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Caderno B Sexta-feira, 26 de Agosto de 2022, 09:19 - A | A

26 de Agosto de 2022, 09h:19 - A | A

Caderno B / CINCO PERGUNTAS

Forno e fogão

Paulo Vieira se mostra ainda mais versátil como artista no comando da segunda temporada do “Rolling Kitchen Brasil”, no GNT



POR MÁRCIO MAIO
TV PRESS

Pode-se dizer que Paulo Vieira está com tudo e não está prosa. Aos 29 anos, o ator goiano começou a destacar em 2013, quando participou do “Prêmio Multishow de Humor” e acabou se consagrando o vitorioso na disputa. Já em 2016, ganhou espaço no “Programa do Porchat”, na Record, quando passou a ser, de fato, reconhecido pelo grande público. Hoje, seis anos depois, tem livro infantil e EP lançado; já esteve à frente, como apresentador, de programa na Globo – o “Fora de Hora” – e no GNT, onde dá expediente em duas produções. O “Avisa Lá Que Eu Vou” virou “queridinho” até da equipe do “Fantástico”, onde é exibido como quadro. E o “Rolling Kitchen Brasil” estreou segunda temporada em agosto, no último dia 18. “O GNT é minha casa, onde estou livre para criar minhas coisas, tenho oportunidades que não tive em lugar nenhum”, valoriza.

Acostumado a fazer o público rir principalmente com sua espontaneidade e improviso, Paulo garante que não chega a fazer feio no fogão. No entanto, sabe que ali, ao contrário de como anda sua trajetória artística, enfrenta algumas limitações. “Eu cozinho bem, mas não comida de chef. Tudo que uma mãe faz, eu sei: arroz, feijão, rabada, feijoada... Eu poderia ter um boteco tranquilamente, mas um restaurante, não”, reconhece ele, que recentemente foi o primeiro convidado do “Domingão” com Huck, na Globo, do quadro “Batalha do Lip Sync”. “Eu morro de medo, sempre nego convites para cantar e dançar porque eu nem posso. Meu joelho é lascado. Mas uma coisa é negar para um produtor de elenco. Mas um belo dia veio o Luciano Huck e não consegui falar ‘não’ para ele. Quando vi, estava lá”, entrega o humorista, que acabou se dando bem e ganhou a disputa contra a atriz Letícia Colin.

A seriedade, porém, não demora a bater quando o assunto é apresentar um programa. Paulo mostra que sabe bem a responsabilidade que tem quando ocupa esse posto, no canal que for. “Precisa dar certo, está na sua mão. Você é o condutor daquilo. Esse é o desgaste físico e emocional, porque se não der certo, a culpa é minha. Descobri isso no ‘Tempero de Família’. Gravaram no meu prédio e foi tão gostoso. Falei para o Rodrigo Hilbert ‘como é bom quando o programa não é da gente’”, admite ele, que assume se sentir mais preparado agora, à frente da segunda temporada do “Rolling Kitchen Brasil”. “Na primeira, eu estava entendendo ainda como ler TP (teleprompter, equipamento que projeta textos em um monitor). Agora estou mais tranquilo”, diz.


P – Como você recebeu a segunda temporada de “Rolling Kitchen Brasil”?

R – A segunda temporada vem com o carimbo do sucesso, mostra que a gente conseguiu fazer um projeto que foi legal de público, de crítica e comercialmente. A primeira, para mim, teve um sabor de: “será que eu sei fazer isso”? Eu nunca tinha feito o formato. Por isso, aceitei. Tinha esse tom de desafio, de “vamos ver se consigo”. Agora, não só eu, mas o programa todo está mais tranquilo, brincando mais, se permitindo mais. Vale tudo. Não é mais só dupla de casal. Pode ser amigo, companheiro de trabalho, gente que tenha a ver... Estamos mais livres para chamar quem a gente ama, mas está solteiro (risos). Tinha um preconceito aí com a pessoa não casada, que não beija. Abrimos mão disso.


P – Você tem uma forma de fazer humor muito espontânea e que algumas pessoas chamam de “popular”. Para você, como isso funciona?

R – A minha experiência de vida é de Classe C. Tem um ano que estou ganhando bem. E minha família segue sendo minha família. Você não ganha família da Globo quando entra para a Globo. Não falam pra você “essa é sua mãe, se chama Helena e ela mora no Leblon”. Sua família segue sendo a mesma. Ainda tenho dente de parente para arrumar, casa para rebocar, coisas para fazer, embora, eu esteja ganhando melhor. Uma conversa minha com o GNT e outras coisas que faço é “vamos colocar algo para não assinantes”. Me preocupo em fazer produtos só fechados, porque eu quero ser um artista popular. Do “Rolling”, colocamos três episódios para quem não assina o Globoplay. Eu penso muito nesse público, tenho uma relação de muita gratidão com ele. É uma forma de agradecer mesmo.


P – Você imaginou, em algum momento, que estaria no GNT?

R – Não, eu achava o GNT muito chique. Na publicidade, se falava assim, quando o comercial era muito elegante: “nossa, está muito GNT”. Mas como elogio mesmo. Eu pensava que o canal não tinha a minha cara. Mas o GNT veio e conversou comigo. Falaram que era isso que eles queriam. O canal passou por uma reformulação nos últimos anos, mudando o elenco, o formato, a comunicação visual. Pessoas como eu, ali, mostram essa nova cara. O GNT era uma casa onde eu pensava que não iria trabalhar, mas que eu sempre quis trabalhar, porque eu sou metido. É um canal que tem um acabamento estético muito bom em tudo que faz. E o produto não fica só no GNT. O “Avisa Lá Que Eu Vou”, por exemplo, foi parar no “Fantástico”, da Globo. O GNT investe nas minhas ideias e elas são pulverizadas no ecossistema Globo. Mas o investimento, o “vamos dar esse dinheiro para o Paulo”, é do GNT. Fico feliz com isso.


P – Nos últimos anos, você mostrou uma versatilidade como artista, encarando múltiplas apostas. De que forma analisa isso?

R – Eu sempre soube que era isso e queria fazer isso. E sempre soube que o caminho para desenvolver esses lados seria longo. A gente está muito acostumado a ter pessoas que fazem uma coisa só e eu sou bem inquieto, quero fazer tudo, me experimentar em todos os lugares. Sou apaixonado por comunicação e ela está em tudo: em apresentar um programa, em escrever um roteiro, em compor uma música... Vejo em que lugar quero me comunicar. Por exemplo, no “Avisa Lá Que Eu Vou”, queria comunicar o interior do Brasil, uma tentativa de religar a audiência à essência do brasileiro, ao país que somos. Lembrar que ainda somos aquele Brasil que segue valendo a pena. Mas, por alguns motivos, esse país se perdeu um pouco. Não dava pra comunicar isso em um programa de esquete, tinha de ser afetivo.


P – Então você sonhava com essa função de apresentador?

R – Apresentar é algo com o qual eu sempre sonhei e sempre ensaiei com a escova na frente do espelho. Treinava em casa. Estou feliz por fazer isso agora. Mas ainda tem muitas coisas que quero fazer. Este ano, era para eu ter gravado um disco, só que não gravei ainda. Meu trabalho musical está parado, não lanço nada há três anos. Quero escrever mais, tenho contrato para mais dois livros. Quero dirigir mais, sobretudo direção artística. A Globo tem muitas telas, por isso gosto de trabalhar ali. Se eu fecho com um streaming, por exemplo, vou ali e faço uma série e é isso. Na Globo, posso apresentar no GNT, fazer uma parada no “Fantástico”, um quadro no “Big Brother Brasil” ou escrever uma série para o Globoplay.

“Rolling Kitchen Brasil” – GNT – Quintas, às 21h45.

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