Eduardo Rocha/Auto Press
A Fiat tem uma expectativa de que as vendas de sua picape Titano cresçam de forma substancial, por conta das novidades que vieram a reboque da mudança de endereço da produção, do Uruguai para a Argentina. Mais que uma alteração de endereço, novos conteúdos vieram quando a picape nem tinha completado um ano de mercado, as mudanças representaram uma correção de rumo, para um modelo que tem pretensão de brigar com as picapes médias-grandes atualmente no mercado. Desde que chegou ao mercado, tem mantido a mesma média de emplacamentos entre 500 e 600 unidades. Atualmente é a 5ª mais vendida no segmento, atrás de Toyota Hilux, Ford Ranger, Chevrolet S10 e Mitsubishi Triton, mas à frente de Volkswagen Amarok e Nissan Frontier. É um caminho pedregoso, mas possível.
A maior novidade mesmo está sob o capô. O motor BlueHDi, de origem PSA, deu lugar ao Multijet II, de origem Fiat, usado também na Toro, no Jeep Commander, nas RAM Rampage e Dakota (que é basicamente uma Titano com nova cara). O antigo e o novo têm 2.2 litros, mas a potência é de 180 no primeiro contra 200 cv. O câmbio automático de seis marchas da Aisin também foi trocado por um ZF de oito velocidades com reduzida, mas agora o sistema 4X4 é on demand. Com essas mudanças, a aceleração de zero a 100 km/h passou de longos 12,4 segundos para 9,9 s. A máxima passou de 175 para 180 km/h e o consumo caiu de forma importante: foi de 8,5 para 9,9 km/l na cidade e de 9,2 para 10,8 km/l na estrada.
Além da motorização, outras alterações buscaram valorizar a picape da Fiat, principalmente na versão de topo avaliada, a Ranch. Ela adiciona faróis em led e recursos ADAS como alerta de colisão, frenagem automática de emergência, sensor de ponto cego, controle de cruzeiro adaptativo com Stop & Go, que se junta ao monitoramento de faixa que já estava presente. O modelo também já contava com itens como revestimento em couro, bancos dianteiros com ajustes elétricos, central multimídia com tela touch de 10 polegadas, com espelhamento sem fio para Apple CarPlay e Android Auto, câmera 360º, sensores de obstáculos dianteiros e traseiros, ar-condicionado com duas zonas, rodas de liga leve de 18 polegadas, faróis de neblina, estribos laterais, capota marítima e santantônio, chave presencial para travas e ignição e sensor de chuva.
O objetivo a Fiat foi alinhar a Titano com os principais rivais do mercado em relação a conteúdo, mas sem deixar de lado a aposta no custo/benefício favorável em relação aos rivais. A versão de topo custa R$ 285.990, entre 10 a 20% mais barata que as versões correspondentes em conteúdo de Ranger, S10 e Hilux. Este movimento da Stellantis nem exige tantos sacrifícios, uma vez que da mesma planta em Córdoba está saindo a RAM Dakota, que vai cumprir missão de funcionar como modelo de luxo do segmento, com preços estimados a partir de R$ 310 mil.
Ponto a ponto
Desempenho – Tudo mudou na Titano nesse aspecto. O motor turbodiesel Multijet 2.2 litros tem um ganho acima de 10% na potência e no torque, comparado ao antigo motor Blue HDI, mas além disso, mostra uma maior elasticidade. Embora a potência máxima de 200 cv apareça nos mesmos 3.750 do propulsor antigo, os 45,9 kgfm de torque aparecem 500 giros mais cedo, aos 1.500 giros. Com isso, a aceleração de zero a 100 km ocorre em 9,9 s, ou 2,5 s mais rápido. Isso é reflexo também do novo câmbio automático com oito marchas no lugar da transmissão de seis velocidades. Com isso, toda a dinâmica da Titano está mais vigorosa e alinhada com a apresentada pelos principais rivais do segmento. Nota 8.
Estabilidade – A suspensão tem um curso bastante longo, que ajuda bastante em trechos no fora de estrada, com desníveis acentuados, enquanto os pneus de 265/60 R18, com flanco de 15,9 cm, filtra as irregularidades menores e ajuda a copiar o terreno. Na estrada, no entanto, essas características são mais permissivas em relação às rolagens em curva e tiram a precisão da direção, apesar de agora ser elétrica. É preciso ter em mente que não é um modelo esportivo. Nota 7.
Interatividade – A Titano Ranch é bem completa para o segmento, com chave presencial, volante multifuncional, câmera 360º e central multimídia com espelhamento sem cabo com Android Auto e Apple CarPlay. Traz ainda sensores dianteiros e traseiros e monitor de faixa. Com a mudança no endereço de produção, ganhou alguns recursos controle de cruzeiro adaptativo, alerta de colisão com frenagem autônoma, sensor de ponto cego. Os freios também tiveram um upgrade, com discos nas quatro rodas e freio de estacionamento elétrico. O controle do sistema de tração é bastante simples de operar e a transmissão automática com oito marchas tem um funcionamento mais liso. Nota 9.
Consumo – Na aferição do InMetro para o Programa de Etiquetagem do InMetro, a nova motorização da Titano obteve médias 17% melhores, com 9,9 km/l na cidade e 10,8 km/l na estrada, o que a coloca como uma das mais econômicas do segmento. As notas foram C na categoria e D no geral. Nota 6.
Conforto – Além do excelente espaço interno, a picape da Fiat roda suavemente e é silenciosa. A ergonomia do banco, mas faz falta um ajuste de profundidade para o volante. É um veículo agradável, que inspira uma condução calma e tranquila. A suspensão filtra as irregularidades e minimiza os solavancos maiores. Nota 9.
Tecnologia – A Titano mudou de patamar, por conta do novo conjunto de motor e câmbio, mas não só por isso. Traz central multimídia conexão com celular sem cabo, que é moderna e fácil de operar. Em relação a segurança, ganhou recursos ADAS como controle de cruzeiro adaptativo com Stop & Go, alerta de colisão, frenagem autônoma, sensor de ponto cego e monitoramento de faixa. O sistema de tração ficou mais moderno, com a opção de 4X4 on demand. Nota 9.
Habitabilidade – A picape média-grande da Fiat oferece bastante conforto a bordo, com espaço generoso para cinco ocupantes – embora seja mais adequado para quatro passageiros em trajetos longos. O acesso ao habitáculo é facilitado pelas alças nas colunas de todas as portas e pelos estribos presentes na versão. Tem ainda console elevado, porta-copos, apoio de braços com um volumoso porta-objetos, A espaço para carga é o maior do segmento e capota marítima da versão e a tampa com chave dão alguma segurança para usar a caçamba como porta-malas, de preferência, com alguma divisória de caçamba, para evitar que a bagagem fique solta. Nota 9.
Acabamento – A versão Ranch é bem caprichada, com estofamento em couro, com boa combinação de acabamentos, texturas agradáveis e materiais robustos. No entanto, a não ser por zonas de toque como apoios de braços, há um excesso de plástico rígido nos revestimentos. Isso dá alguma praticidade na nora de limpar, mas não oferece requinte. Por fora, fora alguns detalhes cromados, a Titano valoriza uma imagem de robustez. Nota 8.
Design – No estilo, a Titano não esconde a origem Peugeot. Ele aparece nos pequenos dentes nas laterais da grade, no formato das lanternas que se prolongam com duas garras pela lateral e pelos botões organizados como um teclado no console central. No mais, não tem muito como fugir do conceito básico de uma picape. Detalhes como grade em preto brilhante e detalhes cromados marcam o estilo da versão. Nota 7.
Custo/benefício – Mesmo que essa renovação tenha alinhado o desempenho e os recursos da Titano com as rivais, a Fiat ainda aposta no melhor custo/benefício. A Titano tem os itens mais esperados numa versão de topo do segmento e custa de 10 a 20% menos que os concorrentes diretos com recursos semelhantes. Nota 8.
Total – A Fiat Titano Ranch Multijet somou 80 pontos em 100 possíveis.
Impressões ao dirigir
Ganhos explícitos
A Titano mudou na essência. A picape mudou não somente o motor e câmbio – o que já seria muito significativo -, mas também o sistema de tração, com um sistema moderno de 4X4 on demand, com reduzida e bloqueio do diferencial traseiro. A suspensão já era muito bem adaptada a condições mais severas, como estradas de terra e até situações de off-road. A melhora de desempenho é bastante flagrante. No cronômetro, o zero a 100 km/h caiu de 12,4 para 9,9 segundos. O motor já entrega todo o torque a apenas 1.500 giros e em bora tenha mantido faixa vermelha do conta-giros a partir de 4.500 giros, é um motor bem mais elástico e responsivo. O que também ajuda é o novo câmbio de oito marchas, que oferece um escalonamento mais progressivo e, consequentemente, uma dinâmica mais equilibrada.
A Titano já era um veículo agradável de conviver, com funcionamento suave e força de sobra para enfrentar percursos razoavelmente desafiadores. Agora, além da motorização, receber um pacote ADAS eficiente. Tem os recursos mais fundamentais, como controle de cruzeiro com Stop & Go, frenagem autônoma, sensor de ponto cego. O modelo já contava com câmera 360º – item bastante desejável em um modelo com 5,33 metros de comprimento.
Por dentro, a picape oferece muito espaço para cabeça, pernas e ombros dos ocupantes. Aqui, a Titano leva uma vantagem na segunda fileira de assentos, por conta do encosto com um bom ângulo de reclinação, o que gera maior conforto para quem se instala ali. Na frente, além do espaço, há um bom console central com porta-copos, nichos para objetos e um amplo apoio de braços central, que conta com um compartimento de boas dimensões. Uma melhora nesse aspecto foi a adoção de freio de estacionamento com acionamento eletrônica, que eliminou a alavanca do console central.
O luxo dos revestimentos internos em couro presente na versão Ranch é acompanhado por um nível de conforto elevado, inclusive pela boa ergonomia. Tem ainda ar-condicionado duplo e uma central multimídia bastante amigável e eficiente. O acerto das suspensões torna a picape amigável em caminho pouco colaborativos, mesmo que seja um tanto permissivo no controle de carroceria. Há uma certa perda de precisão. Mas isso é da natureza de uma picape com estrutura em chassi de longarina, ainda mais as que têm uma atitude off-road. De qualquer forma, a direção ganhou leveza e peso mais adequado a cada situação com a adoção de um sistema elétrico no lugar do antigo hidráulico.
Ficha técnica Fiat Titano Ranch Multijet TD 4X4
Motor: Diesel, dianteiro, longitudinal, 2.184 cm³, sobrealimentado por turbo de geometria variável, com quatro cilindros em linha, duplo comando no cabeçote variável na admissão e escape e 16 válvulas. Injeção direta de combustível.
Potência máxima: 200 cv a 3.750 rpm.
Torque máximo: 45,9 kgfm a 1.500 mil.
Diâmetro e curso: 83,8 mm X 99 mm.
Taxa de compressão: 15,6:1
Transmissão: Câmbio automático de oito marchas à frente e uma a ré. Sistema de tração com modos 4X2, 4X4 sob demanda e 4X4 reduzida, controlada por seletor eletrônico rotatório. Bloqueio eletrônico do diferencial traseiro.
Aceleração 0-100 km/h: 9,9 segundos Velocidade máxima: 180 km/h.
Suspensão: Dianteira independente com quatro braços oscilantes, molas helicoidais, barra estabilizadora e amortecedores telescópicos hidráulicos pressurizados. Traseira com feixe de quatro molas semielípticas de duplo estágio e amortecedores hidráulicos. Oferece controle de estabilidade.
Pneus: 265/60 R18. Freios: Dianteiros e traseiros com discos ventilados. ABS com EBD de série. Freio de estacionamento com acionamento eletrônico.
Carroceria: Picape cabine dupla montada sobre longarinas com quatro portas e cinco lugares. 5,33 metros de comprimento, 1,96 m de largura, 1,86 m de altura e 3,18 m de distância entre-eixos. Altura mínima do solo de 23,5 cm. Tem seis airbags de série.
Ângulo de entrada: 29°.
Ângulo de saída: 27º.
Peso: 2.150 kg.
Capacidade de carga: 1.020 kg.
Capacidade da caçamba: 1.109 litros.
Tanque de combustível: 80 litros. Produção: Córdoba, Argentina.
Lançamento no Brasil: março de 2024.
Lançamento com motor Multijet: junho de 2025
Preço: R$ 285.990 (R$ 288.480 com pintura metálica).



















