Domingo, 19 de Maio de 2024

Carros Sexta-feira, 02 de Dezembro de 2022, 09:17 - A | A

02 de Dezembro de 2022, 09h:17 - A | A

Carros / Citroën C3

Linha de sedução

Citroën C3 Feel Pack tem espaço, visual e preço, mas oferece apenas os equipamentos essenciais



por Eduardo Rocha
Auto Press

Quando sofreu o reposicionamento de mercado em 2015, ainda no Grupo PSA, houve uma mudança de personalidade da Citroën. A marca do “double chevron” teve esvaziada sua característica de requinte, que era forte a ponto que gerar a marca de luxo DS, e foi empurrada para um conceito mais despojado e criativo. A partir daí, os projetos da marca realmente passaram a ser menos luxuosos, mas se diferenciaram da multidão de modelos que povoam as concessionárias de outros fabricantes.

No Brasil, os dois modelos produzidos em Porto Real, no Sul Fluminense, servem de exemplo. O C4 Cactus consegue ser um SUV de visual sui generis e proposta de uso do espaço interno mais racional. E o compacto C3 seguiu o mesmo caminho. Embora não seja tão original quanto o Cactus, se destaca por adotar elementos que o posicionam com um SUV pequeno – menor que os SUVs compactos, mas bem mais espaçoso que os hatches compactos.

Outro ponto de diferenciação do C3 é o preço: a partir de R$ 69.990, 5% acima de subcompactos como Renault Kwid e Fiat Mobi, mas cerca de 10% abaixo dos hatches compactos com conteúdo semelhante. Essa estratégia permeia toda a gama até as configurações mais completas, como a versão avaliada Feel Pack, que custa R$ 98.090 já com pintura em duas cores – opcional que acrescenta R$ 2.100.

Essa vantagem competitiva oferecida pela tabela vem se refletindo favoravelmente nas vendas do modelo. Em outubro, primeiro mês com a curva de produção no ritmo previsto, foram emplacadas 2.620 unidades, centro do alvo no lançamento. Sozinho, o C3 vendeu neste primeiro mês 50% mais do que tudo que a marca vendeu mensalmente este ano. Ou seja: voltou realmente ao mercado.

A versão Feel Pack traz os equipamentos mínimos esperados para a categoria. Ele traz rodas de liga leve, ar-condicionado analógico, luzes diurnas em led, câmera de ré, computador de bordo, faróis de neblina, vidros, travas e espelhos elétricos e volante multifuncional com revestimento em couro.

As partes mais tecnológicas do C3 são o painel com visor de TFT com 3,5 polegadas, que exibe o velocímetro digital e os dados do computador de bordo, e a central multimídia com tela sensível ao toque de 10 polegadas, com Android Auto e Apple CarPlay por conexão sem fio. O modelo não conta, no entanto, com carregador por indução, que é um complemento lógico para espelhamento wireless.

Apesar de ter sido desenvolvido recentemente e contar com uma plataforma bem atual, a EMP1, os recursos do C3 não são dos mais modernos. Os itens de segurança relevantes se limitam aos itens obrigatórios, como airbag duplo e controle de estabilidade e tração. Mesmo contando com um câmbio automático de seis marchas com modo sequencial, o C3 não conta com controle de cruzeiro.

Esse câmbio gerencia o motor 1.6 16V aspirado. Trata-se do propulsor EC5, um projeto original de 1986 que vem sendo reengenheirado e modernizado nesses últimos 35 anos. É um motor robusto, mas de conceito antigo. Tanto que ele rende, com gasolina/etanol, 113/120 cv a 6 mil rpm e 15,4/15,7 kgfm a 4.250 giros. Rotações muito altas para serem exploradas no uso normal.

 

Ponto a ponto

Desempenho – O conhecido motor 1.6 16V foi retrabalhado para se adequar às normas do Proconve L7. O resultado é que ele ganhou 2 cv com etanol, perdeu também 2 cv com gasolina e rende agora entre 113 e 120 cv. Trata-se do mesmo conjunto usado no Peugeot 208, mas aqui a Citroën dá preferência a uma dinâmica mais vigorosa e usa uma relação de diferencial mais curta. Na prática, o C3 mostra agilidade e um ganho de velocidade bem consistente. Tanto que faz de zero a 100 km/h em 10,4 e 11 segundos, com gasolina e etanol, quase 2 segundos mais rápido que o 208. Por outro, a máxima fica 10 km/h abaixo, em 180 km/h. Um efeito colateral disso é o consumo um pouco mais alto, mas para o uso cotidiano, o carro fica mais agradável. Nota 8.

Estabilidade – A Citroën se preocupou com a robustez da suspensão, até para reverter a imagem de fragilidade que a marca carrega. Com isso, o C3 tem uma boa altura livre para o solo e tem um acerto de suspensão mais rígido, que controla bem a carroceria, mas rouba parte do conforto dos ocupantes. Os pneus 195/60 R15, com flanco de 11,7 cm, ajuda a enfrentar os desníveis e irregularidades, mas tira a precisão da direção – que é elétrica e muito leve. Nota 8.

Interatividade – O grande trunfo do C3 é a central multimídia Uconnect, com tela de 10 polegadas e conexão sem cabo, que domina completamente o console frontal e é bastante funcional. O monitor fica em posição elevada para facilitar a visualização, mas não traz botões, o que é compensado parcialmente pelos comandos no volante. O painel digital tem um visor pequeno e é um tanto simples – não traz sequer conta-giros. A navegação pelo computador de bordo é através de uma haste no volante, mas não oferece muitos dados. Nas manobras, há apenas a câmera de ré, sem sensor de obstáculos. Também não há controle de cruzeiro (apesar de o câmbio ser automático), sensor de luz e chuva ou quaisquer recursos de assistência à condução. Nota 6.

Consumo – É aqui que os mapeamentos bem diferentes para etanol e gasolina e a opção por uma relação final mais curta cobram por seus serviços. O novo C3 cumpriu médias de 7,2 e 8,5 km/l com etanol na cidade e na estrada. Com gasolina, os números ficaram em 10,3 e 12,4 km/l. Ou seja: um rendimento 45% maior. As notas ficaram em C na categoria e C no geral. Nota 6.

Conforto – O C3 tem bancos firmes e ergonômicos, mas não muito confortáveis. O interior, no entanto, é bem espaçoso e o teto alto reforça a sensação de amplitude. A suspensão filtra as pequenas irregularidades, mas transfere para os ocupantes os desníveis maiores. Mas, porém, é aceitável em um carro que pretende ter uma “atitude SUV”, como diz a propaganda. Mas o maior problema é o isolamento acústico deficiente da cabine. Os sons externos entram de forma tão incisiva que chegam a atrapalhar as conversas em tom normal de voz. Nota 7.

Tecnologia – Apesar da plataforma moderna, o projeto do C3 focou mais no baixo custo que na atualidade do projeto. Não há recursos adicionais de segurança além dos obrigatórios por lei. O motor é conceitualmente antigo e apesar de ter sido modernizado, é pouco eficiente no consumo e na dinâmica. Os itens de conforto são poucos: trio, ar analógico, câmera de ré e só. O que salva é a central multimídia Uconnect, com tela de 10 polegadas e espelhamento sem cabo. Nota 7.

Habitabilidade – Este é um dos pontos altos do C3. A boa altura da cabine permite uma postura mais ereta dos ocupantes, o que melhora o aproveitamento longitudinal do espaço. Cabeças e pernas têm boa área de movimentação. Já em relação à largura, não há mágica: trata-se de um compacto. Dois passageiros no banco traseiro vão muito bem, mas um terceiro elemento ali só deve ser instalado em percursos curtos. O acesso ao interior é facilitado pela altura do modelo e o porta-malas é excelente para a categoria, com 315 litros. Nota 9.

Acabamento – Apesar do bom gosto no design e nas texturas dos painéis internos – como a guarnição do console frontal em azul ‑, a qualidade dos materiais deixa a desejar. Simplesmente só há superfícies rígidas, com encaixes pouco refinados. Os bancos são revestidos com tecidos pouco agradáveis ao tato e nada atraentes visualmente. O pior é que nada parece malfeito, é apenas o novo conceito da Citroën, que impõe despojamento, embora no C3 parece ter havido um certo exagero. Nota 6.

Design – O C3 tem linhas atraentes, com uma proporção entre os volumes e soluções estéticas que o diferencia da multidão de compactos no Brasil, ao mesmo tempo em que mantém os elementos visuais da marca. A frente traz os faróis a meia altura no para-choque, enquanto as luzes em led no limite do capô são interligadas pelo “double chevron” estilizado. Como é altinho, parece ser menor do que é e ganha um aspecto “fofo”. Nota 8.

Custo/benefício – O C3 tem a função de aumentar a participação da Citroën no mercado brasileiro. E um dos principais elementos para isso é o preço. Para isso, baixou o custo como pôde e economizou nas tecnologias e nos equipamentos, instalando apenas o que é considerado imprescindível no segmento de hatches. Por conta disso, o C3 leva clara vantagem no confronto com outros compactos. Nota 8.

Total – O Citroën C3 Feel Pack somou 73 pontos em 100 possíveis.

 

Impressões ao dirigir
Aposta na essência

As proporções do Citroën C3 criam a impressão que ele é menor do que é. O SUV pequeno da marca francesa é quase tão alto quanto largo e tem o comprimento de um hatch compacto. Mais que um visual robusto, essa arquitetura gera um excelente espaço interno, tanto para os passageiros quanto para bagagem. Ele tem o mesmo entre-eixos de 2,54 metros do Peugeot 208, com quem divide a plataforma, mas a cabine é bem mais ampla por conta da altura.

O interior é marcado pela simplicidade e funcionalidade. Os materiais usados explicitam a preocupação da marca em controlar os custos de produção. Com exceção dos bancos, todos os revestimentos são em plástico rígido. No console, há poucos comandos, o que é um reflexo do pequeno número de equipamentos. O modelo conta apenas com o essencial: trio elétrico, ar-condicionado analógico e central multimídia, que é a estrela da companhia. Trata-se do sistema Uconnect com uma vistosa tela de 10 polegadas instaladas no centro do tablier.

Além da estrutura, outra similaridade entre os dois modelos da antiga PSA, hoje parte do Grupo Stellantis, é o motor 1.6 16V aspirado. No retrabalho recente, feito para adequar as emissões para o Proconve L7, a engenharia da Stellantis se decidiu por um mapeamento mais restrito para a gasolina, que gera mais emissões de CO2, e mais agressivo para etanol. Daí a diferença de potência com um e outro combustível ter aumentado. Era 115/118 cv e agora ficou em 113/120 cv. Isso também se reflete no consumo, com uma eficiência bem maior com o combustível fóssil – seria preciso que a gasolina custasse 45% mais que o etanol para igualar os custos.

Essa lógica de mapeamento torna o compacto da Citroën um pouco mais disposto com o combustível vegetal no tanque, mas seja qual for o combustível, o C3 só mostra mais agilidade a partir dos 3 mil giros. Como as marchas baixas são bem curtas, as arrancadas apresentam algum vigor, o que permite transitar bem no ambiente urbano. Já na estrada, para ter mais ímpeto nas retomadas, o melhor é recorrer ao kick down ou mesmo reduzir diretamente na alavanca de marcha.

 

Ficha técnica
Citroën C3 Fell Pack 1.6 16V flex

Motor: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.587 cm³, quatro cilindros em linha, comando duplo de válvulas no cabeçote, quatro válvulas por cilindro e comando variável de válvulas na admissão. Injeção eletrônica multiponto sequencial e acelerador eletrônico.

Potência máxima: 120 cv e 113 cv a 6 mil rpm com etanol e gasolina.

Torque máximo: 15,7 kgfm a 4.500 rpm e 15,4 kgfm a 4.250 rpm com etanol e gasolina.

Transmissão: Automática de seis velocidades a frente e uma a ré. Tração dianteira.

Aceleração 0-100 km/h: 10,4 e 11,0 segundos com etanol e gasolina.

Velocidade máxima: 180 km/h com etanol e gasolina.

Diâmetro e curso: 78,5 mm X 82 mm. Taxa de compressão: 11,0:1

Suspensão: Dianteira do tipo McPherson independente com barra estabilizadora, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos telescópicos pressurizados a gás. Traseira com travessa deformável, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos telescópicos pressurizados a gás.

Pneus: 195/60 R15.

Freios: A disco ventilado na frente e tambor na traseira com ABS e EBD.

Carroceria: Hatch em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 3,98 metros de comprimento, 1,73 m de largura, 1,60 m de altura e 2,54 m de distância entre-eixos. Altura mínima do solo de 18 cm. Oferece airbags frontais obrigatórios.

Peso: 1.152 kg.

Capacidade do porta-malas: 315 litros.

Tanque de combustível: 47 litros.

Produção: Porto Real, Brasil.

Lançamento mundial: Julho de 2022 (Índia).

Lançamento no Brasil: Setembro de 2022.

Preço da versão Fell Pack: R$ 95.990.

Opcional: Pintura em duas cores.

Preço da versão testada: R$ 98.090. 

Álbum de fotos

Foto: Eduardo Rocha/Auto Press

Foto: Eduardo Rocha/Auto Press

Foto: Eduardo Rocha/Auto Press

Foto: Eduardo Rocha/Auto Press

Foto: Eduardo Rocha/Auto Press

Foto: Eduardo Rocha/Auto Press

Foto: Eduardo Rocha/Auto Press

Foto: Eduardo Rocha/Auto Press

Foto: Eduardo Rocha/Auto Press

Foto: Eduardo Rocha/Auto Press

Comente esta notícia

Rua Ivandelina Rosa Nazário (H-6), 97 - Setor Industrial - Centro - Alta Floresta - 78.580-000 - MT

(66) 3521-6406

[email protected]