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Caderno B Sexta-feira, 18 de Setembro de 2026, 14:09 - A | A

18 de Setembro de 2026, 14h:09 - A | A

Caderno B / VITRINE

Múltiplas faces

Ana Beatriz Nogueira estreia nas novelas verticais em “Nas Profundezas do Amor”

Foto: Divulgação

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Márcio Maio/TV Press

 Rígida, controladora e disposta a interferir nas escolhas do filho. Em uma leitura rápida do perfil da personagem, a poderosa Madalena de “Nas Profundezas do Amor” carrega características que Ana Beatriz Nogueira já teve a oportunidade de investigar em outras mães problemáticas que encarnou na televisão. Em sua estreia nas novelinhas verticais do Globoplay, a atriz interpreta a matriarca da família Pedreira, contrária ao romance de Romualdo, papel de Joaquim Lopes, com Serena, vivida inicialmente por Jeniffer Dias. “Mães são pessoas, elas são mães e um milhão de coisas mais! E esse um milhão de coisas mais é o que nos interessa. A diferença está nessas camadas, nessas nuances, nessa brincadeira”, defende a atriz, longe de encarar a recorrência dos papéis maternos como uma limitação nas escalações.               

Madalena, porém, logo se torna peça fundamental do melodrama criado por Paulo Ferreira. Encontrada gravemente ferida em sua mansão, ela passa anos em coma depois de um atentado perpetrado por Zara, vilã de Thaila Ayala, para aproveita para incriminar Serena e afastá-la de Romualdo. Seu despertar, portanto, guarda respostas capazes de mexer diretamente com o desfecho da história. Com 50 capítulos de aproximadamente dois minutos, a produção foi desenvolvida para o consumo vertical pelo celular, uma linguagem que ainda provoca inquietação na atriz veterana. “Fiz ‘Nas Profundezas do Amor’ e continuo achando um mistério como fazer uma novela vertical. Preciso assistir para aprender e aprender com os meus colegas que que já fazem bem”, admite.               

Acho que um novo formato independe do tempo que você tem de profissão. É sempre um novo formato

Nem os quase 45 anos de carreira eliminaram a sensação de estar diante de um território a ser descoberto. Às vésperas de completar 60 anos de idade, Ana Beatriz considera que a experiência acumulada em novelas, séries, minisséries, cinema e teatro não oferece necessariamente respostas prontas para uma linguagem que estabelece outras relações com tempo e ritmo. “Acho que um novo formato independe do tempo que você tem de profissão. É sempre um novo formato”, pondera. A atriz também enxerga a expansão das produções verticais para além da questão artística: trata-se de uma possibilidade de ampliar o próprio mercado audiovisual. “É um grande negócio, uma porta de trabalho para muitos colegas, atores e atrizes, que são maravilhosos e que, de repente, não tiveram ainda oportunidades que na novela vertical conseguem ter”, ressalta.               

Enquanto experimenta uma nova linguagem com Madalena, Ana Beatriz também pode ser vista novamente em um trabalho realizado há mais de uma década. Exibida originalmente em 2015, “Além do Tempo” está de volta à Globo no “Edição Especial”, recuperando a história em que os mesmos papéis atravessam duas épocas separadas por 150 anos. Como Emília, mãe de Lívia, papel de Alinne Moraes, a atriz encontrou justamente a possibilidade de transformar uma personagem dentro de uma mesma obra. Na primeira fase, ambientada no Século XIX, Emília é uma mulher marcada por segredos e pelo ressentimento em relação à mãe, Vitória, vivida por Irene Ravache. Na etapa contemporânea, a mágoa permanece como elemento importante de sua trajetória, até que revelações sobre o passado obrigam a personagem a confrontar certezas construídas durante toda a vida. “Tivemos a oportunidade de interpretar dois personagens dentro da mesma obra. Foi um desafio que se revelou muito mais como uma grande oportunidade de exercício do que como algo difícil”, recorda.               

Madalena e Emília aumentam uma conta que a própria Ana Beatriz faz com bom humor. Entre os muitos papéis acumulados ao longo da carreira, a maternidade apareceu com especial frequência justamente na televisão. “Eu acho que televisão foi o lugar em que eu mais fiz mães. Tenho 17 filhos só na tevê”, contabiliza. A repetição da função familiar, no entanto, não significa repetir composição. É na personalidade, no gênero da história e até na possibilidade de encontrar graça em situações improváveis que a atriz procura novas tonalidades. “Sempre dá para achar humor, mesmo no que é dramático”, observa. E não parece haver risco de saturação. “Adoro fazer mães e farei quantas quiserem que eu faça”, garante.

 

“Nas Profundezas do Amor” – Globoplay.

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