Jornal Mato Grosso do Norte
Carlos Alberto de Lima/Assessoria Prefeitura de Alta Floresta
Comumente taxada de doença tropical, a Dengue, dado ao crescente número de casos que se multiplicam no mundo, e o Brasil não foge à regra, é a que mais intriga e desafia a comunidade científica.
Todavia, dados dão conta de que em Alta Floresta essa estatística é contrariada. “Levando em consideração os anos de 2012/2013 diminuímos cerca de 80 a 85% nos dois últimos anos”. A informação é do gerente de Vigilância Ambiental do município, Silvio Cardoso. E se compararmos 2015 com o ano de 2013, a queda no índice pode ser ainda maior: “Até agora (fim de outubro) estamos com menos de 200 notificações, em 2013, nesse período, tivemos mais de 400”, reforça Silvio.
Em relação a casos positivos temos, segundo o gerente da Vigilância Ambiental, em torno de 40 casos enquanto em anos anteriores ultrapassávamos a casa de 200 casos positivos no município.
Para Silvio Cardoso essa diminuição deve-se a vários fatores. E ele enumera: As pessoas estão mais conscientes dos seus deveres e obrigações e isso tem nos ajudado bastante; outro fator de influência no índice é a questão dos tipos de dengue, que na região se apresentam como denv-1, denv-2 e denv-3. E os tipos que circularam em alta floresta em 2012/2013 não voltaram a circular nessa temporada e isso levou a uma diminuição muito grande, por exemplo, a pessoa infectada com um determinado tipo, fica imune àquele tipo pelo resto da vida e para os demais por um período de 60, 90 dias.
Todavia, talvez não tenha sido relevado, por modéstia do servidor Silvio, o principal responsável e que está sempre presente no combate ao mosquito, a pessoa do “agente” que em Alta Floresta são em número de 22. Vinte e duas pessoas que percorrem em visitas às residências, aos comércios, a todo e qualquer tipo de imóvel, no combate as larvas e ao mosquito Aedes aegypti, vetor da dengue e, mais recentemente, também transmissor da febre chikungunya (lê-se chicungunha) e da zika.
“Caso venham pessoas de localidades que tenha essas doenças circulando, pode acontecer de desencadear um número muito grande de casos porque o mosquito transmissor a gente tem em todos os bairros o que a gente não tem é o vírus circulante”, alerta Silvio Cardoso.
Voltando ao trabalho do agente que algumas pessoas imaginam que só trabalha no período das chuvas, Silvio informa que o trabalho é desenvolvido em ciclos. “São seis ciclos durante o ano. A cada dois meses, cada residência de Alta Floresta, cada comércio, qualquer tipo de imóvel vai receber, no mínimo, seis visitas ao ano”.
Também é desenvolvido, embora em pequena escala, o trabalho com produto químico, inseticida, onde é feito o bloqueio de casas quando é apresentado alto índice de infestação com casos de contaminação, é feita a borrifação num raio de duzentos metros para que os visinhos não venham contrair a doença.
Mas como o agente inseticida elimina apenas o mosquito adulto, aquele que voa, o trabalho (e aqui cabe um trocadilho) fica em sua grande e eficaz escala com outros agentes, os agentes da Vigilância Ambiental que quebram, destroem, alguns possíveis criadouros, virando recipiente, jogando a água acumulada e quando não são possíveis essas ações, o agente tem sempre na bolsa um larvicida, pó que é colocado no recipiente e assim eliminando a larva, que, no geral, leva em tono de cinco dias para se transformar no mosquito vetor da dengue.
Que os últimos resultados, comprovados pelo LIRA – Levantamento de Índice Rápido – realizado na última semana pelo Departamento de Vigilância Ambiental do município, e que confirmaram o baixo índice de casos e notificações, não altere a conscientização que o alta florestense vem demonstrando, mas que sirva para cada vez mais prosseguirmos com as boas práticas, continuando a fazer o dever de casa, porque com dengue não se brinca, dengue mata e todos sabem disso.









