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Artigo Segunda-feira, 09 de Dezembro de 2019, 00:00 - A | A

09 de Dezembro de 2019, 00h:00 - A | A

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Aumento do preço da carne



Amado de Oliveira 

A carne bovina, em um período curto de tempo, vem tendo seus preços aumentados, gerando um alvoroço em torno do assunto. Desta forma, é necessário esclarecer os principais motivos que provocaram este raro fenômeno que vem ocupando grande espaço na mídia.
Para a perfeita compreensão do assunto, é salutar esclarecer todas as nuances de o porquê da elevação do valor da arroba do boi que, de antemão já alertamos, não é o principal fator de elevação dos preços da carne bovina aos consumidores finais.
Uma das primeiras razões é variação cambial do dólar norte-americano, batendo sucessivos recordes de aumentos. Nestes patamares a indústria consegue aumentar suas exportações para diversos países, inclusive para a China, tanto lembrada nestes últimos meses. Porém, o Brasil exporta para mais de 100 países.
Em números, os resultados foram que de janeiro a outubro deste ano o Brasil exportou 1.464 milhão de toneladas de carne, com aumento de 9,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Estas vendas renderam ao Brasil US$ 5.776 bilhões, um aumento de 7,5% também em relação ao ano anterior.
Por outro lado, além do aumento das exportações o mercado interno, por várias razões, tem aumentado o consumo. Isto se dá em função da expansão dos meios de pagamento que representam os depósitos bancários a vista e o volume de moedas em poder da população.
Esta expansão veio através da liberação de parte do FGTS pelo governo federal. Até o ultimo 26 de outubro já haviam sido liberados R$ 16,9 bilhões de um total estimado de R$ 40,0 bilhões. Sem sombras de dúvidas, este dinheiro foi para o consumo. Nenhuma crítica à medida, afinal o dinheiro do FGTS é do trabalhador!
Teremos ainda o impacto de aumento de consumo no mercado interno pelo pagamento aos trabalhadores e funcionários públicos em 30 de novembro da primeira parcela do 13º salário e a última parcela antes do Natal.

Se não bastasse o aumento de consumo via exportação e aumento no mercado interno, reduziu-se a oferta de animais prontos para o abate. Isto em função do longo ciclo de seca em todo o Brasil e ainda pelo ciclo da pecuária que se verifica em razão do baixo preço de bezerros que obriga os produtores a abater matrizes para que, num momento seguinte, o segmento produtivo de cria seja melhor remunerado.

Outros fatores que concorrem para o aumento do preço da carne bovina são os elevados custos de produção e industrialização. Apenas para exemplificar, o insumo energia elétrica aumentou em 3 anos algo em torno de 60% para a indústria, além de os estados aumentarem seus impostos e taxas. Portanto, por tudo o que se demonstrou acima, fica claro que a matéria-prima, o boi, não é o responsável pelo aumento de preços da carne.
Outro aspecto de relevada importância para a compreensão do assunto se refere às margens de lucro dos agentes que compõem a cadeia da carne bovina onde a evolução dos preços pagos aos produtores de outubro de 2009 a outubro de 2019, segundo o Imea, foi da ordem de 194%, para os frigoríficos 234% e para os varejistas 335%.
Estas variações de aumento da cadeia da carne podem ser traduzidas da seguinte forma: para a carne bovina comercializada em Mato Grosso em novembro deste ano, primeiro os pecuaristas receberam em média R$ 11,07 por kg de boi vendido para os frigoríficos. Estes venderam para os varejistas (supermercados, redes de atacadistas e açougues) o quilo de carne em média a R$ 13,52 e os varejistas venderam para o consumidor final a R$ 22,70 o quilo. Portanto, da fazenda ao prato, os preços foram elevados em 105%.
Quanto ao aumento da arroba do boi, vimos que não é um movimento altista passageiro. Na verdade se trata de um realinhamento de preços para manter o equilíbrio econômico e financeiro da atividade. Isto era extremamente necessário, pois o setor vem se descapitalizando nos últimos 10 anos.
 
Amado de Oliveira Filho é economista, especialista em mercados de commodities agropecuárias e direito ambiental e desenvolvimento sustentável e atualmente é consultor da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat).

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