserido atletismo (peso, dardo e disco) velocíssimo nos 100 e 200 metros rasos, Salto em Distância e Bocha adaptada.
João Quadra destaca a importância do Esporte para pessoas que foram acometidas por deficiência, na recuperação da autoestima e estímulo para seguir adiante com a vida nesta nova realidade.
“O esporte exerce um efeito fantástico na pessoa com deficiência. Tivemos vários casos de depressão profunda por conta de acidentes que causaram deficiência. Nossos atletas são vítimas de acidentes automobilísticos, que passaram a ter uma vida quase de inércia, mas o esporte gera senso de superação, propósito, metas e vontade de praticar atividade física. Este sentimento motiva a voltarem ao mercado de trabalho, ir pra faculdade e até constituir uma família”, observar o professor.

Diemerson de Souza Penha, aluno do instituto desde 2018, relata como a equipe transformou sua vida, após sofrer um grave acidente em que teve sua perna amputada. “No dia 28 de fevereiro de 2016 vi minha vida mudar radicalmente após um acidente automobilístico no caminho do meu trabalho. Um motorista embriagado invadiu a contramão e bateu em mim, ocasionando a amputação da minha perna esquerda devido à gravidade do acidente e o tempo de espera até o socorro chegar”, conta Diemerson.
Conforme ele, sua situação se agravou e teve que ser transferido para o pronto de socorro de Cuiabá, onde ficou internado até se recuperar.
“Hoje participo do projeto IDESP, me tornei atleta paraolímpico, participei de algumas competições e conquistei 8 medalhas, sendo 4 no arremesso de disco e 4 no arremesso de dardo. Atualmente sou quarto colocado do país no arremesso de dardo e disco”, valoriza.
O instituto atualmente tem um quadro de 23 atletas, sendo 5 atletas de outras cidades como Rondônia, Cuiabá, castanheira, Castelo dos Sonhos-Pa e Várzea Grande. Os treinamentos seguem todos os dias.
O Centro de Treinamento improvisado fica no Estádio Maestrino, onde funciona o atletismo das 15 h 30 às 18h. Na quadra poliesportiva da igreja Presbiteriana Renovada Central funciona a bocha adaptada, de segunda e quinta, das 14h às 15h. E na piscina da academia Galpão de Esportes, funciona a natação também de segunda e quinta.
Para participar é totalmente gratuito. O professor conta que ainda buscam em casa alguns atletas que não tem condições de ir. E explica que os treinos são abertos a visitas para quem quiser acompanhar e sempre precisam de voluntários para ajudar a equipe.

Reprodução

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