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Variedades Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2015, 00:00 - A | A

12 de Janeiro de 2015, 00h:00 - A | A

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No ar em "Boogie Oogie", Maria João ressalta múltiplos trabalhos em diversos países

Maria João é uma cidadã do mundo. A intérprete da moderna Diana, de ''Boogie Oogie'', não encara as limitações geográficas ou linguísticas como um entrave em sua carreira. Aos 39 anos, a atriz portuguesa conta com as mais variadas experiências profissionais em seu currículo. Ela já trabalhou e estudou nos Estados Unidos, na Inglaterra, na França e no Brasil. ''Temos de estar em constante aprendizado. Conhecer diferentes métodos e técnicas é muito importante para dar uma visão global ao personagem'', explica. Após 10 anos de folga do mercado brasileiro, quando interpretou Isabel no "Sítio do Picapau Amarelo'', Maria João retorna aos folhetins através do texto do moçambicano Rui Vilhena – com quem já havia trabalhado em Portugal. ''Sempre tive boas experiências com o Rui e com a Globo. Ele tem uma assinatura única. Essa mistura do humor ácido, ano de 1978 e o ritmo rápido é muito gostosa'', valoriza.

      E foi justamente a frenética década de 1970 que mais chamou a atenção da atriz ao receber o convite do autor para integrar o elenco da novela. Por isso mesmo, Maria logo se encantou com a ideia de representar um período totalmente fora de sua realidade. Inclusive, trabalhos de época são uma constante em sua trajetória. ''Gosto da pesquisa que envolve o projeto. Através do estudo, entro em um universo que é diferente do meu. Viver um cotidiano que não tenho registro é muito enriquecedor'', explica. Na trama das seis, Diana é uma mulher de origem portuguesa que morava em Londres, na Inglaterra, com o namorado Paulo, papel de Caco Ciocler. Após ele ser liberado do exílio na Europa, os dois voltam ao Brasil e Diana descobre o passado amoroso entre o namorado e Beatriz, de Heloísa Périssé. ''É uma personagem extremamente inteligente. É uma mulher que sabe a hora de se posicionar'', aponta.

      Para construir um papel de 1978, a atriz assistiu a diversos filmes e documentários brasileiros para compreender o contexto sociopolítico do país. E a história da estilista Zuzu Angel e seu filho morto durante a ditadura militar foi um dos aspectos que mais marcou sua pesquisa. ''Tentei não esquecer que nesse período ainda havia resquícios de ditadura. Era um momento delicado. Conheci uma história totalmente nova'', afirma.

      Atualmente em seu quarto trabalho no Brasil, Maria sempre nutriu o desejo de atuar no país. Em 2002, após mais de 10 anos de carreira em Portugal, foi convidada para integrar o elenco de ''O Clone''. O plano inicial era participar apenas do folhetim de Gloria Perez. No entanto, acabou permanecendo na emissora por mais cinco anos, onde atuou em ''Sabor da Paixão'' e ''Sítio do Picapau Amarelo''. ''A Globo é referência na teledramaturgia mundial. Fazer uma novela do horário nobre acrescentaria muito no meu currículo. Como atriz, era um passo enorme'', lembra. Na tevê desde 1992, ela reconhece que a produção brasileira é muito maior do que a portuguesa em termos de infraestrutura e investimento financeiro. Com uma indústria voltada apenas para o público interno, a televisão portuguesa dificulta o reconhecimento internacional. ''Não exportamos. A Globo é uma empresa com dimensão no mundo. Então, obviamente, gera produtos e receitas muito maiores'', compara ela, que não vê diferenças artísticas entres os dois países. ''As novelas portuguesas são líderes de audiência. Temos autores, diretores e atores muitos bons. Mas nossa história na teledramaturgia ainda é recente'', completa.

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