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Atualidades Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2015, 00:00 - A | A

26 de Janeiro de 2015, 00h:00 - A | A

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Causa de incêndio pode ter sido revolta por más condições de trabalho



Ministério Público do Trabalho via investigar possíveis irregularidades trabalhistas

As causas do incêndio que destruiu o barracão de alojamento da usina hidrelétrica São Manoel, em Paranaíta, na última quarta-feira, 21, estão sendo investigado pela Polícia Civil. O delegado Marcos César Farias Lira afirmou ter ido até o local na quinta-feira, 22,  para verificar a situação e colher as primeiras informações. Existe a suspeita de que o incêndio seria criminoso, de acordo com o delegado. No entanto, a suspeita ainda não foi confirmada.

Ministério Público do Trabalho (MPT) foi acionado após denúncia de irregularidades trabalhistas. Uma das causas do fato teria sido um protesto por parte dos trabalhadores. No entanto, por meio de nota, a Constran informou que após o incêndio a empresa acionou a PM de Alta Floresta e alegou que não houve protesto ou manifestação por parte dos trabalhadores da obra.

Marcos César Farias Lira disse que não houve consenso sobre o que teria causado o incêndio. "Algumas pessoas disseram que seria criminoso, outras que seria um acidente", disse . Segundo ele, o material usado para o alojamento dos funcionários é altamente inflamável. No local, existem vários barracões e só um deles foi queimado.

Conforme informações obtidas por Mato Grosso do Norte, muitos trabalhadores estão reclamando das condições de trabalho no canteiro de obras da usina, que seriam precárias, em sem nenhum conforto.  Mais de 50 trabalhadores ocupam um único dormitório de lona e de camas improvisadas.  Não existe um local adequado para os trabalhadores guardar as roupas molhadas, usadas no período de trabalho. As quais ficariam jogadas em cima das próprias camas. 

Outra informação obtida por uma fonte de Mato Grosso do Norte é quem diretores da empresa Constram, chegou a fazer ameaças aos funcionários para que eles não revelassem as causas do incêndio e não falassem nada sobre as condições de trabalho no canteiro de obras da usina São Manoel.

Por outro lado, os procuradores do Trabalho, Marcel Bianchini Trentin e Jéssica Marcela Schneider, foram até o local para averiguar denúncia de supostas irregularidades trabalhistas.

 “Pudemos verificar que o incêndio se deu em um barracão onde eram armazenados produtos e equipamentos em geral, e não em um alojamento de trabalhadores. Verificamos, ainda, que estava sendo cumprida a rotina normal de trabalho, sem protestos ou greve. Também visitamos o ambulatório para saber se houve algum atendimento em razão do incêndio, mas os profissionais negaram qualquer problema de saúde envolvendo os trabalhadores”, relatou Trentin.

 Procurador disse que a equipe foi recebida pelos administradores da Constran, responsável pela obra. Após ouvir os empregados e a empresa, ainda não é possível determinar a causa do incidente.

"O que nos foi passado por trabalhadores e pelo próprio pessoal da construtora é que o incêndio teria sido causado por algum trabalhador ou grupo de trabalhadores, como forma de protesto. Mas, ainda  não se tem certeza do que ou de quem causou o incêndio”, observou.

Trentin declarou que o MPT vai investigar as condições de trabalho oferecidas aos empregados. “Em conversa com diversos trabalhadores no local, o que foi informado, de maneira bem tímida, é que suposta reivindicação teria sido causada por problemas com o cartão de vale-alimentação. Mas, em geral, todos os trabalhadores entrevistados no local afirmaram trabalhar em boas condições. Mesmo assim, os documentos que comprovam a regularidade trabalhista na obra serão requisitados pela Procuradoria do Trabalho em Alta Floresta”, assegurou.

 A usina São Manoel está sendo construída no Rio Teles Pires com recursos do PAC 2, devendo custar mais de R$ 2 bilhões.De acordo com o Ministério Público, a construção da usina no rio Teles Pires atinge povos das etnias Kayabi, Munduruku e Apiaká, além de índios que vivem em isolamento

Reportagem MT Norte

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