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Carros Segunda-feira, 21 de Setembro de 2026, 14:10 - A | A

21 de Setembro de 2026, 14h:10 - A | A

Carros / Jetour T1 PHEV

Cara de mau

Apesar do jeito de off-road, Jetour T1 PHEV é um confortável crossover urbano

Foto: Divulgação

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Jorge Beher/para Auto Press

 

A Jetour desembarcou no Brasil com uma tripla aposta no segmento de SUVs médios, com o S06, o T1 e o T2. Todos atendem à proposta da marca, que pertence ao Grupo Chery, de focar em estilo, conforto para longas viagens e atividades ao ar livre. Sendo que o S06 é melhor definido como crossover, o T2 como um SUV raiz enquanto o intermediário T1 teria uma vocação intermediária entre o urbano e o off-road – o que transparece na aparência de cada um. Mas essa proposta do T1 fica restrita à aparência. S06 e T1 contam com a mesma motorização híbrida e tração dianteira simples, o que atende bem à promessa do S06, mas não do T1, como ficou claro na unidade avaliada. Ele funciona como uma espécie de versão aliviada do T2, dotado de versões híbridas com tração 4X4 e três motores elétricos.               

O preço do T1 também fica no meio do caminho entre os R$ 200 mil do S06 e os R$ 350 mil do T2 4X4. O T1 tem duas versões, a Advance por R$ 249.900 e a Premium por R$ 264.900, que se diferenciam pelo nível de equipamentos de luxo e conforto e trazem os mesmos itens de segurança e capacidade mecânica iguais. Com um design menos marcado pelo estilo retrô do T2, o Jetour T1 PHEV é indicado para quem não precisa de tração, mas busca autonomia e robustez, pois vem apenas com tração dianteira. E graças ao sistema híbrido plug-in, é possível cumprir longos trajetos sem se preocupar tanto com reabastecimento – a marca promete no site oficial até 1.200 km de alcance – graças a um tanque de combustível de 70 litros.               

O T1 é um SUV médio bem encorpado, com dimensões imponentes. Ele tem 4,71 m de comprimento, 1,97 m de largura, 1,84 m de altura e entre-eixos de 2,80 m. O porta-malas comporta bons 574 litros. A distância livre para o solo, de 16 cm, não é tão grande quanto se esperaria de um SUV que pretende vender a ideia de sair do asfalto. O fato é que ele perde 3 cm em relação ao T1 a combustão (não vendido no Brasil) por conta da bateria instalada no piso – o que significa que é preciso ter um cuidado adicional com o ângulo ventral.               

O interior do T1 PHEV traz um ambiente bem realizado, com materiais que combinam qualidade com durabilidade, uma posição de direção alta, um teclado conveniente sob a tela de 15,6” e cerca de 45 espaços de armazenamento, considerando o nicho resfriado sob o apoio de braço, o console central de duas alturas, chamado de ponte chinesa, e detalhes típicos do mundo off-road, como a alça instalada no console frontal para o carona.               

A ergonomia da direção, apesar dos diversos ajustes, faz a posição mais baixa pouco confortável e com a visão tanto periférica quanto do painel de instrumentos prejudicada. O volante parece confuso a princípio, mas depois de uma certa familiarização, torna-se menos complexo operar o controle de cruzeiro ou o sistema multimídia. O revestimento é em couro sintético e, além de ajustes elétricos, os bancos dianteiros possuem ventilação e sistema de fácil acesso. Os assentos na parte de trás são enormes, com encostos ajustáveis e janelas grandes, mas as almofadas do assento são excessivamente duras.               

A central multimídia traz uma interface que está bem popularizada entre os carros chineses, o que a torna mais familiar – o que nem sempre significa mais simples. Por exemplo, o ajuste dos retrovisores é feito a partir da tela. O teclado sob a tela tem os atalhos e widgets que permitem controlar algumas funções de forma mais interativa, como o controle climático.               

O equipamento inclui conexão sem fio com Apple CarPlay e Android Auto, câmeras de 540°, sistema de áudio Sony com 9 alto-falantes na versão Premium, sistema de controle climático duplo, monitor de travessia (o limite é 60 cm de profundidade) e vidros dianteiros de vidro duplo. No console central, a versão de topo traz um carregador sem fio de 50 W, o seletor de modo de condução e atalhos para algumas funções específicas, como ativação da câmera.

Na parte de segurança, ambas versões trazem o conteúdo esperado no segmento. O T1 possui 6 airbags, sensor de luz e chuva e recursos ADAS como freio automático de emergência, monitoramento de faixa, alerta de colisão frontal, traseira e de tráfego cruzado traseiro, sensor de ponto cego e controle de cruzeiro adaptativo. Alguns desses sistemas são excessivamente sensíveis, como o sensor de obstáculos, que aumenta e diminui o volume da música enquanto está ativado e acusou falso positivo diversas vezes.

 

Impressões ao dirigir

Energia bem gerida

O Jetour T1 PHEV é impulsionado por um motor de injeção direta 1.5 Turbo, que desenvolve 140 cv e 21,9 kgfm, associado a um motor elétrico incorporado na transmissão DHT, com 201 cv e 31,6 kgfm. A soma não é linear e na combinação o modelo oferece 315 cv e 52 kgfm. Além do tanque de combustível de 70 litros, ele tem uma bateria de 26,7 kWh, que lhe proporciona 88 km de autonomia puramente elétrica, segundo o InMetro – modo híbrido é acionado assim que o modelo atinge 70 km/h.

A bateria só admite cargas em CC até 45 kW, capacidade já ultrapassada por grande parte dos PHEV do mercado. Mas a ideia inicial é que seja carregado com um Wallbox em casa, situação que aceita até 6,6 kW em CA.               

Com carros híbridos plug-in, muitas marcas têm modos infinitos de direção e gerenciamento, mas este Jetour é mais simples. Ele possui um modo híbrido e um modo totalmente elétrico, além de dois modos de reserva, que permitem manter uma margem de energia na bateria: pode ser inteligente ou forçado. Também temos três tipos de regeneração e modos de direção tradicionais que regem a personalidade do carro: Eco, Normal, Esportivo e Neve.               

O que mais impressiona no T1 PHEV é a gestão de energia. Ainda mais considerando seu tamanho e peso – são duas toneladas redondas. A média de consumo apontada pelo InMetro é de 13 km/l, o que renderia, em um tanque de 70 litros, mais de 900 km. Mas com o modo híbrido, o modelo consegue uma equivalência de 34,7 km/l na estrada e 26,8 km/l na cidade. É nessa combinação que surge a autonomia de 1.200 km.               

Como regra, o ideal é sempre reservar o modo elétrico para uso urbano e deixar o modo híbrido para a estrada. Caso contrário, o motor de combustão vai ser usado, tanto para carregar a bateria quanto para mover o carro, anulando toda vantagem do sistema híbrido: preso em um engarrafamento de uma hora e meia, apenas em modo 100% elétrico, a autonomia geral caiu apenas 2 km – na verdade, por conta do consumo de periféricos, com som e ar-condicionado.

Fora o lado energético, o carro, para ser honesto, é de muito mau gosto. É bem calibrado, está correto, com um bom chassi, mas não tem personalidade. A direção elétrica é demasiadamente assistida, sem muito torque ou comunicação com o condutor. A suspensão é macia, mas foi penalizada por pneus de baixa qualidade.

 

Ficha técnica

Jetour T1 PHEV

Motor a combustão: Gasolina, ciclo Miller, turbo, transversal, dianteiro, com 1.499 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando duplo no cabeçote acionado por corrente. Injeção direta.

Potência: 135 cv a 5.200 rpm.

Torque: 20,4 kgfm a 2.500 rpm.

Diâmetro X curso: 72 x 82 mm.

Taxa de compressão: 14,5:1.

Capacidade do reservatório de combustível: 70 litros.

Motor Elétrico (propulsor):Dianteiro, transversal, síncrono com ímã permanente. Tração dianteira.

Potência: 204 cv.

Torque: 31,6 kgfm.

Transmissão: Automática com uma relação com acoplamento por disco.

Aceleração 0-100 km/h: 8,7 segundos.

Velocidade máxima: 180 km/h.

Bateria: Fosfato de ferro-lítio, com arrefecimento líquido, tensão de 355 V e capacidade de carga de 26,7 kWh.

Recarga: 6,6 kW em corrente alternada e 45 kW em corrente contínua.

Carroceria: SUV médio com quatro portas e cinco lugares. Com 4,71 metros de comprimento, 1,97 m de largura, 1,84 m de altura e 2,80 m de distância entre-eixos. Altura mínima para o solo de 16 cm. Ângulo de 28º de ataque e de 28º de saída. Airbags frontais, laterais e de cabeça de série.

Suspensão: Dianteira tipo McPherson com rodas independentes, amortecedores hidráulicos, molas helicoidais e barra estabilizadora. Traseira multilink com barra estabilizadora, rodas independentes, amortecedores hidráulicos e molas helicoidais.

Freios: Discos ventilados dianteiros e discos sólidos traseiros, com sistema de frenagem regenerativa integrado. ABS com controle de partida em rampa e controle de estabilidade.

Pneus: 235/60 R19.

Peso: 2.000 kg em ordem de marcha com 375 kg de capacidade de carga.

Porta-malas: 574 litros.

Lançamento: março de 2026.

Produção: Fujian, China.

Preço: R$ 264.900.

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