Márcio Maio/TV Press
Vencer na vida é uma ambição que Cléber não faz questão de esconder em “Quem Ama Cuida”. Sócio e amigo de Pedro, personagem de Chay Suede, o advogado vivido por Breno Ferreira ganhou espaço na novela das nove da Globo justamente em um dos momentos mais delicados da trama: quando precisou assumir a defesa de Adriana, papel de Letícia Colin, após o afastamento do colega durante o julgamento. Mas a disposição para crescer profissionalmente também deixa dúvidas sobre os limites que o personagem pode ultrapassar ao longo da história. “O Cleber é um cara muito ambicioso. Ele quer muito vencer na vida, como todos nós, e talvez não abra mão de algumas coisas para isso”, analisa o ator.
A possibilidade de transitar entre diferentes registros é um dos aspectos que mais estimulam Breno na construção do advogado. Embora esteja diretamente envolvido no drama – pelo menos nas questões judiciais – da heroína Adriana, Cléber também circula por situações mais descontraídas – no início da novela, por exemplo, tornou-se uma das vítimas da paixão obsessiva de Brigitte, vivida por Tata Werneck. “É um personagem diferente, que tem uma densidade maior e também faz coisas mais leves. Ele faz de tudo”, resume. Depois de interpretar André em “Vale Tudo”, Breno percebe ainda uma mudança no tipo de papel que tem recebido. “Ele era mais jovem. Agora, é legal ser um cara mais velho, já advogado, e ainda com esse lado da ambição”, compara.
É um personagem diferente, que tem uma densidade maior e também faz coisas mais leves. Ele faz de tudo
Se Cléber ainda pode colocar a ambição profissional em primeiro plano no decorrer dos capítulos de “Quem Ama Cuida”, Geraldo, de “Jogada de Risco”, enfrenta uma pressão de outra natureza. Na série do Globoplay, Breno interpreta um jogador em ascensão que sonha chegar à Premier League, mas vive sob rumores a respeito de sua orientação sexual enquanto mantém um relacionamento com Caio, papel de Gabriel Caon. Para o ator, o conflito não está na homossexualidade do atleta, mas no ambiente que o obriga a esconder parte da própria vida. “Geraldo se vê em uma encruzilhada, vivendo uma prisão. É quase uma pessoa com vida dupla, só que sem que esteja errado. Há um peso muito forte em cima desse cara”, observa.
A proximidade de Breno com o futebol ajudou a dimensionar esse conflito. Antes da carreira artística, ele chegou a jogar em divisões de base e conheceu, de perto, códigos de um universo que considera ainda resistente à diversidade sexual. Talvez por isso, afastou Geraldo de qualquer construção que o reduzisse à orientação sexual. “O Geraldo tem camadas muito interessantes. A sexualidade é só mais uma delas”, ressalta. A preocupação se refletiu também na maneira de interpretar o jogador. “Eu quis fazê-lo sem muito rodeio, tentando trazer uma pessoa comum, mostrando como se é, como se vive”, explica. Para Breno, colocar uma figura como Geraldo no centro dessa discussão amplia as possibilidades de identificação dentro e fora do esporte. “Essas pessoas existem em qualquer profissão, em qualquer lugar, porque são pessoas normais, vivas, com seus amores, suas dores, suas paixões. Sou um felizardo por ganhar esse papel”, afirma.
Entre os dois trabalhos de dramaturgia, Breno ainda encontrou espaço para um desafio em que não pode recorrer a personagem algum. Integrante da nova edição da “Dança dos Famosos”, no “Domingão com Huck”, o ator começou a competição justamente com um ritmo ligado às próprias origens: o pagodão baiano. Filho de mãe de Xique-Xique e pai de Salvador, cidade onde foi criado, ele reconhece familiaridade com a música, ainda que isso não signifique domínio técnico dos passos. “Talvez eu não transponha para o corpo de uma forma profissional, mas a música e dança, de uma forma geral, sempre me agradaram”, admite.
“Quem Ama Cuida” – Globo – Segunda a sábado, na faixa das 21h.
“Jogada de Risco” – Globoplay










