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Variedades Terça-feira, 08 de Setembro de 2015, 00:00 - A | A

08 de Setembro de 2015, 00h:00 - A | A

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Sob os holofotes

Jornal Mato Grosso do Norte



por Anna Bittencourt TV Press

Giovanna Antonelli está habituada a personagens fortes. No currículo da atriz, entre mocinhas e vilãs, papéis centrais ou não, ela sempre acaba se destacando. Por isso, em "A Regra do Jogo", as expectativas são as melhores para Atena, sua personagem. Os motivos são muitos. Além do reencontro com Alexandre Nero, com quem contracenou em "Salve Jorge", Giovanna volta a participar de uma trama de João Emanuel Carneiro, que escreveu a inescrupulosa vilã Bárbara de "Da Cor do Pecado" para a atriz. "Voltar a fazer um texto do João depois de dez anos, com a direção da Amora Mautner, ao lado do Nero e de outros tantos excelentes atores é realmente tudo que eu queria para esse momento", diz, em tom de excitação. O sucesso de "Avenida Brasil", última novela do autor, não chega a assustá-la. "Acho que as histórias e as pessoas são únicas. Ele não é de se repetir. Ele conta a trama de uma forma rica, cheia de ganchos. Aguça a curiosidade, tanto do público quanto a nossa", afirma a atriz, que de forma modesta rechaça a fama de estar sempre em evidência, independentemente do tamanho de seu papel. "Não penso nisso. Sou uma atriz dedicada, dou meu melhor sempre. Mas acho que as histórias são muito justas e bem divididas. Tem espaço para todo mundo", garante.

      Apesar de exaltar os reencontros, eles não são o único motivo para a empolgação de Giovanna. É que, pela primeira vez, ela interpreta uma personagem dúbia. Na atual novela das nove, Atena é do tipo que faz tudo para se dar bem. "É uma 171 de carteirinha, mas é doce, divertida", derrete-se. Sempre atrás de bons golpes para sustentar sua vida de luxo, a personagem leva a vida de forma leve. Dona de um passado miserável, Francineide – seu nome de batismo – dissimula, clona cartões e enrola quem estiver na sua frente. "Fazer o novo é sempre muito gostoso. E eu nunca estive na pele de uma personagem com tantas tintas. Ela tem o lado Francineide, o lado Atena, muitos altos e baixos", conta. Para assumir tantas facetas, foi preciso um longo processo de composição. "Sou muito caxias. Faço anotações, dou sugestões, peço sugestões, observo muito", afirma.

      É claro que, para conseguir o que quer com seus golpes, Atena "usa e abusa" da sedução. Atrás de enrolar Romero, de Alexandre Nero, ela entra em um triângulo amoroso com ele e Tóia, interpretada por Vanessa Giácomo. Mas, segundo Giovanna, as relações amorosas não são o foco de sua personagem. "O negócio dela é dinheiro", define, aos risos. O humor também foi parte fundamental do processo de construção do papel. "Sou bem humorada. Acabo levando isso sempre para as minhas personagens. E acho que nela cabe muito bem. Ela é amoral, fala tudo o que pensa. Para mim, tem sido um escape e tanto me livrar de filtros", diverte-se.

      Além da parte interna de construção da personagem, Giovanna se preocupa muito com o que mostrar do lado de fora de seus trabalhos. Por isso, tudo que exibe em cena acaba virando tendência e item requisitado. Foi assim com o cabelo platinado e curto de Bárbara, em "Da Cor do Pecado", com as capas de celular da delegada Helô, em "Salve Jorge", e com os "bodies" decotados de Clara, de "Em Família". "Gosto dessa coisa de trazer tendências e não vai ser diferente com Atena", promete, dizendo que os acessórios de sua personagem foram escolhidos com cuidado. "Ela traz uma moda muito particular e cheia de personalidade. Como Atena tem muitas facetas, todas as mulheres vão se reconhecer em algum momento nela", espera. Para incorporar o papel, Giovanna optou por clarear os cabelos. "Foi uma decisão conjunta entre mim, a direção e a caracterização. O João Emanuel gosta de vilãs louras, né? Achamos que ela tinha que ir pelo mesmo caminho", garante, com bom humor. Mudar o visual, para a atriz, é fundamental para "encontrar" suas personagens. "Me ajuda a compor 50%. Sempre vejo o lado externo na hora de interiorizar os papéis", define.

               

Túnel do tempo

      Natural do Rio de Janeiro, Giovanna Antonelli fez sua estreia na dramaturgia em "Tropicaliente", com 18 anos. Hoje, aos 39, ela está em sua 16ª novela. Com tantos personagens marcantes, a atriz destaca Capitu, a prostituta de "Laços de Família", exibida pela Globo em 2000, como um marco em sua carreira. "Foi meu primeiro encontro com o Manoel Carlos e realmente mudou a forma como eu via a carreira e como passei a ser vista. Foi um divisor de águas", jura. Depois disso, Giovanna já esteve em outras tramas do autor, como "Viver a Vida" e "Em Família".

 

Instantâneas

# Em outubro deste ano, Giovanna protagoniza o longa "S.O.S. Mulheres ao Mar 2", ao lado de Reynaldo Gianecchini, Fabiula Nascimento e Thalita Carauta.

# A parceria de Giovanna e Gianecchini vai além das novelas e filmes. Os dois são sócios de um restaurante de comida orgânica no Rio de Janeiro.

# Conciliar novela, cinema e sua porção empresária é fruto de um extenso planejamento da atriz. "Há dez anos venho batalhando pelas coisas que tenho hoje. Foi tudo pensado e esquematizado", jura.

# Antes de estrear em "Tropicaliente", Giovanna foi assistente de palco do programa "Clube da Criança", apresentado por Angélica em 1991.

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