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Variedades Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2020, 00:00 - A | A

16 de Dezembro de 2020, 00h:00 - A | A

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MOTO MUNDO: Câmbio de ação



POR EDUARDO ROCHA
AUTO PRESS

Há dez anos a Honda vem pelejando com seu câmbio DCT, de dupla embreagem, no mercado brasileiro. Começou com a esportiva VFR 1200F, em 2011, que foi seguida logo em 2012 pela segunda geração no equipamento, com a crossover VFR 1200X, mas deixou de importar os modelos em 2013. Voltou à carga em 2018, quando passou a importar a scooter aventureira X-ADV e, na sequência, a Gold Wind Tour com o DCT de terceira geração. Em 2021, a Honda vai apostar nesta nova geração da tecnologia para fazer valer o fato de ser a única fabricante de motocicletas no mundo que tem uma transmissão de dupla embreagem. A ideia é passar a oferecer o equipamento na renovação da bigtrail África Twin, que passa de 1.000 para 1.100 cc, que será montada em Manaus a partir do próximo ano.
A nova Africa Twin ainda está em fase de homologação e vai ter no Brasil as mesmas quatro versões oferecidas na Europa: CRF 1100L Africa Twin e CRF 1100L Africa Twin Adventure Tours, cada uma com câmbio manual ou com DCT. Por lá, o câmbio acrescenta ao preço do modelo cerca de 1 mil euros aproximadamente R$ 6 mil. A mudança do motor na Europa foi com o intuito de adequar as emissões de gases e ruídos com o padrão Euro 5, e ficou com uma potência muito semelhante ao propulsor antigo, com 102 cv de potência e 10,7 kgfm de torque. Como há diferenças na avaliação de emissões sonoras, por conta do método de coleta utilizado no Brasil, pode ser que a Africa Twin não consiga oferecer essa mesma potência na versão produzida em Manaus. Junto com o novo motor, a Africa Twin ganhou lá fora um novo painel em TFT com 6,5 polegadas, amortecedores Showa e freios da Brembo.
A grande vantagem do câmbio DCT, segundo a Honda, é oferecer o conforto de um câmbio automático juntamente com um ganho no desempenho, por não haver perda na aceleração nas mudanças de marcha algo semelhante do que acontece com o sistema quick shift, muito usado em superesportivas  , mas além de não ter de acionar a embreagem, não é preciso também usar a alavanca de câmbio. A lógica de funcionamento é parecida com a de câmbios de dupla embreagem usados em automóveis. Uma das embreagens controla as engrenagens referentes às marchas ímpares (1ª, 3ª e 5ª), enquanto a outra age sobre as marchas pares (2ª, 4ª e 6ª). A diferença básica é que, pelo fato de a caixa ser bem mais compacta, o sistema não pré-engata a marcha superior, como acontece nos carros quando a 3ª está sendo usada, a 4ª já está engatada, o que economiza alguns milissegundos na troca. No DCT da Honda, o engate é feito no momento da troca.
Como não tem embreagem manual, o sistema desconecta o câmbio coloca em neutro   quando o motor é desligado. Dessa forma, não há como imobilizar a moto engatando uma marcha, como ocorre com motos de câmbio manual. Por isso, onde normalmente estaria a embreagem a Africa Twin traz uma alavanca de freio de estacionamento, que é afastada o suficiente do guidão para não ser acionada por engano. A transmissão também conta como um modo de mudanças manuais de marcham com um botão à frente e outro atrás do comando do punho esquerdo, para subir e descer as marchas. Em todos os modelos, o DCT oferece a tecla S, de Sport, que altera o padrão de troca de marcha para apimentar o desempenho. A Africa Twin DCT traz ainda a tecla G (de ground, ou terra), que altera o comportamento do câmbio para um comportamento mais específico no off-road.

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