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02 de Março de 2026, 14h:29 - A | A

Carros / Honda

Tradição com tecnologia

Honda City Touring sedã atualiza a eletrônica, mas preserva a confiabilidade mecânica



Eduardo RochaAuto Press

                Ano após ano, nos últimos anos o mercado brasileiro de automóveis verga em direção aos SUVs. Nesse ambiente, todos os segmentos vêm sendo deprimidos. Esta tendência já dizimou as stations, os hatches médios, os sedãs médios e agora ataca fortemente os sedãs compactos. Em 2025, este segmento emplacou 184 mil unidades, ou 24% a menos que em 2022. E isso em um mercado que cresceu 30%. Em participação, a queda foi de 15,4% para 9,2% nesses quatro anos. Nesse período, o número de sedãs compactos no mercado caiu de 10 para seis. Nesse cenário dramático, o Honda City conseguiu em 2025 vendas médias de 1.500 unidades, 8,5% maiores que a média registrada em 2024. A maior responsável por essa reação foi a atualização promovida para a linha 2025.                

Nessa renovação, o City passou por um leve facelift e ganhou alguns recursos de tecnologia. Desde que chegou ao mercado, em janeiro de 2022, a ideia era tornar o sedã compacto uma espécie de herdeiro do Civic, principalmente na versão de topo avaliada, a Touring. Esta configuração começa em de R$ 152.700 e se posiciona nas faixas superiores do segmento, acima de quase todos os rivais, com exceção do Volkswagen Virtus.                

A principal diretriz na renovação de meia-vida do City foi distanciá-lo visualmente da versão hatch, mas sempre da forma sutil que a Honda adota. A barra cromada frontal ficou mais fina e com isso a grade ficou maior. O para-choque ganhou linhas mais fluidas, com menos reentrâncias e relevos. O para-choque traseiro, ao contrário, ganhou mais detalhes, com linhas mais entalhadas e um pequeno extrator decorativo na parte inferior. As rodas mantiveram os 10 raios, mas com uma nova composição.                

Em relação ao conteúdo, a versão ganhou equipamentos que podem ser definidos como pequenas modernidades. É o caso do freio de estacionamento com acionamento eletrônico por botão, o que eliminou a alavanca e permitiu o redesenho do console central. Nessa nova configuração, foi introduzido um carregador por indução. O modelo ganhou ainda ar-condicionado de duas zonas, o recurso Stop & Go no controle de cruzeiro adaptativo e um novo layout na interface do sistema multimídia.                

Além dessas novidades, o modelo traz outros recursos que compõem o pacote Honda Sensing, como alerta de colisão com sistema de frenagem autônomo com detecção de pedestres, sistema de assistência de permanência em faixa com ação indutiva na direção e farol alto automático. Tem ainda seis airbags, iluminação full led, sensor de estacionamento dianteiro e traseiro e câmera de ré. A versão Touring traz também acabamento em couro, chave presencial para travas e ignição, painel com tela em TFT de 7 polegadas, central multimídia com tela de 8 polegadas e espelhamento sem fio de Android Auto e Apple CarPlay, carregador de celular por indução, ar-condicionado digital e espelho eletrocrômico.                

Sob o capô, o City manteve o confiável motor 1.5 16V com 126 cv de potência, com torque de 15,5/15,8 kgfm, com gasolina e etanol. Ele é gerenciado por um câmbio CVT, o mesmo que já equipava o modelo, com modo manual de sete marchas simuladas e paddle shifts no volante. A busca aqui é por eficiência. de consumo, mas com a chegada de modelos elétricos e híbridos ao mercado, o sarrafo subiu. Embora tenha mantido basicamente o mesmo consumo de anos anteriores, as notas caíram de A para B na categoria e B para C no geral.  

 

Ponto a ponto

Desempenho – O motor 1.5 litro de 126 cv do City é extremamente equilibrado. Mesmo sendo aspirado, traz tecnologias como comando variável que efetivamente fornecem bom torque em baixa, subida de giros rápida e comportamento liso. Ele conversa muito bem com o câmbio CVT, que tem relações iniciais bastante curtas, o que favorece as retomadas e permite boas arrancadas. Nota 8.

Estabilidade – A suspensão tem um ajuste no estilo europeu, que favorece o controle da carroceria nas curvas e deixa o City bastante neutro nas retas. Os pneus, 185/55 R16, colaboram na estabilidade, mas não ajudam na filtragem das irregularidades. Os recursos de assistência têm uma configuração bem dosada, são discretos e pouco invasivos. Nota 8.

Interatividade – A interfaces da central multimídia ficou mais direta e com gráficos mais atraentes. O modelo ganhou carregador por indução, ar-condicionado duplo, freio de estacionamento elétrico, console central mais versátil e sistema Stop & Go no controle de cruzeiro adaptativo. Os comandos estão nos locais tradicionais e facilitam as coisas desde o primeiro contato. Nota 9.

Consumo – O Inmetro fez uma nova aferição do City e obteve médias de 9,3 e 12,8 km/l na cidade e 10,4 e 15,5 na estrada, com etanol e gasolina. São números ligeiramente diferentes, com consumo urbano melhorado com etanol e piorado com gasolina e o contrário no consumo rodoviário, melhorado com gasolina e piorado com etanol. Mas não foi isso que rebaixou as notas do City, de A para B na categoria e B para C no geral. As médias de consumo na tabela do InMetro foram derrubadas pelo grande volume de modelos híbridos e elétricos que entraram na conta. Sinal dos tempos. Nota 7.

Conforto – O City tem um bom entre-eixos para a categoria e esse espaço é convertido de forma eficiente para o conforto dos ocupantes. Mas o diferencial do City na categoria é a maior largura do habitáculo, que incrementa o conforto, principalmente no banco traseiro. Os bancos dianteiros têm encosto com diversos pontos de apoio e são bem confortáveis. O silêncio a bordo é garantido tanto pelo uso de materiais isolantes quanto pelos baixos ruídos emitidos pelo motor. Nota 9.

Tecnologia – O City ganhou incrementos como Stop & Go, ar-condicionado duplo e carregador por indução, que valorizaram o seu conteúdo. Motor, câmbio e plataforma não são muito recentes, mas se mostram bem evoluídos. Está entre os sedãs compactos melhor equipados. E o preço reflete isso. Nota 9.

Habitabilidade – Mesmo sendo um sedã, o City tem uma boa altura, o que facilita o acesso ao interior. O porta-malas é dos maiores do mercado, com 519 litros de capacidade. O novo console central ganhou em usabilidade e há ainda bons compartimentos sob o apoio de braços e na base das portas. Nota 8.

Acabamento – A unidade testada, na versão Touring, trazia acabamento em couro cinza claro nos bancos, nos puxadores das portas e em partes dos consoles central e frontal. Visualmente, eleva o requinte no interior e cria um contraste de cor interessante com os outros revestimentos em preto. Por outro lado, há muito plástico rígido, o que desvaloriza um pouco o aspecto geral. O design é clássico, com encaixes corretos e materiais de boa qualidade. Nota 8.

Design – Mesmo com a mudança, o visual externo do City remete ao antigo Civic. Pela grande movimentação do mercado, com a chegada de diversas marcas, a percepção mudou. As linhas, que já não eram inéditas, ficaram comuns. De qualquer forma, o sedã tem volumes equilibrados e passa uma ideia de elegância, mas dificilmente o design será um fator decisivo de compra. Nota 7.

Custo/benefício – O Honda City Touring a R$ 152.700 coloca o modelo no ponto mais alto do segmento – só é mais em conta que o Volkswagen Virtus. Ele é bem completo e tem a confiabilidade da marca, mas não tem preço atraente. Nota 6.

Total ‑ O Honda City Touring somou 79 pontos em 100 possíveis.  

 

Impressões ao dirigir

  Equilíbrio de ações                

Quando chegou ao mercado, a referência visual do Honda City era o Civic 10. Mas o tempo passa cada vez mais rápido, ainda mais com a invasão de marcas chinesas. E foram tantas propostas – algumas ousadas, outras escalafobéticas – que acabaram deixando o City um tanto careta em quatro anos de mercado. Não é por conta do design do City, que continua equilibrado e elegante, mas por conta de um mercado em convulsão. Mesmo com o discreto facelift promovido para a linha 2025, o sedã da Honda tem linhas que podem ser consideradas conservadoras.                

Uma das novidades mais importantes nessa Fase 2 do modelo é o recurso Stop & Go no controle de cruzeiro adaptativo, que permite uma condução menos trabalhosa e monótona nos engarrafamentos. Com ele, o City pode acompanhar o trânsito em baixas velocidades e retomar a marcha após uma parada de forma automática, se for por até 3 segundos. Se a imobilização for mais longa, basta dar um toque no acelerador ou no botão resume no volante. Por dentro, outra novidade reforça a ideia de modernidade, como o freio de estacionamento por botão, o ar-condicionado de duas zonas de temperatura e o carregador de celular por indução. No mais, é um sedã com bom espaço interno, ótimo porta-malas e conforto a bordo garantido por ótimos bancos e bom isolamento acústico.                

Na parte dinâmica, nenhuma alteração. O conjunto suspensivo tem a prioridade de manter o carro em equilíbrio, mesmo que isso enfraqueça um pouco a filtragem de irregularidades. É um estilo bem europeu que cai bem em um modelo com 126 cv e até 15,8 kgfm de torque. Trata-se de um conjunto muito bem equilibrado, com boa potência disponível, torque em baixa e comportamento suave e progressivo do câmbio CVT. A transmissão tem programação e amplitude de escalonamento bastante interessantes, que oferecem agilidade nas mudanças e amplitude das relações, que vão de curtas para boas arrancadas, até longas, para ganhar em eficiência. O resultado é um sedã compacto de funcionamento suave, com ganhos de velocidade bem progressivos e bastante econômico no uso diário.  

 

Ficha técnica

Honda City Touring sedã

Motor: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.497 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, comando duplo no cabeçote e comando variável de válvulas na admissão. Acelerador eletrônico e injeção multiponto de combustível.

Transmissão: Transmissão continuamente variável (CVT) com sete marchas pré-programadas e paddle shifts no volante. Tração dianteira. Controle eletrônico de tração de série.

Potência máxima: 126 cv a 6.200 rpm com gasolina e etanol.

Torque máximo: De 15,5 a 15,8 kgfm a 4.600 rpm com gasolina e etanol.

Diâmetro e curso: 73,0 mm X 89,4 mm.

Taxa de compressão: 11,4:1.

Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson. Traseira por eixo de torção. Controle eletrônico de estabilidade.

Freios: Discos ventilados na frente e tambor atrás. Oferece ABS com EBD, com sistema de frenagem autônoma na versão.

Pneus: 185/55 R16, com monitoramento de pressão.

Carroceria: Sedã em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,55 metros de comprimento, 1,75 metro de largura, 1,48 metro de altura e 2,60 metros de entre-eixos. Oferece airbags frontais, laterais e de cortina de série.

Peso: 1.170 kg.

Capacidade do porta-malas: 519 litros.

Tanque de combustível: 44 litros.

Produção: Sumaré, São Paulo.

Lançamento: dezembro de 2021.

Face-lift: novembro de 2025.

Preço: R$ 152.700.

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