Jornal Mato Grosso do Norte
José Vieira do Nascimento editor MT Norte
O presidente da Câmara Municipal de Paranaíta, José Domingos Nunes, o Birobiro (DEM), afirmou em entrevista à Mato Grosso do Norte, na sexta-feira, 20, que os representantes políticos de Paranaíta, bem como a sociedade organizada, não devem permanecer inertes, diante da situação de transtornos, causados ao município, pelas obras da usina hidrelétrica São Manoel.
Conforme o vereador, Paranaíta está ficando apenas com os impactos, enquanto o município de Jacareacanga, do lado paraense, já recebeu em torno de R$ 22 milhões de ISSQN inerentes a obra e não sofre nenhum impacto. “O município de Paranaíta é a única via de acesso ao canteiro de obras da usina São Manoel. Estamos arcando com todos os impactos e não temos direito a receber pelo menos parte do ISSQN da obra. É uma situação injusta”, enfatiza o presidente da Câmara.
De acordo com o vereador, a empresa responsável pela construção da usina, a Constran, não oferece nenhum tipo de apoio às pessoas que chegam à Paranaíta em busca de trabalho nas obras. Segundo ele, quando não conseguem trabalho, estas pessoas ficam relegadas a própria sorte, sem dinheiro para voltar para suas cidades de origem, passando fome e até dormindo nas ruas de Paranaíta.
“Como não conseguem emprego, as pessoas procuram os vereadores para pedir passagens para voltar para suas casas. E isto não seria responsabilidade nossa. Temos que atender a população de Paranaíta”, protesta Birobiro.
Para ele, a Constran teria que ter em Paranaíta um centro de apoio para acolher estas pessoas e fazer o encaminhamento delas. Seja para trabalhar na obra, ou se não forem aceitas, enviá-las para suas cidades de origens. “É complicado porque causa um problema social. Às vezes, alguém com fome e sem lugar para dormir, pode entrar em desespero e acabar praticando atos criminosos motivado por esta situação. A Constran tem que resolver esta situação até mesmo por uma questãosocial. Uma empresa deste porte tem que ter também responsabilidade social. Afinal, a obra é paga com dinheiro dos impostos pagos pela sociedade”, dispara o parlamentar.
A cidade de Paranaíta, que já vinha tendo as alterações causadas pela obra da usina Teles Pires, conforme Birobiro, acumula agora os impactos da usina São Manoel. “Temos demandas nas áreas de Educação, Saúde, Segurança e muitos problemas sociais. E a empresa empreendedora, responsável pela São manoel, não fez praticamente nada para mitigar os problemas que o município está enfrentando. Se, pelo menos, tivéssemos recebendo o ISSQN da obra, haveria mais recursos para a prefeitura investir e amenizar a situação”, comenta.
O democrata acentua que o governo estadual, os deputados estaduais e federais e os senadores de Mato Grosso, terão que ajudar o município a ter meio de enfrentar as demandas causadas pelos impactos da obra da Hidrelétrica São Manoel.
“Vou mobilizar os vereadores, o prefeito e os empresários de Paranaíta para procurarmos nossos representantes e cobrar apoio. Vamos exigir que o processo sobre a remarcação da divisa dos Estados do Pará e Mato Grosso tenha uma solução de uma vez por todas. O que não pode e a população de Paranaíta sofrer todas as consequências e não ter nenhuma compensação”, observa Birobiro.









