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Artigo Quarta-feira, 28 de Setembro de 2022, 07:44 - A | A

28 de Setembro de 2022, 07h:44 - A | A

Artigo / Medicação

A medicação sem dano e a segurança do paciente

Acredita-se que o custo relacionado a erros de medicação está estimado em cerca de 42 bilhões de dólares ao ano



Natasha Slhessarenko

No dia 17 de setembro de 2022 é comemorado o Dia Mundial da Segurança do Paciente, data foi criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). São três desafios globais envolvendo a segurança do paciente. O primeiro é a prevenção da infecção relacionada à saúde, o segundo são cirurgias mais seguras e o terceiro é a medicação sem dano.   De tão importante que é o tema, este ano a OMS traz como desafio a “medicação sem dano”, alertando para as práticas de medicação insegura e erros de medicação, que são as principais causas de lesão e danos evitáveis no sistema de saúde no mundo todo.  

Uma coisa é automedicação e outra coisa é a segurança da medicação, tanto no hospital quanto em casa ou unidade de saúde

Acredita-se que o custo relacionado a erros de medicação está estimado em cerca de 42 bilhões de dólares ao ano, e os erros podem acontecer em diferentes etapas, desde a hora da prescrição à hora da administração da medicação.   Esses erros acontecem quando os sistemas de medicação são fracos ou inconsistentes ou por fatores humanos como fadiga, mal-estar, cansaço, condições ruins de trabalho ou falta de pessoal. Tudo isso pode afetar a prescrição, a dispensação, administração e monitoramento, o que pode resultar em danos graves.  

Para termos uma ideia, a meta da OMS é reduzir em 50% os danos da automedicação, que é a terceira causa de eventos adversos, podendo ser de natureza muito grave.   Mas, quais são os danos representados pela automedicação? Uma coisa é automedicação e outra coisa é a segurança da medicação, tanto no hospital quanto em casa ou unidade de saúde. Em ambos os casos, todos os cuidados envolvendo a segurança do paciente devem ser tomados.  

Cuidados como checar o nome do paciente, a medicação, dose e intervalo adequados, e também é importante fazer com que o paciente repita o nome do medicamento que ele está usando.   A automedicação também é muito grave porque ela pode ter consequências extremamente deletérias.

Os efeitos adversos da medicação são muito grandes, a começar por intoxicação, dependência, alergia, pode interferir com outros medicamentos que o paciente já toma, potencializando ou minimizando o efeito.   Pode ainda esconder doenças, pois se o paciente está sentindo alguma dor, ele toma o remédio e melhora dessa dor, mas pode ser algo grave.   Daí a importância de falarmos sobre a automedicação, que aqui no Brasil é cultural. Você vai na farmácia e compra o remédio, você acaba tomando o remédio que algum familiar tomou e deu certo pra ele, sem contar que muitas vezes o acesso de saúde é complicado, e muitas vezes o paciente acaba comprando a medicação sem prescrição.

Os medicamentos que mais estão na lista da automedicação são analgésicos, antitérmicos e anti-inflamatórios.   Lembrando que os antibióticos quando tomados sem um critério podem ser extremamente perigosos. Além dos efeitos adversos, eles mudam toda a flora intestinal, podem causar gastrite, e também resistência bacteriana onde as bactérias ficam mais resistentes aos antibióticos.   Já os anti-inflamatórios podem levar a insuficiência renal se usados com frequência e sem uma orientação médica.

Por fim, vale reforçar que a maioria dos danos relacionados à medicação podem ser prevenidos com a adoção de práticas de segurança em todo o ciclo do uso de medicamentos nos serviços de saúde.

Natasha Slhessarenko é pediatra e patologista, coordenadora da Câmara Técnica de Segurança do Paciente do Conselho Federal de Medicina (CFM) e diretora da Clínica Vida

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