G1
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse que há motivação política por trás dos protestos de estudantes nas ruas da capital. Desde segunda-feira (30), alunos da rede estadual passaram a bloquear importantes vias em protesto contra a reorganização escolar. Entre a noite de terça e o início da tarde desta quarta (2), oito pessoas foram detidas em dois atos: um na Avenida Nove de Julho e outro, na Doutor Arnaldo.
"Não é razoável obstrução de via pública, é nítido que há uma ação política no movimento. Há um nítida ação política", disse o tucano em evento no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, no Morumbi, Zona Sul da capital. "Ainda mais na Doutor Arnaldo. Só o Instituto do Câncer são mil pacientes por dia que precisam ter acesso", disse, ao citar o ato desta quarta. A avenida é considerada uma das mais importantes da cidade, pois liga a Zona Oeste à Avenida Paulista e fica na região do Hospital das Clínicas.
A confusão começou quando policiais militares retiraram cadeiras utilizadas pelos estudantes para fechar o sentido Sumaré da via. Dois adolescentes e dois adultos foram detidos na avenida, que fica próxima da Paulista. As quatro pessoas foram levadas para o 23º Distrito Policial, em Perdizes, na Zona Oeste, e devem responder por resistência e desobediência.
"A polícia dialoga, a polícia conversa, a polícia pede para as pessoas saírem, a polícia dá tempo de as pessoas saírem. Agora, não pode prejudicar quem precisa trabalhar, é preciso ter o mínimo de bom senso", disse o governador.
Jovens reclamam da PM
Estudantes envolvidos nos mais recentes confrontos com a polícia por causa de protestos contra a reorganização escolar dizem que os policiais agiram com truculência e força desnecessária. "Me levaram à força me algemanaram e me botaram no camburão e tentaram usar bastante da violência", disse Francisco Mussatti, de 16 anos, apreendido durante o ato na Avenida Doutor Arnaldo.
Nesta madrugada, um casal detido após o ato na Avenida Nove de Julho também disseram terem sido vítimas da truculência da PM. "Me jogaram no chão, começaram a me rasgar e me levaram para o camburão", disse a roteirista Tatiana Tavares. "Eu entendo que eles tenham que fazer o trabalho deles, mas eu acho que não é dessa forma truculenta, jogando a gente no camburão.”
Outros dois menores saíram da delegacia acompanhados pelos pais. Eles disseram que foram abordados por policiais militares enquanto protestavam. “Eles bateram com o cassetete no meu braço, aí eu caí no chão e eles me arrastaram. Na hora que eu levantei para poder levarem para o camburão, colocaram o cassetete no meu pescoço e começaram a enforcar e levar”, disse um dos adolescentes.
PM vai intervir sempre, diz secretário
A ação dos policiais segue orientação dada pela Secretaria da Segurança Pública (SSP). Ementrevista exclusiva ao G1 na terça, o secretário da Segurança, Alexandre de Moraes, disse que a Polícia Militar (PM) vai intervir sempre que for preciso para impedir que alunos bloqueiem as principais vias de São Paulo.
“Para resumir, bem resumido, a função da Secretaria da Segurança Pública e da polícia nesses acontecimentos é garantir que não haja dano ao patrimônio público. E não haja confusão, não haja briga entre quem queira assistir aula e quem não queira", disse Moraes. "E também nós não vamos permitir que fiquem agora obstruindo as vias principais de São Paulo."
Alckmin acrescentou que está disposto a conversar com os alunos. "Nós estamos permanentemente abertos ao diálogo com os estudantes, professores, pais e alunos. Tanto é que nós já desocupamos mais de 50 escolas através do diálogo.” A falta de diálogo é a principal queixa dos estudantes que ocupam mais de 190 escolas em todo o estado.








