O elenco e o técnico do Once Caldas já deixaram claro qual o maior temor do time colombiano para o confronto desta quarta-feira contra o Corinthians, em São Paulo, pela fase preliminar da Copa Libertadores: Paolo Guerrero. O centroavante peruano é o jogador mais conhecido do time alvinegro e já foi chamado até de "monstro" pelo atacante adversário Arango. E apesar de saber que o camisa 9 receberá atenção especial no duelo, o técnico Tite não se incomoda com isso.
"Contra o Marília (vitória por 3 a 0 no domingo, pelo Campeonato Paulista), foi muita marcação no Guerrero. Eu disse no intervalo que ia sobrar espaço para outro. Futebol é assim, é participativo. Jadson deu assistência para o Emerson, Renato (Augusto) fez um gol, Elias fez quase igual... se ficar centralizado em um jogador só, vai abrir para outro. A gente divide essas ações ofensivas, elas ficam com uma força grande", disse Tite.
Os números mostram, porém, que a dependência do Corinthians em relação a Guerrero é grande. No Campeonato Brasileiro do ano passado, o peruano foi o artilheiro do time com 12 gols – praticamente 25% dos 49 gols marcados pela equipe na competição. Com ele em campo, o time conquistou 61,9% dos pontos disputados, o que seria suficiente para passar o São Paulo e terminar com o vice-campeonato, atrás apenas do Cruzeiro. Sem ele, o número cai para 56,6%
A situação é ainda mais complicada pela falta de um reserva de destaque no elenco corintiano. Dos outros seis atacantes no elenco principal, nenhum tem as características de Guerrero. Nomes como Emerson, Romero e o garoto Tocantins até podem "quebrar um galho" como referência na frente, enquanto Mendoza, Malcom e Luciano atuam mais fora da área. No passado, meias como Danilo e Renato Augusto já tiveram que exercer a função de centroavante na ausência do artilheiro.
Tite sabe que é impossível repor a capacidade goleadora do camisa 9 – são 45 bolas na rede em 113 jogos com a camisa do Corinthians, uma média de 0,4 gol por jogo. Resta torcer para que o peruano consiga criar espaços e jogadas mesmo com uma provável marcação cerrada do Once Caldas – e que os "coadjuvantes" corintianos, ao menos no quesito gol, estejam inspirados na quarta-feira.
"Queremos que o time tenha dois momentos distintos, com e sem bola. Sem bola, que seja enérgico, aceso, esperto, busque a marcação, encurte. E com bola, que seja frio, concentrado, equilibrado, ponderado para ter as melhores escolhas. Isso é utopia, é a ideia. Os outros times também querem", brincou o treinador alvinegro.









