por Luana Borges
TV Press
Emílio Dantas tem um jeito tranquilo e despretensioso de encarar a carreira. Simpático e bem articulado, o ator não se empolga com o glamour que envolve a televisão. E muito menos com a visibilidade que gera um personagem de destaque em novela, como o vilão Pedro, que interpreta em "Além do Tempo". "O nosso intuito na profissão nem sempre é mostrar o trabalho. Às vezes, é viver uma história legal, crescer em algum lugar ou se desafiar. Acho que a televisão é mais um dos veículos que podem trazer coisas interessantes, assim como o cinema e o teatro", salienta.
Apesar de dar vida ao grande antagonista da trama de Elizabeth Jhin, Emílio jura ser pouco reconhecido nas ruas. "Mas agora tem o porteiro, tem o cara da banca de jornal, tem uma galera que comenta a novela. Mas são as pessoas mais próximas", ressalva. Mesmo assim, percebe que o público, em geral, não simpatiza com as atitudes do personagem. O que, para ele, é sinal de que está fazendo bem seu trabalho. "As pessoas estão meio com raiva do Pedro. Acho que, quando o vilão é muito mau e foge um pouco da realidade, acaba sendo até querido. Mas Pedro é um fofoqueiro, preconceituoso, tipo que a gente conhece aos montes", argumenta o ator de 32 anos.
A segunda fase da novela, prevista para começar em outubro, se passa nos dias atuais. Quando houver a virada na história, os personagens apresentarão novas relações entre si. Emílio, no entanto, ainda não recebeu nenhuma "pista" sobre como será a personalidade de Pedro. Mas consegue manter uma linha de raciocínio para trabalhar o papel. "Estou achando até bom não ter nenhuma ideia. O principal para continuar o trabalho na outra fase é manter certas características e pensamentos do Pedro em uma situação completamente nova. Quanto mais completamente nova for essa situação, melhor", acredita.
No entanto, para a primeira metade da história, Emílio se preocupou em fazer uma preparação. Procurou, em si mesmo, as características que poderiam ter a ver com o personagem. E a música serviu de fonte de inspiração para o ator, que também é cantor e músico. Para construir Pedro, ele buscou sentimentos nas canções "Exit Music (For A Film)", do Radiohead, e "Vai Pro Inferno Com Seu Amor", da dupla Milionário e José Rico. "Às vezes, ainda escuto essas músicas indo gravar, dependendo da fase do Pedro", conta.
"Além do Tempo" marca a estreia de Emílio na Globo. Mas já fazia algum tempo que o ator era sondado para trabalhar na emissora. A primeira conversa com o diretor Rogério Gomes, à frente dos trabalhos de "Além do Tempo", aconteceu na época de "A Teia", série que foi gravada em 2012 e também dirigida por ele. De lá para cá, Emílio foi chamado para outros projetos dentro da Globo, mas sempre estava envolvido com outros trabalhos, como o espetáculo "Cazuza – Pro Dia Nascer Feliz, O Musical", no qual era protagonista. Além disso, também era contratado da Record, onde atuou em produções como "Sansão e Dalila", de 2011, "Máscaras", de 2012, e "Dona Xepa", de 2013. "Mas agora calhou. Estava no final da turnê do musical e a gente não tinha nada programado para continuar", ressalta.
"Além do Tempo" – Globo – De segunda a sábado, às 18:20 h.
Além da música
Emílio Dantas sempre quis interpretar um personagem biográfico e um vilão. Dois perfis que conquistou para seu currículo como o protagonista do espetáculo "Cazuza – Pro Dia Nascer Feliz, O Musical" e como o Pedro de "Além do Tempo". "2014 e 2015 são anos de realizações de sonhos profissionais", avalia. O musical, inclusive, gerou uma grande visibilidade do trabalho do ator para o público em geral. Bastante elogiado por sua performance nos palcos, ele só teve 45 dias de ensaio antes da estreia. Mesmo assim, conseguiu incorporar a voz e muitos trejeitos do cantor. "De certa forma, meu tom é próximo ao do Cazuza. Eu tinha de subir um pouco e fazer a voz mais anasalada, botar a língua presa", resume ele, que ganhou um calo na garganta por conta disso. "Mas tratei e, depois de seis meses, já estava bem", ameniza.
A música, aliás, apareceu na vida de Emílio bem antes da atuação. Até ter o primeiro contato com a interpretação, ele já era músico há 10 anos. Ao conhecer Osvaldo Montenegro, com quem trabalhou por quatro anos, atuou no filme "Léo e Bia" como protagonista e em algumas peças. Em seguida, entrou para a oficina de atores da Record, onde deu início à carreira na televisão. Apesar de nunca ter pensando em se tornar ator, Emílio percebeu logo "de cara" que valia a pena investir com mais afinco na interpretação. "Eu estava há 10 anos na música ganhando comida e 5 reais por show. Em relação à música, ser ator dá mais dinheiro", compara, aos risos.
Instantâneas
# Emílio Dantas toca um pouco de saxofone, gaita e violão, além de cantar. "Na época em que eu tinha banda, esses instrumentos eram só para fazer uma graça. Sei tocar um pouquinho de cada um, mas não arrebento", avisa.
# O ator está em cartaz no filme "Linda de Morrer", protagonizado por Gloria Pires.
# Uma das cenas preferidas de Emílio em "Além do Tempo" acabou não indo ao ar. "Foi uma cavalgada que a gente fez no cânion, no Sul, em que eu saía de um ponto a outro e caía na lama. Foi a cena mais divertida que fiz", revela
# Recentemente, ele terminou de rodar o filme "Em Nome da Lei", de Sérgio Rezende, com previsão de estreia para abril de 2016. "Faço o vilão: um matador paraguaio manco, viciado em morfina, bem louco", adianta.








