Marcelo Palomino/Auto Press
O Nissan Leaf é um daqueles modelos que permanecerá na história do automóvel. Após ser apresentado em 2009, tornou-se o primeiro modelo elétrico produzido em massa, o primeiro a ultrapassar meio milhão de unidades vendidas e instalou a marca japonesa no posto de liderança em eletrificação. E por razões que ninguém consegue explicar, a Nissan não só perdeu essa liderança, como o Leaf praticamente desapareceu do mapa – deixou de ser trabalhado em diversos mercados, inclusive o brasileiro.
Pelo menos até agora. O novo Leaf passou a ser produzido no Japão e no Reino Unido este ano e já desembarcou em mercados tradicionais, como os Estados Unidos, onde o modelo foi testado. Mas em um formato bem diferente. A primeira e segunda gerações, produzidas em sequência de 2010 a 2025, eram mais ou menos semelhantes em proposta, com estética vanguardista e silhueta hatchback. Já a terceira geração do Leaf quebra esse conceito. Apresentado em junho de 2025, o novo Leaf vem com um perfil de crossover cupê e linhas de maior impacto. Capaz, certamente, de exercer maior atração sobre os consumidores.
Segundo a Nissan, o novo Leaf se destaca por sua maior autonomia, carregamento mais rápido e um conjunto tecnológico projetado para uso cotidiano. Montado na plataforma CMF-EV, o Leaf é oferecido com tração dianteira e dois pacotes mecânicos. O modelo de entrada possui um motor de 177 cv e 35,1 kgfm, alimentado por uma bateria de 52 kWh. No mercado estadunidense só é vendida a versão mais forte, com 214 cv e 36,1 kgfm. A bateria de 75 kWh oferece uma autonomia entre 416 a 487 km, no padrão americano EPA. E ele aceita carregamento rápido de até 150 kW – e traz ainda um plugue NACS, para usar carregadores da Tesla.
O novo conjunto motriz 3 em 1, que integra motor elétrico, inversor e transmissão, é mais compacto, mais refinado e, segundo a marca, reduz as vibrações em 75%. Além disso, adiciona navegação com gerenciamento térmico preditivo, que antecipa mudanças de temperatura, e auxilia como visualização 3D de 360°, frenagem regenerativa adaptativa e controle inteligente de distância. O design externo está alinhado com o conceito Timeless Japanese Futurism – algo como futurismo japonês atemporal –, destacando linhas limpas, alças embutidas, rodas de 19 polegadas, coeficiente de arrasto de 0,26 Cx e faróis com tecnologia digital. O logo iluminado da Nissan reflete a nova direção estética da marca.
A cabine oferece piso totalmente plano, telas duplas de 14,3 polegadas, áudio Bose com alto-falantes nos apoios de cabeça e teto panorâmico com tecnologia eletrocrômica, que regula a passagem de luz. Algumas versões também trazem tomadas de 120 V e função Vehicle-to-Load (V2L). A qualidade dos materiais não é extraordinária, já que é um veículo de acesso elétrico, mas a qualidade de construção é visível. Há uma mistura de materiais macios ao toque com outros mais duros. A funcionalidade interna é outro de seus pontos fortes, com muitos espaços para acomodar objetos e botões físicos para fazer o carro funcionar.
Primeiras impressões
Dinâmica de equilíbrio
O novo Leaf é, acima de tudo, um carro muito neutro. Não é o mais rápido, nem o mais confortável, nem o mais eficiente. Nem parece ser, mas é um pouco de tudo. É basicamente um bom Nissan, em que tudo flui naturalmente. No teste de 40 km, o consumo seguiu o padrão para modelos de mesmo porte e tamanho, com média pouco superior a 6 km/kWh. A bateria de 75 kWh permitiria, em um caso hipotético, uma autonomia próxima a 450 km.
A direção é muito agradável, muito fácil de manusear. O carro acelera facilmente, é ágil, não parece pesado e tem suspensão de rigidez média, o que proporciona uma ótima qualidade de condução. A sensação é de que se trata de um carro mais caro.
Usando as pás no volante, há quatro níveis de retenção com frenagem regenerativa. Por meio de um botão, pode-se ativar o modo One Pedal, que funciona perfeitamente. Se o Leaf sempre foi o carro elétrico para encantar os clientes com eletrificação, esta nova geração é ainda mais: um carro racional, bem-resolvido em termos de tecnologia, com bons níveis de eficiência, fácil de dirigir e extremamente espaçoso.














