Quinta-feira, 08 de Outubro de 2026

Nacional Segunda-feira, 27 de Abril de 2015, 00:00 - A | A

27 de Abril de 2015, 00h:00 - A | A

Nacional /

Luz própria

Jornal Mato Grosso do Norte



por Anna Bittencourt

TV Press

      Ser filha de grandes figuras da dramaturgia brasileira é uma via de mão dupla: pode oprimir ou facilitar a trajetória. A pluralidade de Fernanda Torres, no entanto, se impõe sobre qualquer limite de ser filha de ícones como Fernanda Montenegro e Fernando Torres. No ar na quinta e última temporada de "Tapas & Beijos", a intérprete da insegura Fátima garante que levou tempo até ter maturidade para conseguir se dividir entre muitas tarefas. Escritora, roteirista e atriz de cinema, teatro e tevê, Fernanda enxerga com naturalidade sua carreira. "Sempre tive vontade de viver disso. Consegui e ainda diversificando muito as áreas", comemora. A derradeira temporada de "Tapas & Beijos" foi estabelecida pelos próprios atores e equipe da produção. "Saber parar é uma arte", justifica a atriz. A princípio, a trama em volta de Fátima e Sueli, personagem de Andréa Beltrão, duraria apenas três anos. A prorrogação foi um pedido da Globo, já que o seriado foi destaque na linha de shows da emissora desde sua estreia.

      As muitas reviravoltas que "Tapas & Beijos" sofreu deram fôlego à produção escrita por Cláudio Paiva. Por isso, Fernanda acredita ter sido viável estender a série. Depois de quatro anos trabalhando ao lado de Sueli na Djalma Noivas, as protagonistas vão abrir um brechó chamado BoutiKe. "A preocupação no início era não vilanizar a amante. Tínhamos medo de rejeitarem a Fátima. Então a gente nunca sabe o que esperar, a cada ano muda tudo", comemora, mencionando o relacionamento de sua personagem com Armane, interpretado por Vladimir Brichta. Experiente em projetos desse tipo, assim como "Os Normais", o atual seriado vai parar no seu auge pelo desejo do elenco de investir em novos projetos. "Ficar presa a uma coisa só é muito complicado. Mas a sensação de começar com um fim estabelecido para virem outras coisas já é conhecida para mim", pontua ela, que, ao lado de Luiz Fernando Guimarães, protagonizou "Os Normais" por três anos.

      Entre o fim de "Os Normais" e estreia de "Tapas & Beijos", em 2011, Fernanda ficou sete anos afastada da tevê. Nesse tempo, ela se dedicou ao teatro e ao cinema. Por isso, seu contrato com a Globo é feito por obra. Antes disso, no entanto, a atriz era contratada fixa da emissora. "Fui péssima funcionária para a casa. Passei as décadas de 1980 e 1990 vivenciando de forma muito intensa meus filmes e projetos independentes. Não estava preparada para ficar presa dentro do estúdio", relembra. Recentemente, Fernanda publicou dois livros: "Fim" e "Sete Anos: Crônicas". O primeiro é sua estreia na literatura de ficção e, o segundo, é um apanhado de crônicas que faz quinzenalmente para revistas e jornais. "Escrevo as crônicas e vou maturando um tempo para tentar não falar bobagem. O 'Fim' foi uma experiência maravilhosa. Mas apenas escrevi esse livro, não quer dizer que eu seja escritora ou que já tenha novos projetos literários. Ia adorar se fosse assim, mas não posso prever se vai sair outro", pontua.

      A verdade é que Fernanda tem gosto pela Literatura. Com referências já consagradas como João Ubaldo Ribeiro e os contemporâneos Milton Hatoum e Daniel Galera, ela está finalizando um roteiro para o cinema. "O Juízo" é uma história de terror escrita com a colaboração do roteirista Renato Fagundes e que vai ser dirigida pelo marido da atriz, o cineasta Andrucha Waddington. "Tenho uma pilha de livros para ler porque acabou mudando muita coisa. Estou no meio do pântano", diz, aos risos. Fernanda também prepara um espetáculo teatral baseado na obra de Machado de Assis e diz que ainda é cedo garantir se vai se aventurar a escrever para a tevê. "Teria de aprender primeiro. Passei um ano muito burra, aos poucos meus neurônios estão voltando a operar", diz, entre risos.

 

Início precoce

      Natural do Rio de Janeiro, Fernanda Torres passou parte de sua infância nas coxias de teatro. Aos 49 anos, ela relembra que por influência dos pais foi ganhando intimidade com os palcos e a tevê. "Cresci nos bastidores das peças e novelas deles. Ser atriz era muito forte. Não tinha como escapar", diz, entre risos. Após algumas experiências no teatro, ela estreou na tevê com 15 anos, em "Baila Comigo". No entanto, sempre envolvida em projetos simultâneos, sua relação com o veículo acabou se distanciando. Sua última aparição nos folhetins foi em 1986, na novela "Selva de Pedra". "Só pensava em cinema. E queria viver disso", admite.   

      Depois de repetidos sucessos em longas temporadas de séries, isso vem mudando. Fernanda garante que gravar "Tapas & Beijos" é praticamente estar comprometida com um folhetim. "É uma novela que faço há quatro anos e meio. O ritmo de gravações é tão intenso quanto", imagina ela, que de março a novembro grava de segunda a sexta. Adepta a formatos menores e fã das produções exibidas às 23 h, ela diz que está aberta a convites para voltar às novelas. "Gosto de trabalhar. Férias, para mim, é sinônimo de desemprego. Estou aberta para qualquer coisa", revela, com bom humor.

 

Instantâneas

# Em 1986, Fernanda ganhou o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes, na França, por seu desempenho no longa "Eu Sei Que Vou Te Amar", de Arnaldo Jabor.

# "Fim", o primeiro romance de Fernanda Torres, foi recentemente traduzido para o francês pela Editora Gallimard.

# Assim como "Os Normais", que depois de sair da grade da tevê virou filme, "Tapas & Beijos" também deve ganhar uma versão para as telonas. "Não aconteceu antes por falta de tempo", garante.

# Após o fim das gravações de "Tapas & Beijos", Fernanda volta ao teatro com uma turnê nacional de "A Casa dos Budas Ditosos". A atriz revisita o espetáculo – uma adaptação de Domingos de Oliveira para o livro de João Ubaldo Ribeiro – de tempos em tempos desde 2004.

 

Comente esta notícia

Rua Ivandelina Rosa Nazário (H-6), 97 - Setor Industrial - Centro - Alta Floresta - 78.580-000 - MT

(66) 3521-6406

[email protected]