Domingo, 15 de Fevereiro de 2026

Carros Domingo, 15 de Fevereiro de 2026, 17:14 - A | A

15 de Fevereiro de 2026, 17h:14 - A | A

Carros / Nissan Kicks

Um SUV singular

Nissan Kicks extrapola em tecnologia, estilo e conforto



Eduardo Rocha/Auto Press

                  Na troca de gerações, a Nissan decidiu levar o Kicks um pouco além. O modelo, lançado no meio do ano, foi ousado em diversos aspectos: no tamanho, no design e até mesmo no posicionamento de mercado. Afinal, mesmo sendo um pouco maior que os SUVs compactos superiores do mercado, os preços iniciais do modelo assustam. O Kicks mais barato, na versão Sense, custa R$ 168.690, enquanto a topo de linha Platinum avaliada, com o opcional de pintura em dois tons, chega a R$ 202.150.                

O caso é que a marca não quis fazer muitas concessões para baixar o preço e ganhar volume, mesmo na versão de entrada, que chega bem completa e já com câmbio automático. Já a tabela da configuração topo de linha consegue até se alinhar com SUVs compactos como Honda HR-V Touring, Hyundai Creta Ultimate e Volkswagen T-Cross Highline, com a vantagem para o Kicks em relação ao tamanho e aos equipamentos. A desvantagem nesse caso fica por conta da menor potência do modelo da Nissan. De qualquer forma, passado espanto inicial, as vendas do modelo vêm apresentando uma curva ascendente.

                O que ainda causa estranhamento é o design, marcado pela originalidade e ousadia. O SUV traz três frisos sob os faróis, que já se insinuavam como frisos cromados no sedã Versa, só que aqui são em led e têm a função de luz de condução diurna. As linhas são brutalizadas, com frente e a traseira com cortes verticais abruptos e para-lamas bem proeminentes, o que imprime um aspecto robusto e futurista. De perfil, as linhas também são marcadas, a cintura é alta e a última coluna é bastante robusta. No caso da versão Platinum, as rodas são de 19 polegadas, calçando pneus 225/45 R19.                

Por dentro, o novo Kicks traz uma moldura plana que contém o painel de instrumentos e a tela da central multimídia, ambas com 12,3 polegadas. O revestimento é em couro sintéticos de boa qualidade, combinado com outros materiais, como tecidos ou detalhes metalizados. O design busca valorizar a maior largura do modelo no segmento, com componentes que vão de porta a porta. Aqui aparece outro trunfo tecnológico do modelo: o pacote de recursos ADAS. O chamado Nissan Safety Shield, completo nessa versão de topo, traz controle de cruzeiro adaptativo com stop and go, monitoramento ativo de faixa, alerta e frenagem autônoma, inclusive traseira, sensores de pontos cegos etc.                

O ponto mais controverso do SUV da Nissan fica sob o capô, por conta da potência do motor 1.0 turbo, que rende 120/125 cv, e é subdimensionado para um carro com 1.366 kg. Por outro lado, trata-se de um propulsor e confiável, com um câmbio moderno, com dupla embreagem banhado a óleo – bem diferente dos usados por modelos da Ford e pelo Volkswagen Golf, que tinham embreagem a seco. No Kicks, a alavanca de marchas deu lugar a um pequeno console com quatro botões: P, N. R e D/M. Uma forma, um pouco marketeira, de reforçar a ideia de futurismo do modelo.  

Ponto a ponto  

Desempenho – O motor HR10 1.0 turbo de três cilindros, basicamente o mesmo TCe 1.0 usado no Renault Kardian, é dos melhores disponíveis no mercado. Ele tem uma ampla faixa de utilização, com bom torque em baixa rotações e boa potência em alta. No entanto, os 120/125 cv e 22,4 kgfm, com gasolina e etanol, lidam com um veículo de 1.366 kg, o que o deixa ligeiramente subdimensionado, com uma relação peso/potência em torno de 11 kg/cv – o que explica a aceleração de zero a 100 em longos 12,4 segundos. O câmbio de dupla embreagem é rápido, suave e não permite que falte potência em nenhuma faixa de giro. Por outro lado, também não instiga tocadas mais esportivas. Nota 8.  

Estabilidade –O entre-eixos de 2,66 m e a bitola de 1,56 m ajuda a centralizar a massa e cria uma boa base para a suspensão do Kicks. O SUV apresenta um bom compromisso entre conforto e controle de carroceira. Filtra bem as pequenas irregularidades e mostra boa recuperação nos desníveis maiores, sem permitir desequilíbrio maiores. As rolagens em curvas são muito discretas, apesar da altura de 1,62 metro e dos 20 cm de distância livre para o solo. Nota 9.  

Interatividade – O Kicks aderiu ao conceito de console digital integrado, que combina o painel e a central multimídia, cada um com tela de 12,3 polegadas. O sistema aceita espelhamento sem fio para Apple e Android e tem navegação bastante amigável. O sistema de áudio da Bose, da versão Platinum, oferece um som imersivo, com direito a alto-falantes nos apoios de cabeça dianteiros. Em movimento, a direção é bastante reativa e direta em velocidades mais altas e bem leve nas manobras. Já os recursos ADAS, do pacote Safety Shield, é o mais completo do segmento e bem calibrados – nem invasivos, nem omissos. Nota 8.  

Consumo – A calibração e a maior inércia por massa do Nissan Kicks fazem com que a eficiência seja melhor em ambiente rodoviário que em área urbana, em comparação ao Renault Kardian, que tem a mesma motorização. As médias foram de 8,3 e 11,7 km/l na cidade e de 9,9 e 14,3 km/l na estrada, respectivamente com etanol e gasolina. A notas foram B na categoria e C no geral. Nota 7.  

Conforto – Embora tenha traga uma suspensão firme, o que se acentua com as rodas 19 da versão Platinum, o Kicks filtra bem as irregularidades e transmite solidez. Na estrada, a rodagem é bem suave e estável. Os bancos usam o conceito Zero Gravity da marca, que traz vários pontos de apoio no encosto para distribuir o peso do corpo e evitar o cansaço. O isolamento acústico é bem eficiente e na cabine não se ouve nem o motor, nem ruídos de rodagem. Nota 8.  

Tecnologia – As arquiteturas física e eletrônica, o motor e o câmbio do Kicks são recentes e modernos. A plataforma é a CFM-B HS, de high-specification ou alta especificação, é usada em modelos vendidos na Europa, Japão e Estados Unidos. O motor HR é da mesma família do TCe da Renault e do M282 da Mercedes-Benz, enquanto o câmbio é da alemã Getrag de dupla embreagem banhado em óleo, mais resistente que os câmbios a seco. O SUV também oferece um pacote de recursos ADAS muito completo – segundo a Nissan, o mais completo que a legislação brasileira permite. O sistema de áudio tem 10 alto-falantes, incluindo nos apoios de cabeça. Todos esses recursos influenciam no preço final do modelo, mas colocam o SUV da Nissan no nível mais alto entre os modelos produzidos no Brasil. Nota 10.  

Habitabilidade – O Kicks se coloca em um ponto entre os SUV compactos superiores, ou B, e os médios compactos, ou C-. Ou seja: está em um inédito B+. E o generoso espaço interno reflete isso. Tem um generoso entre-eixos, de 2,66 metros, uma ampla largura de cabine e uma boa altura do teto – que ainda é panorâmico, o que aumenta a sensação de espaço. O console central elevado melhora a usabilidade e o porta-malas de 470 litros tem espaço suficiente para não precisar carregar bagagens na cabine, mesmo em uma viagem com a família. O acesso ao interior é facilitado pela altura do veículo. Nota 9.  

Acabamento – A Nissan buscou trazer para o Kicks um toque de sofisticação e futurismo. Isso está presente no ambiente da cabine, que com a combinação de texturas e materiais, como tecidos, couro sintético, acabamentos metalizados e guarnições em preto brilhante. Todas as superfícies de toque trazem revestimentos macios, o que imprime uma qualidade percebida alta. Nota 8.  

Design – Este é um ponto polêmico do novo Kicks. O conceito Emotional Geometry, desenvolvido no Nissan Design America, na Califórnia por Ken Lee e Marcus Quach, causa estranhamento pelas linhas duras e volumes robustos combinando com detalhes inusitados e até delicados. O porte do modelo é imponente e ele se destaca pela originalidade em meio ao trânsito, com um certo toque de sofisticação. Nota 8.  

Custo/benefício – À primeira vista, esse é o ponto fraco do novo Kicks. E na versão de topo Platinum, que passa de R$ 200 mil na unidade testada, essa impressão é ainda mais forte. Acontece que fica difícil comparar diretamente o SUV da Nissan com outros modelos, pois ele é maior, mais tecnológico e mais equipado que modelos do segmento B+ de topo, como Honda HR-V, Volkswagen T-Cross e Hyundai Creta, que têm preço semelhante. Nota 7.  

Total – O Nissan Kicks Platinum somou 82 pontos em 100 possíveis.  

 

Impressões ao dirigir

No limite da razão                

O Kicks não foge do conceito racional que a Nissan busca imprimir em seus modelos. Só que a segunda geração do SUV segue um caminho um tanto diverso da primeira. Lá, o modelo pesava pouco mais de 1.100 kg e tinha um motor de 110/113 cv. Aqui ele tem 220 kg a mais e apenas 12 cv adicionais. A relação peso/potência subiu de 10 para 11 kg/cv. Não é uma perda dramática, mas não harmoniza com o porte do SUV ou com a agressividade do desenho.                

A dinâmica do Kicks é marcada pelo conforto de rodagem, suspensão bem calibrada (a estabilidade é ótima para um SUV) e acelerações progressivas, embora sem agressividade. A direção é agradável, com boa comunicação com as rodas e bom peso, e o câmbio é bem coordenado com o motor. O sistema de marchas engatadas por botões é fácil de acostumar e para interagir mais com o carro basta recorrer aos paddles shifts (que acabam sendo esquecidos, foi a dinâmica, embora comportada, é bastante agradável).                

Um dos pontos altos do novo Kicks, de qualquer forma, é o conforto interno. Ele é flagrantemente mais espaçoso, tem isolamento acústico eficiente, bons materiais de acabamento, equipamentos que valorizam a vida a bordo, como apoio de braços central e teto solar panorâmico espelhamento sem fio de celulares, sistema de áudio premium da Bose, com som imersivo e bancos Zero Gravity. O que também contribui para o conforto é a estabilidade, incrementada pela rigidez da arquitetura CFM-B High Spec – como as usadas nos países centrais –, avaliada em cerca de 20 kN/grau, contra aproximadamente 14 kN/grau do Kicks de primeira geração.  

 

Ficha Técnica

Nissan Kicks Platinum

Motor: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 999 cm³, com três cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando com variação contínua de abertura das válvulas. Acelerador eletrônico e injeção direta.

Transmissão: Dupla embreagem banhada a óleo com seis marchas e modos Econômico, Normal e Sport, com paddle shifts atrás do volante. Tração dianteira com controle eletrônico de tração.

Diâmetro e curso: 72,2 mm X 81,4 mm.

Taxa de compressão: 10,5:1. Potência máxima: 120/125 cv a 5 mil rpm com gasolina/etanol.

Torque máximo: 20,4 kgfm a 2 mil rpm com gasolina e 22,4 kgfm a 2.500 rpm com etanol.

Consumo (InMetro): 8,3 e 11,7 km/l na cidade com etanol e gasolina. 9,9 e 14,3 km/l em rodovia com etanol e gasolina.

Aceleração 0-100 km/h: 12,4 segundos.

Velocidade máxima: 185 km/h.

Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson com barra estabilizadora. Traseira por eixo de torção e barra estabilizadora. Oferece controle eletrônico de estabilidade de série.

Pneus: 225/45 R19.

Freios: Discos ventilados na frente e sólidos atrás. ABS com EBD. Oferece assistência de partida em rampa e frenagem autônoma de emergência.

Carroceria: Utilitário esportivo médio-compacto em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,37 metros de comprimento, 1,80 m de largura, 1,62 m de altura e 2,66 m de distância entre-eixos. Oferece airbags frontais, laterais e de cabeça de série.

Peso: 1.366 kg.

Capacidade do porta-malas: 445 litros e 470 litros com o piso rebaixado.

Tanque de combustível: 48 litros. Produção: Resende, Rio de Janeiro.

Lançamento: julho de 2025.

Preço da unidade avaliada: R$ 202.150 com pintura em dois tons (R$ 3.160).

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