Sexta-feira, 29 de Agosto de 2025

Atualidades Sexta-feira, 29 de Agosto de 2025, 15:38 - A | A

29 de Agosto de 2025, 15h:38 - A | A

Atualidades / UHE Colíder

“Eletrobras não informa nada e não sabemos o tamanho do risco”, diz prefeito

Prefeito de Paranaíta, Osmar Moreira, afirma que falta respeito por parte da Eletrobras, que sequer avisou que o lago seria esvaziado



José Vieira
Mato Grosso do Norte

A falta de informações sobre o grau de gravidade do problema do reservatório da Usina Hidroelétrica de Colíder, está preocupando gestores municipais e moradores das comunidades que estão na área de impacto e podem ser afetadas com a alteração no volume de água do Rio Teles Pires e seus afluentes.
O prefeito de Paranaíta, Osmar Moreira (União), afirmou à Mato Grosso do Norte, que a Eletrobras não deu nenhuma informação para as prefeituras sobre o esvaziamento do reservatório, o índice de risco já estava no número de alerta 4 e os prefeitos não sabiam de nada.
“Não fomos comunicados de nada e surpreendidos quando o rio já havia subido um metro. A Eletrobras teria que ter avisado, mas agiu com total desrespeito com os gestores. E ainda não sabemos a dimensão deste problema e nem o grau de risco a que estamos submetidos”, assevera o prefeito.
Diante deste quadro, a AMUSUH (Associação Nacional dos Municípios Sedes de Usinas Hidrelétricas e Alagados), articulou uma reunião dos prefeitos com representantes de Defesa Civil e ANEEL- Agência Nacional de Energia Elétrica realizada virtualmente na segunda-feira, 25.
Participaram os prefeitos de Paranaíta, Osmar Moreira, de Itaúba, Antônio Ferreira, de Nova Canaã do Norte, Vinicius Oliviera, Chico Gamba, de Alta Floresta e Marcos Fernandes, de Cláudia.
O objetivo, segundo Osmar, foi a criação de um grupo de serviço de apoio para acompanhar as ações e obter informações, porque a Eletrobras, dona da concessão da usina Colíder, não prestou até agora, nenhum esclarecimento aos municípios impactados.

“Sabemos que não é um problema simples, mas não sabemos a dimensão. Uma usina hidrelétrica não é brincadeira. Não avisaram ninguém sobre o esvaziamento do lago. Só ficamos sabendo três dias depois que o rio estava subindo. Uma falta de responsabilidade do empreendedor. Nem a ANEEL sabe que está realmente acontecendo na usina. Somente depois de baixar o lago, duas empresas internacionais vão verificar e dar um diagnóstico”, disse.
Para ele, além da Eletrobras, a própria Defesa Civil deveria ter avisado os municípios abaixo da usina, antes de começar a baixar o lago.
Portanto, diante deste descaso, o prefeito adiantou que vai entrar com ação para ressarcimento de prejuízos que o município de Paranaíta está sofrendo.
“Se tivéssemos sido alertados com antecedência de 60 dias, não tínhamos marcados os eventos, como o Fest Praia e evitado os prejuízos. Já estava tudo pronto e tivemos que cancelar, inclusive os shows. O dinheiro é público e não podemos ficar no prejuízo”, enfatiza.
A partir de agora, de acordo com Osmar, será criado o grupo de trabalho com as prefeituras, ANEEL e Defesa Civil, para um acompanhamento diário da situação. Ele também cita que o Ministério Público está acompanhando o caso.
Rafael Pereira Machado, que representou a Defesa Civil Nacional na reunião, sugeriu que a ANEEL reforce a cobrança junto à Eletrobras para que a empresa aprimore seu sistema de comunicação com as comunidades, tornando as informações mais acessíveis e transparentes.

Povos indígenas
O povo indigena Munduruku está exingindo ser incluído em um plano emergencial por conta do impacto que o esvaziamento da usina Colíder está causando, afetando a pesca e a reprodução de tartarugas.
Em um documento enviado às autoridades, cobram participação efetivas nas decisões que afetam seus territórios. E cobram do Governo Federal, maior compromisso para os impactos históricos e atuais que as usinas hidrelétricas causam em seus territórios.

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