Quarta-feira, 19 de Junho de 2024

Entrevistas Quarta-feira, 22 de Maio de 2024, 11:10 - A | A

22 de Maio de 2024, 11h:10 - A | A

Entrevistas / Entrevista

Na condição de cristão, já os perdoei. Mas como cidadão, exijo justiça!

O padre José Roberto, de Peixoto de Azevedo, que escapou de morrer, no caso do duplo assassinato de dois idosos, que abalou o Brasil há um mês, segue com sua rotina na cidade e observa que, mesmo estando abalado emocionalmente, “o pastor não deve abandon



José Vieira
Mato Grosso do Norte

Um mês depois do horrendo caso de duplo assassinato em Peixoto de Azevedo [dia 21 de abril], o padre José Roberto Domingos, de 45 anos, apesar de ainda estar abalado pela dimensão de violência da cena que presenciou, segue com suas atividades eclesiásticas na cidade, cumprindo sua missão sacerdotal.
Ele estava na confraternização de aniversário quando a casa foi invadida por Inês Gemilaki, de 48 anos e por seus filho Bruno Gemilaki, de 28, que é médico. Ambos estavam armados e já entraram atirando em todas as pessoas que estavam no local. Dois idosos, de 81 e 68 anos, respectivamente, foram alvejados e morreram no momento do ataque.
O religioso se escondeu atrás de um sofá e foi atingido por um tiro no braço e atribui sua vida a proteção de Deus, [um milagre]. Ele passou por uma cirurgiae e está bem.
Concedeu uma entrevista exclusiva ao jornal Mato Grosso do Norte, nesta terça-feira, 21, e afirma que, não nutre mágoa com relação a Inês e seu filho. Já perdoou. E seria até capaz de visitá-los na prisão.
Porém, exige que paguem pelo crime que cometeram. “O perdão não anula a penalidade proporcional ao crime”, observa.

foto/ reprodução

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Leia a entrevista!

Há quanto tempo o senhor é Pároco em Peixoto de Azevedo?
R - Sou pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Peixoto de Azevedo há 3 anos e 3 meses
Qual a sua impressão no aspecto social de Peixoto de Azevedo, como o senhor vê e analisa a população?
R - A população de Peixoto é bastante heterogênea. Aqui, temos pessoas das mais diversas regiões do país, mas, de modo particular, do Estado do Maranhão. Apesar de tão diversa, há uma saudável interação social.

Peixoto tem sido cenário de crimes muitos violentos e cruéis nos últimos meses, além do envolvimento de autoridades da área de Segurança em ilícitos. Ao que o senhor atribui estes fatos, o povo de Peixoto de Azevedo está afastado de Deus e do amor ao próximo?

R - Os casos de violência ocorridos nos últimos dias em Peixoto de Azevedo não coadunam com o cotidiano de nosso povo. Aqui, temos um povo trabalhador e, na sua maioria ordeiro, religioso. Além da presença da Igreja Católica, há presença de várias denominações protestantes. Assim sendo, não podemos atribuir os últimos episódios de violência a ausência de Deus.

ssim sendo, embora muito abalado, permanecerei aqui até que o Bispo julgue ser necessária minha transferência


Peixoto não está entre as cidades mais violentas do país nem do Estado de Mato Grosso. Deste modo, seria precipitado, por razão de eventos isolados de violência, rotular nossa cidade como de um povo sem Deus ou violento. Quanto ao envolvimento de autoridades com o crime, infelizmente, essa é uma realidade que pulula Brasil afora. Além disso, saliente-se que ainda está no campo da suspeição e que o direito à presunção de inocência é devido aos investigados.

O senhor estava presente e chegou a ser atingido por um tiro no episódio do crime de duplo assassinato que aconteceu na cidade recentemente e que teve repercussão nacional. Sentiu medo de morrer?
R - Quanto ao medo da morte, tudo é tão impactante e tão rápido que não se tem tempo para isso. Apenas me confiei a Deus.

Conhecia as pessoas que cometeram este crime?
R - Eu não conhecia nenhum dos suspeitos.

O senhor já os perdoou?
R - Na condição de cristão, já os perdoei. Na condição de cidadão, exijo justiça, pois o perdão não anula a justa pena proporcional ao crime cometido. Mas, graças a Deus, não nutro mágoas em relação a eles.

Caso seja permitido, pensa em fazer uma visita para os acusados na prisão?
R - Poderia sim visitá-los. Erraram, mas continuam filhos de Deus, sendo, deste modo, dignos de nossa misericórdia.
Depois do que aconteceu, o senhor quer permanecer em Peixoto de Azevedo ou ficou com algum receio depois deste fato e cogita ir para outra paróquia?
R - Eu tenho uma missão que me foi confiada pelo Bispo, ser pastor dessa porção do povo de Deus que aqui reside, e o pastor não deve abandonar as ovelhas por causa de lobos ferozes. Assim sendo, embora muito abalado, permanecerei aqui até que o Bispo julgue ser necessária minha transferência. Como dissera, aqui tem um povo bom, ordeiro, pacífico. Este fato é a exceção, não a regra nesta nossa amada cidade de Peixoto.

Que mensagem o senhor deixa para o povo de Peixoto de Azevedo?
R - Conclamamos todos os homens e mulheres de boa vontade a promoverem a paz, unidos pelo vínculo do amor! Deus os abençoe!

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