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Variedades Sexta-feira, 06 de Março de 2015, 00:00 - A | A

06 de Março de 2015, 00h:00 - A | A

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Histórias cruzadas



Lícia Manzo foca em relações de meio-irmãos que não se conhecem em "Sete Vidas"

Apesar de ter apenas uma novela como autora principal em seu currículo, Lícia Manzo enfrenta uma pressão às vésperas de estrear "Sete Vidas", sua segunda trama no horário das seis. Afinal, seu "début" em "A Vida da Gente", exibida em 2011, tem a marca de ser o terceiro folhetim mais exportado da história da Globo. Com um tom naturalista e focada nas relações interpessoais, a nova novela de Lícia aposta em personagens leves, mas com questões delicadas. A história gira em torno de Miguel, interpretado por Domingos Montagner. Na juventude, o personagem fez uma doação para um banco de sêmen e, quase 30 anos depois, seus filhos começam a se reunir na intenção de conhecer os meio-irmãos. "Relações humanas e familiares contemporâneas são sempre meu principal interesse", afirma Lícia, dizendo que fez uma vasta pesquisa para compor os personagens.

      A princípio "Sete Vidas" estava prevista para ir ao ar no horário das 23 horas. No entanto, mudanças internas na emissora fizeram com que a trama passasse para mais cedo, às 18 horas. Segundo a autora, o processo de adaptação foi tranquilo. "Algumas coisas foram mudadas de forma singela. Mesmo tratando de temas fortes, é para mim uma preocupação abordar de forma responsável, sem vulgaridade ou apelação, independentemente da hora de exibição do folhetim", defende.

P – Assim como "A Vida da Gente", sua primeira novela como autora principal, "Sete Vidas" parece também ter as relações familiares como foco principal. O que a atrai no tema?

R – Relações humanas tendem a ser meu principal interesse desde sempre. No caso de "Sete Vidas", o que me pegou foi a possibilidade de repensar a noção de família a partir de um acontecimento real: um "site" onde meio-irmãos gerados através de uma doação anônima são capazes de se encontrar.

P – Como surgiu a inspiração de escrever sobre isso?

R – Assisti a um documentário inglês chamado "Donor Unknown" – "doador desconhecido" em uma tradução literal –, que registra o encontro real de 12 meio-irmãos nos Estados Unidos. O que me mobilizou foi a disponibilidade afetiva daquele grupo de jovens até então desconhecidos, com histórias financeiras, culturais e familiares completamente diversas, a se juntar e passar a dividir uma vida a partir dali. 

P – As novas formações familiares estão cada vez mais em voga na sociedade. Como você se preparou para abordar o tema?

R – Como parto de uma situação real, preciso primeiro de muita pesquisa. As liberdades da ficção existem, mas preciso estar sempre atenta à verossimilhança. Por isso, fiz um processo interno antes de tudo. Refleti longamente sobre o assunto. E o que me fascina a respeito disso é: não existe equação, fórmula, resposta. Não existe nada concreto ou certo. O que existem são perguntas capazes de chacoalhar nossas crenças e convicções mais profundas.

P – Sua segunda novela como autora principal é também seu segundo encontro com o diretor Jayme Monjardim. Como funciona a parceria entre vocês?

R – É muito feliz e produtiva. Assim como eu, ele é extremamente detalhista e temos intimidade e confiança suficiente para botar na mesa nossos pontos de vista e discordar quando necessário, o que, para mim, é a base de uma parceria verdadeira.

P – E como vocês fizeram a escolha do elenco?

R – Foi um processo harmônico em busca por atores que pudessem contribuir com certa carga de realismo. Existe o desejo de evitar um excesso de "glamourização" que poderia trair a intenção de aproximar os personagens de algo familiar e reconhecível para o público.

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