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Carros Segunda-feira, 16 de Março de 2026, 14:33 - A | A

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Carros / Onix Plus

Mudar para manter

Onix Plus encara atualização para resistir na liderança



Eduardo Rocha Auto Press                

Desde que foi lançado, em 2019, o Onix Plus é um fenômeno. Nos últimos seis anos de mercado, o sedã compacto sempre se manteve na liderança. E mesmo sendo um segmento que vem perdendo espaço no Brasil, o modelo mantém bons números. No ano passado, emplacou exatas 52.958 unidades, 40% a mais que o segundo colocado, o Volkswagen Virtus. Ainda assim, a General Motors, dona da Chevrolet, resolveu atualizar o modelo. Nesse processo, mexeu o mínimo possível para não estragar a fórmula de sucesso. E isso se aplica também à política de preços. Com uma distância relativamente pequena entre a configuração mais barata – 1.0 MT a R$ 108. 890 – e a mais cara – a avaliada Premier por R$ 139.390 –, o Onix Plus explicita aí um dos segredos do sucesso: uma relação custo/benefício extremamente favorável.        

Na parte estética, não havia muito o que fazer, pois é um modelo com design bem-nascido. De qualquer forma, até para marca a mudança, o modelo recebeu uns retoques. O conjunto ótico dianteiro foi refilado e a barra horizontal da grade, característica da marca, agora é cromada e se prolonga sob os faróis. Nas versões LTZ e Premier, o farol recebe uma linha em led na cor laranja, para acompanhar os faróis também em led. Nas versões de entrada, os faróis são de dupla parábola. O para-choque foi redesenhado para acomodar a nova grade inferior, que deixa de ser hexagonal para tornar a forma de um trapézio. Na traseira, as lanternas mantiveram os compartimentos internos, mas ganharam uma lente cristal mais projetada, e o para-choque traz arestas mais definidas.             

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A maior mudança do novo Onix, no entanto, foi por dentro. O modelo adotou o mesmo conceito de console digital frontal único iniciado com o lançamento da picape Montana e que já está presente também no Tracker. Painel digital de 8 polegadas e central multimídia de 11 polegadas se aglutinam em uma mesma moldura, que coloca todas as informações visuais na linha dos olhos do condutor. A chegada do chamado cockpit virtual mudou todo o desenho do console, com o tablier dividido por linhas horizontais e saídas de ar mais estreitas.                

Na parte mecânica, o modelo também passou por uma pequena reengenharia. Nessa nova calibração, o modelo abriu mão de 0,5 cv – agora tem 115,5 cv – para ganhar em eficiência, com um consumo médio 2% menor. Embora não tenha sido suficiente para melhorar a nota no InMetro – se manteve B a categoria e C no geral -, a busca foi também por uma condução mais suave, com acelerações mais progressivas. O torque não se alterou: 16,3/16,8 kgfm com gasolina e etanol. O câmbio automático de seis marchas é o único disponível na versão Premier.  

Ponto a ponto  

Desempenho – O Onix Plus sempre foi um carro ágil, fruto da combinação de baixo peso de carroceria e bom torque – são 1.117 kg para 16,3/16,8 kgfm já aos 2 mil giros. Mesmo abaixo dessa rotação, no entanto, o motor já está razoavelmente acordado. Nessa atualização para a linha 2026, o motor 1.0 turbo de três cilindros e o câmbio automático de seis marchas continuam com bom diálogo, com boa progressividade – o que dispensa recorrer ao desajeitado botão de mudanças sequenciais na alavanca de câmbio. A novidade aqui é que o propulsor agora trabalha de forma mais suave, sem aquela rascância caracterizava o motor desde sua estreia. Nota 9.

Estabilidade – A suspensão do Onix Plus tem a composição clássica para carros nas faixas mais acessíveis do mercado, com McPherson na frente e eixo de torção atrás. E aqui foi levado em conta mais a robustez que a maciez, mas reage bem às irregularidades. Nas curvas, a rolagem lateral é muito controlada e a direção é firme e direta, embora pese um pouco nas manobras. Nota 8.

Interatividade – A maior novidade da linha Onix foi adotar o conjunto de painel e central multimídia integrados. A mudança não representou um ganhou em relação a recursos, mas manteve a velha eficiência e torna tudo mais agradável a bordo. O modelo traz diversos equipamentos que o colocam na vanguarda do segmento, como estacionamento semiautomático, chave presencial, carregador por indução, espelhamento de celular. Faltam itens ADAS, presentes em rivais como Virtus, Hyundai HB20S e Honda City sedã. Conta apenas com sensor de ponto cego. Nota 7.

Consumo – A nova calibragem do motor do Onix Plus reduziu o consumo efetivamente, mas de forma discreta. Os dados do Programa de Etiquetagem Veicular aferidos pelo InMetro apontam para um consumo em estrada de 11,2 e 16,0 km/l e na cidade de 8,5 e 12,2 km/l, com etanol e gasolina. São melhores que as do modelo do ano anterior, mas não suficiente para mudar a classificação B na categoria e C no geral. Nota 7.

Conforto – A suspensão do Onix Plus é firme, mas consegue amortecer uma boa parte das irregularidades do piso. Os bancos têm ergonomia correta, mas não dão suporte integral no encosto, que são finos, o que provoca cansaço em trajetos demorados. O isolamento acústico melhorou um pouco, mas os ruídos ainda invadem o habitáculo. Nota 6.

Tecnologia – Os parâmetros básicos do Onix Plus ainda estão atuais, com uma plataforma leve e rígida animada por um motor turbo pequeno e elástico. A arquitetura eletrônica não foi atualizada e como a tecnologia anda muito rápido, já há sinais de defasagem – como a ausência de recursos ADAS, mesmo de alguns que passaram a ser obrigatórios em pouco tempo – caso de frenagem automática de emergência, que já é obrigatória para novas homologações desde janeiro e para todos os veículos zero-quilômetro em 2029. Nota 7.

Habitabilidade – O Onix Plus tem um bom entre-eixos, de 260 m, que se converte em conforto para os ocupantes. Quatro adultos têm boa área para pernas e cabeça e o habitáculo traz diversos nichos e porta-trecos nas portas, apoio de braços e porta-malas com capacidade de 469 litros. Nota 8.

Acabamento – O Onix Plus não foge à regra do segmento em que atua. Os materiais de contato direto são aparentemente resistentes, mas sem luxo. O revestimento dos bancos é chamado de híbrido, já que traz parte em couro sintético, parte em tecido. A versão testada trazia uma composição de pretos e cinza com detalhes em laranja, que funciona bem. Nota 7.

Design – O Onix Plus tem linhas equilibradas e suaves. E esse é um dos motivos da baixa rejeição que o carro encontra. É um carro de bom tamanho, com 4,47 m de comprimento, e que ocupou bem o espaço deixado vago por sedãs médios. O design pode até ser previsível – não mudou com o leve face-lift que recebeu -, mas traz uma mistura agradável de traços orgânicos e geométricos. Nota 7.

Custo/benefício – O Chevrolet Onix Plus Premier é bem recheado e traz um preço bem agressivo, de R$ 138.390. Somente o Fiat Cronos tem preço inferior. São exatamente os dois modelos que deixam os recursos ADAS de fora nas suas configurações. Os demais rivais de topo custam de R$ 145 mil para cima. Nota 8.

Total – O Chevrolet Onix Plus Premier somou 72 pontos em 100 possíveis.   Impressões ao dirigir Fórmula de chegada                

A Chevrolet Onix Plus é um sucesso comercial desde que foi lançado e tem bons motivos para isso. Um deles é o desenho agradável, mas sem ousadias. E essa lógica foi mantida no sutil facelift promovido para a linha 2026. Na cabeça do consumidor médio, a falta de ousadia significa que terá menos rejeição na revenda. E de fato isso acontece. Depois do Honda City, o Onix Plus é o modelo que menos perde valor de revenda, com uma média de 9,2% ao ano, além de ter uma enorme facilidade de revenda.                

Outro ponto que ajuda a tornar o modelo um campeão de vendas o preço. Em parte, isso é fruto de um projeto que abriu mão de recursos tecnológicos mais sofisticados, como controle de cruzeiro adaptativo, monitor de faixa de rolagem ou frenagem automática de emergência, que exigem a instalação de sensores mais sofisticados e radares. O que a marca fez foi aproveitar ao máximo os recursos já existentes, como os sensores laterais e frontais, que alimentam o monitor de ponto cego e o sistema de estacionamento semiautomático. E com isso o Onix ganha um verniz de tecnologia bem convincente.                

A dinâmica do modelo é outro fato de atração. E duas coisas chamam logo a atenção. O vigor do motor tricilíndrico 1.0 turbo, que está sempre disponível para acelerar, e o câmbio automático, que interpreta perfeitamente a pressão no acelerador. Nessa atualização, a Chevrolet atacou uma questão que incomodava um pouco. O motor trabalhava de forma áspera e agora está bem mais suave, embora o isolamento acústico ainda fraqueje. De qualquer forma, o modelo tem uma boa relação peso/potência de 9,6 kg/cv. Mas melhor que isso é a curva de torque que está plena a 2 mil giros mas já tem boa presença antes disso.    

Em movimento, o sedã compacto da Chevrolet é bem equilibrado. Em retas, independentemente da velocidade, o carro se mantém na trajetória sem esforço, o que ressalta a direção direta e precisa. No contorno das curvas, a rolagem lateral é bem pequena e o motorista tem sempre a perfeita noção de onde a roda está. As acelerações são vigorosas, mas não chegam emprestar uma alma esportiva ao modelo. O zero a 100 km/h, em números oficiais, é feito em 10,7 segundos.                

O Onix Plus Premier facilita a vida com diversos pequenos confortos. Casos da chave presencial para travas e ignição, do sensor de ponto cego, do ar-automático, um novo console que junta painel digital e central multimídia, simples de operar e conectar, bons materiais de acabamento, embora sem luxo, e um bom espaço interno. Mesmo que o projeto já sinta um pouco o peso dos sete anos de idade, o Onix Plus ainda tem fôlego para esperar uma futura geração, o que deve ocorrer somente na linha 2029.  

Ficha técnica

Chevrolet Onix Plus Premier

Motor: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 999 cm³, três cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, sobrealimentado por turbo e comando duplo no cabeçote. Injeção eletrônica multiponto e acelerador eletrônico.

Transmissão: Câmbio automático de seis velocidades à frente e uma a ré, com modo manual sequencial com mudanças por botão na alavanca de câmbio. Tração dianteira. Oferece controle de tração.

Potência: 115,5 cv com gasolina ou etanol a 5.500 rpm.

Torque máximo: 16,3 kgfm com gasolina e 16,8 kgfm com etanol a 2 mil rpm.

Aceleração 0-100 km/h: 10,8 segundos com gasolina e 9,9 s com etanol.

Velocidade máxima: 195 km/h com gasolina e 196 km/h com etanol.

Diâmetro e curso: 74 mm x 77,5 mm.

Taxa de compressão: 10,5:1.

Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson com barra estabilizadora, amortecedores pressurizados e molas helicoidais. Traseira por eixo de torção com molas helicoidais e amortecedores pressurizados. Oferece controle eletrônico de estabilidade de série.

Pneus: 195/55 R16. Sobressalente 115/75 R15

Freios: Discos ventilados na frente e a tambor atrás. Oferece ABS com EBD e assistente de partida em rampa.

Carroceria: Sedã em monobloco, com quatro portas e cinco lugares. Comprimento de 4,47 metros com 1,73 m de largura, 1,47 m de altura e 2,60 m de entre-eixos. Possui airbags frontais, laterais e de cabeça de série.

Peso: 1.117 kg, com 375kg de carga útil.

Capacidade do porta-malas: 469 litros.

Tanque de combustível: 44 litros.

Lançamento: outubro de 2019.

Face-lift: julho de 2025

Produção: São Caetano do Sul, São Paulo. Preço: R$ 138.390.

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