Crises financeiras e/ou politicas, como a que estamos passando, predispõem os eleitores a buscar caminhos que podem atolar ainda mais a vaca no brejo.
Já aconteceu antes. O presidente Color de triste lembrança, encarnava o oposto do então desgastado Sarney e foi eleito por um partido insignificante, montado em um discurso de fácil digestão. Prometia caçar os "marajás" - funcionários do estado que ganhavam altos salários com pouco esforço. Color não cumpriu o prometido e ainda, com sua desenfreada arrogância, ignorou o Congresso, que em troca lhe negou apoio, forçando a renúncia.
Na época havia uma predisposição geral da população contra os servidores públicos, estimulada por discursos eleitoreiros, como se eles fossem os únicos responsáveis pela crise do país.
Dizendo-se o salvador da pátria, Color virou o herói do povo e elegeu-se presidente, derrotando o Lula, que anos depois, para nosso azar, ganhou o cargo de presidente.
Crises agudas geram reações indesejadas, buscando no oposto, a solução que geralmente não está nos extremos.
Como estamos saindo de um fracassado governo de esquerda, o contraponto aparece na figura de um candidato que se proclama de direita, apresentando falsas soluções simples para problemas complexos.