Sem papel fixo em novela desde 2010, Priscila Fantin entra na reta final de "Boogie Oogie"
Com um sorriso no rosto, Priscila Fantin é enfática na hora de comemorar sua volta às novelas da Globo. Sem participar de nenhuma trama desde "Tempos Modernos", exibida em 2010, a atriz entrou para fazer uma participação até o final de "Boogie Oogie", que deve terminar em março. Na pele da sagaz Solange, ela conta que sua chegada no folhetim de Rui Vilhena aconteceu de forma rápida e inesperada. "O Luciano Rabelo, produtor de elenco, me ligou em um dia e, dez dias depois, eu já estava gravando", relembra, animada. Segundo Priscila, sua personagem foi criada para "movimentar" a reta final da novela. "Ela é muito inteligente. É formada em Contabilidade e vai conseguir desviar dinheiro sem que ninguém perceba. É ousada, mas muito comedida", ressalta.
Durante o pouco tempo que teve para se preparar para a personagem, a atriz buscou referências da década de 1970. "Fui muito atrás de estilos e comportamentos", entrega. Além disso, o texto de Rui Vilhena e o fato de ter assistido a diversos capítulos de "Boogie Oogie" a ajudaram a entender melhor sua função dentro da trama. "A parte externa também foi fundamental. O figurino e o cabelo me deram boas direções do que a personagem seria", avalia ela, que está com os cabelos mais cacheados por conta do papel.
O tempo fora das novelas fez com que Priscila pudesse se dedicar a outras áreas da dramaturgia. Depois de estrear na temporada de 1999 de "Malhação" como a protagonista Tati, a atriz perfilou papéis na tevê em folhetins como "Esperança", "Chocolate com Pimenta" e "Alma Gêmea". "Existe uma tendência a achar que, quando você não está em novela, está sem trabalhar", define. Nos últimos quatro anos, aproveitou o tempo mais livre para apostar no teatro – como atriz e produtora –, assim como no cinema e nos canais fechados – ela participou das séries "As Canalhas" e "Lili, A Ex", ambas do GNT. "Fiquei encantada com a produção dos canais a cabo. Tem um requinte de tempo que só encontramos no cinema no melhor veículo de projeção, que é a tevê", compara. Além disso, se dedicou a diversos cursos de interpretação, luxo que, por conta da frequência na tevê, não teve muito tempo para realizar.
Natural de Salvador, na Bahia, Priscila começou a trabalhar como atriz quase que por acaso. Com 16 anos e muitas campanhas publicitárias no currículo, ela fez um vídeo para constar nos arquivos da Globo. Um ano depois, decidiu fazer intercâmbio nos Estados Unidos. "Quando estava lá, o Ricardo (Waddington, diretor) ligou para minha mãe dizendo que tinha um papel para figuração. Não aceitei. Depois virou elenco de apoio. Ainda fiquei na dúvida, tinha investido muito na viagem. Quando ele disse que seria protagonista, decidi aceitar o que o destino estava me oferecendo", relembra.
O início da carreira de atriz, no entanto, foi um período complicado para Priscila. Como nunca buscou o ofício, a visibilidade de protagonizar uma novela infantojuvenil a assustou. "Fiquei em pânico de ter virado uma pessoa conhecida e de ter sido colocada em um pedestal que eu nunca quis e nem quero ter", diz, com simplicidade. No entanto, a independência financeira e a possibilidade de ajudar os pais pesaram na hora de decidir continuar na carreira. Apesar disso, ela ainda teve muita dificuldade de aceitar o novo "status" de celebridade. "Tive depressão em 2008 e foi muito por causa disso. Olhava para as capas de revistas e pensava 'essa não sou eu'. E não era mesmo. Não era meu corpo, não era a forma como eu falava", completa. A terapia veio para ajudá-la a entender melhor como lidar com os ônus e bônus da profissão. "É uma responsabilidade muito grande. Não sou a pessoa perfeita, um modelo a seguir. E nem tenho a pretensão porque não tenho esse tipo de vaidade. Na terapia, descobri que é possível continuar sendo a Pri, uma atriz que não vai maquiada à padaria", finaliza, aos risos.








