Reportagem Mato Grosso do Norte
Ao negar a liberdade ao ex-governador do Estado, Silval Barbosa (PMDB), o desembargador Alberto Ferreira de Souza, da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), afirma que o próprio Silval ameaçava testemunhas e tentava destruir provas obtidas com as investigações da Polícia Civil.
Silval está preso em uma cela do Corpo de Bombeiros, em Cuiabá, sob a acusação de conceder incentivos fiscais bilionários a empresários de Mato Grosso, em troca de propinas. Dois ex-secretários do staff peemedebista, Pedro Nadaf (Indústria, Comércio, Minas e Energia) e Marcel de Cursi (Fazenda) também estão detidos no Centro de Custódio da capital.
O magistrado argumenta que “há uma séria e grave ameaça à instrução processual e à descoberta da verdade, que merece pronta e especial atenção do Poder Judiciário”. O desembagador afirma também que “há fortes indicios que o grupo criminoso, chefiado por Silval, estaria de várias formas tentando impedir que as fraudesfossem descobertas.
Pessoas ligadas ao ex-governador estariam cercando e intimidando o delator da operação, o dono da Tractor Parts, João Bastista Rosa. As ameaças chegavam até mesmo por WatsApp.
Alberto Ferreria destaca o ‘vazamento’ de escutas telefônicas entre Silval Baborsa e o desembargador Marcos Machado. “Isso abstrai qualquer juízo de tráfico de influência por cooptação política, exercida pelo ex-governador do Estado de Mato Grosso”, revela o documento.
A defesa de Silval Barbosa promete recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília, para garantir a liberdade de seu cliente. O ex-governador se considera inocente das acusações.
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Temer na jogada - As escutas telefônicas feitas no período em que a ex-primeira-dama Roseli Barbosa esteve presa podem comprometer a situação do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), pois aponta para tráfico de influência, na qual ele teria recorrido ao vice-presidente da República Michel Temer (PMDB). Além disso, várias autoridades políticas fizeram contato com o peemedebista, se colocando à disposição para ajudar.
A quebra de sigilo telefônico foi feita para obtenção de prova, durante a investigação de desvio de dinheiro na secretaria estadual de Trabalho e Assistência Social (Setas), na época em que foi comandada por Roseli. Ela e outros indiciados já haviam sido alvo da Operação Arqueiro e foram presos, em 20 de agosto, na deflagração da Operação Ouro de Tolo.
As escutas têm início um dia antes da prisão de Roseli e vai até 3 de setembro. A ex-primeira-dama ficou sob a custódia até 26 de agosto, quando conseguiu habeas corpus junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Durante todo este período, Silval estava sendo monitorado pela polícia.
SOLIDARIEDADE- O ex-governador recebeu vários telefonemas de lideranças políticas do Estado recebendo solidariedade pelo fato da esposa ter sido presa. Na lista de ligações grampeadas, estão o senador Wellinton Fagundes (PR), o suplente Cidinho dos Santos (PR); ex-senador Jaime Campos (DEM), deputado Gilmar Fabris e ex-deputado federal Júlio Campos (DEM).









