Marco Antonio Sarmiento Sánchez/Auto Press
A GWM aposta alto no Haval H6. O SUV médio híbrido corresponde a quase 75% dos veículos vendidos pela marca em 2025 no Brasil – ou 32 mil entre 42 mil. E dentro da linha Haval H6, quase 40% é da versão H6 19 PHEV.
O preço, obviamente, é um fator relevante, já que é a configuração híbrida plug-in mais barata da gama, por R$ 248 mil. A versão de entrada na linha é a híbrida simples, HEV 2, que sai a R$ 228 mil e será montada na fábrica da marca no Brasil neste ano. A configuração imediatamente acima é a PHEV 35, que fica em R$ 288 mil.
No último Salão de São Paulo, em novembro passado, estas três versões apresentaram o facelift lançado na Europa e Ásia em 2024, que mudou basicamente as peças plásticas da carroceria: grade e para-choques. Nessa mudança, ficou de fora a versão mais cara, GT, que já trazia um desenho diferenciado. Visualmente, o H6 manteve a linha familiar, com um design que aposta em proporções equilibradas e porte robusto.
A ideia aqui foi não ser exagerado, mas transmitir modernidade e imponência com uma linguagem formal. A frente é forte, as laterais são limpas e a postura geral deixa claro que é um SUV com foco familiar, mas atualizado.
Os detalhes específicos não têm a intenção de atrair atenção de forma óbvia, mas sim integrá-los discretamente. Cada vez mais, as marcas vêm deixando para trás os designs disruptivos – caso, por exemplo, do Ora 03, da própria GWM.
Na gama do Haval H6, a versão 19 tem a função de ser uma alternativa híbrida plug-in que tenta equilibrar, desempenho, eficiência e versatilidade. É, em essência, um crossover racional, pensado para enfrentar tanto a cidade quanto a estrada, sem maiores pretensões de esportividade.
A ideia aqui foi não ser exagerado, mas transmitir modernidade e imponência com uma linguagem formal
O sistema PHEV combina um motor turbo de 1.5 litro com um motor elétrico dianteiro para entregar 326 cv de potência e 55 kgfm de torque. A bateria LFP de 19 kWh promete uma autonomia elétrica de até 73 km, em geral suficiente para cobrir viagens urbanas diárias sem recorrer ao motor de combustão.
No interior, o Haval H6 PHEV oferece um ambiente espaçoso e bem organizado. A proeminência está no conjunto de telas, com um painel digital de 10,25 polegadas, um head-up display de 9 polegadas e uma tela central de 14,6 polegadas, a partir da qual a maioria das funções do veículo é gerenciada. A interface é clara e responsiva de maneira fluida, o que é essencial em um veículo onde a interação digital é constante.
A compatibilidade sem fio com Apple CarPlay e Android Auto, assim como a integração do aplicativo GWM, reforçam a sensação de um ecossistema tecnológico bem pensado, mais focado na praticidade do que no impacto visual. No entanto, segue a lógica pseudomoderna – na verdade, uma medida de economia – de reduzir controles físicos, que facilitariam o uso e daria uma alternativa em caso de falha eletrônica.
No geral, o alcance total pode ultrapassar 740 km, um fato relevante para quem busca eficiência sem sacrificar a capacidade de percorrer longas distâncias. Já os tempos de recarga são apenas razoáveis, pois o limite para corrente alternada é de 6,6 kWh e para carregamento rápido é de 33 kWh. Mas como a bateria é de 19 kWh, consegue recuperar de 30 a 80% em 28 minutos em corrente contínua e em carga lenta ir de 15 a 100% em três horas.
Impressões ao dirigir
Sobra de potência
Na direção, o H6 PHEV 19 se mostrou como um híbridos plug-in com ótima capacidade de aceleração. A entrega de potência é intensa quando exigida, especialmente em fusões ou ultrapassagens, onde o impulso combinado do sistema é percebido imediatamente. Em baixas velocidades, um leve tranco pode ser sentido enquanto o sistema transita do modo totalmente elétrico para a entrada do motor de combustão.
Não é um comportamento alarmante ou intrusivo, mas é perceptível. Reflexo também de ter 326 cv de potência direcionados somente às rodas dianteiras.
Um dos destaques está no sistema de freios e na regeneração de energia. Ambos funcionam de forma eficaz e bem integrada, facilitando o manuseio do veículo, que tem um peso considerável (1.915 kg) sem que pareça desajeitado ou ineficiente. A regeneração é bem dosada e ajuda a otimizar o consumo de energia sem exigir mudanças drásticas no estilo de condução.
Em movimento, o conforto é notável. Todos os bancos oferecem um bom nível de conforto e a afinação da suspensão é particularmente bem-sucedida.
Ele permite encarar ruas em mau estado com facilidade e, ao mesmo tempo, mantém a compostura e a estabilidade ao manter em bom ritmo na estrada. O resultado é uma viagem previsível, segura e repousante.
O H6 PHEV incorpora diferentes modos de condução que permitem priorizar o uso elétrico, balanceamento automático ou gerenciamento híbrido conforme as necessidades da viagem. Somado a isso está a função V2L, que amplia a utilidade do veículo ao permitir a alimentação de dispositivos externos, uma solução prática além do uso tradicional.
Ele ainda conta com um pacote de segurança robusto, com 18 assistências ADAS, além de seis airbags e os sistemas de controle usuais. Ele não busca inovar nessa área, mas atende ao esperado hoje em um SUV desse nível.


















