O risco de acidente vascular cerebral (AVC) não depende apenas da idade ou do histórico familiar. Hábitos cotidianos também podem afetar a saúde dos vasos sanguíneos e aumentar as chances de ocorrência do problema.
Segundo a cardiologista Samantha Benin, grande parte dos casos está relacionada a fatores de risco modificáveis, que podem ser controlados por meio de mudanças de comportamento e do acompanhamento da saúde. Entre os hábitos que merecem atenção estão o excesso de tempo sentado, o consumo de bebidas alcoólicas e a ingestão frequente de refeições com muito sódio.
Sedentarismo e tempo sentado Manter uma rotina de exercícios é importante, mas pode não ser suficiente quando a pessoa passa o restante do dia praticamente sem se movimentar. Estudos indicam que a prática regular de atividade física pode reduzir em até 40% o risco de AVC. Passar muitas horas diante do computador, da televisão ou sentado no trabalho, porém, pode comprometer parte desses benefícios.
“É possível fazer uma hora de exercício por dia, mas, se o restante do tempo for passado sentado à mesa ou diante de uma tela, sem pausas para se movimentar, o risco continua elevado”, explicou Benin.
Por isso, além dos exercícios, é importante interromper longos períodos sentado. Caminhar, pedalar, cuidar da casa e fazer jardinagem são exemplos de atividades cotidianas associadas a uma menor probabilidade de AVC.
Consumo de álcool Durante anos, o consumo moderado de bebidas alcoólicas, especialmente vinho tinto, foi associado a possíveis benefícios para o coração. Pesquisas mais recentes, no entanto, colocam essa relação em dúvida. Segundo Benin, mesmo o consumo moderado pode aumentar, em algumas pessoas, o risco de fibrilação atrial, hipertensão e AVC.
Um estudo identificou maior risco de AVC entre participantes que relataram consumo moderado de álcool. O risco foi ainda mais expressivo entre aqueles que concentravam o consumo nos fins de semana. Em comparação com quem não bebia, o risco de AVC entre os participantes que consumiam álcool em excesso nessas ocasiões foi 47% maior entre os homens e chegou a 241% entre as mulheres.
Ingestão de sódio Outro fator importante é o consumo frequente de alimentos ricos em sódio. Refeições de restaurantes, como pizzas, hambúrgueres e massas, podem apresentar grandes quantidades de sal. Em alguns casos, uma única refeição pode se aproximar ou até ultrapassar a quantidade recomendada para todo o dia.
Prevenção Reduzir o tempo sentado, evitar o consumo de álcool e controlar a quantidade de sódio na alimentação são medidas que podem contribuir para a proteção do coração e do cérebro. O acompanhamento médico também é importante para identificar e controlar fatores de risco, como pressão alta, diabetes e alterações do colesterol.










