Geraldo Bessa TV Press
Rosane Gofman ficou empolgada quando recebeu o convite para voltar a viver a diva das radionovelas Olímpia Castellar, de “Êta Mundo Bom!”, na continuação da trama, o atual folhetim da seis “Êta Mundo Melhor!”.
Encarando a retomada da personagem como se fosse reencontrar uma velha amiga, Rosane se surpreendeu ao ler os primeiros capítulos e ver o quanto Olímpia mudou nos quase 10 anos que separam as produções.
“O tempo transformou a Olímpia em uma pessoa má, preconceituosa e que não se importa em atrapalhar os outros em seu próprio benefício. Foi engraçado ver esse outro lado da personagem, ela se deixou levar pela fama de estrela do rádio. Como atriz, foi muito interessante construir essa nova postura”, ressalta.
Natural do Rio de Janeiro, o trabalho em “Êta Mundo Melhor!” marca os 50 anos da estreia profissional de Rosane nas Artes Cênicas. Cria do Teatro do Tablado, escola de Maria Clara Machado, e integrante do grupo Pessoal do Despertar, junto com os amigos Maria Padilha, Miguel Falabella, Daniel Dantas e Zezé Polessa, a atriz dedicou-se exclusivamente aos palcos até o início dos anos 80, quando surgiu o primeiro personagem na tevê, a Estelinha de “Louco Amor”, novela de Gilberto Braga, exibida pela Globo em 1983. “Foi uma época de descobertas. Éramos jovens e queríamos nos expressar. O palco parecia o melhor espaço para isso. Porém, quando comecei na tevê, não parei mais”, destaca.
Com mais de 30 produções televisivas no currículo, a atriz considera a espevitada Cinira, de “Tieta”, que foi ao ar em 1989, o trabalho mais significativo de sua carreira no vídeo. Tanto que até hoje ela ainda é lembrada pelo papel.
“A reprise mais recente foi um sucesso! É um papel que mexe com o público. Já conheci diversas pessoas que foram batizadas com o nome de Cinira por causa da personagem”, revela, aos risos.
P – Em “Êta Mundo Bom!” sua personagem não tinha ares de vilã. O que você acha que aconteceu com a Olímpia para que ela retornasse tão prepotente e ambiciosa em “Êta Mundo Melhor!”?
R – Acho que a coisa de ser uma diva das radionovelas subiu à cabeça da Olímpia (risos). A personagem realmente era mais amorosa na primeira novela. Essa continuação, que se passa nos anos 1950, mostra ela muito mais preocupada em não perder o prestígio na carreira e muito implicante com a Dita (Jeniffer Nascimento). Particularmente, eu gostei desse desenvolvimento da personagem.
P – Por quê?
R – Por trazer um pouco mais de frescor a uma história que já teve um final uma década atrás. As pessoas mudam com o tempo e acho que isso fica muito evidente no desenho da Olímpia. Quando comecei a ler o texto, entendi a proposta dos autores ao retomar esse universo e surpreender o público. Fiquei feliz demais com o convite para retornar em “Êta Mundo Melhor!”.
Essa continuação, que se passa nos anos 1950, mostra ela preocupada em não perder o prestígio
P – “Êta Mundo Melhor” é seu sexto trabalho em obras do Walcyr Carrasco. O que mais o encanta no universo do novelista?
R – É um autor que sabe se comunicar com o público e presta atenção aos atores e atrizes com quem trabalha. Por isso, sempre tem o cuidado de fazer todo mundo do elenco ter seu momento de brilhar na trama.
Mauro (Wilson, coautor), que herdou o texto, está indo por esse mesmo bom caminho. Além disso, são novelas com bastidores muito leves e divertidos. Não é sempre que a gente encontra esse clima nos camarins da televisão.
P – Como assim?
R – Nem todas as novelas têm um bom ambiente de trabalho. A pressão pelo sucesso e ataques de estrelismo, às vezes, podem deixar o clima mais pesado. O camarim é uma festa. Até nas cenas mais complexas e longas, o que prevalece é a harmonia. Além disso, depois de muitos anos, ainda tive a companhia da minha irmã, Betty, neste trabalho.
P – A última vez que vocês integraram o elenco de uma mesma novela foi em “Caminho das Índias”, de 2009. Como foi esse reencontro profissional?
R – Apesar de estar em núcleos diferentes, foi muito gostoso voltar a ver a Betty de forma mais frequente durante as gravações. Na correria do cotidiano, cada uma tem sua vida e a gente não se vê toda hora. Também amei o fato de os autores terem feito uma conexão carinhosa entre as personagens, já que a Medéia, personagem da Betty, é uma grande fã da Olímpia.
“Êta Mundo Melhor!” – Globo – de segunda a sábado, às 18h20.









