Sábado, 21 de Fevereiro de 2026

Agronegócio Sábado, 21 de Fevereiro de 2026, 08:16 - A | A

21 de Fevereiro de 2026, 08h:16 - A | A

Agronegócio / Exportações

Queda de tarifas dos EUA reacende expectativa de recuperação das exportações brasileiras de máquinas

A decisão restabelece, no curto prazo, a tarifa zero para exportações brasileiras do setor ao mercado norte-americano



Assessoria

A Frente Parlamentar da Indústria de Máquinas e Equipamentos acompanha com atenção e avalia como positiva e relevante a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou as tarifas recíprocas impostas contra produtos brasileiros, incluindo máquinas e equipamentos.

A decisão restabelece, no curto prazo, a tarifa zero para exportações brasileiras do setor ao mercado norte-americano, revertendo a alíquota adicional de 10% aplicada anteriormente, bem como a majoração que chegou a atingir patamares de até 40% e 50% em determinados cenários.

A Suprema Corte entendeu que a invocação de “emergência nacional” para justificar as tarifas não poderia ser feita unilateralmente pelo Poder Executivo, mas dependeria de autorização legislativa do Congresso norte-americano. Trata-se de um posicionamento jurídico relevante que altera de forma substancial o ambiente comercial bilateral.

Impacto econômico

Os Estados Unidos historicamente representam o principal destino das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos, respondendo por cerca de 32% das vendas externas do setor antes da imposição das tarifas. Com o chamado “tarifaço”, essa participação caiu para aproximadamente 22%, gerando impactos significativos:

- Queda de 11% no faturamento para aquele destino no quarto trimestre em que a medida passou a vigorar;

- Redução acumulada de 9% no ano;

- Projeção inicial de retração de até 25% nas exportações para 2026, caso as tarifas fossem mantidas.

Com a derrubada das tarifas, a expectativa do setor se reverte. A Frente Parlamentar avalia que há potencial para recuperação do mercado e crescimento na ordem de 10%, recompondo parte das perdas verificadas no último período.

Riscos no médio prazo

Apesar do alívio imediato, o cenário ainda exige cautela. O governo norte-americano poderá:

- Buscar autorização legislativa para reintrodução de tarifas;

- Utilizar instrumentos como a Seção 301, no âmbito de eventual disputa comercial.

Permanece, portanto, o risco de reinstalação de medidas tarifárias no médio prazo, o que impõe prudência às decisões de embarque e contratos de exportação.

Tarifa global de 10%: avaliação

A Frente Parlamentar também analisa com responsabilidade a hipótese de adoção de uma tarifa global de 10% sobre produtos importados pelos Estados Unidos. Embora uma tarifa universal represente um retrocesso em relação ao ambiente ideal de livre comércio, é importante reconhecer que, comparativamente às alíquotas elevadas e punitivas impostas anteriormente, um percentual linear de 10% seria significativamente menos danoso e traria maior previsibilidade ao setor produtivo.

Não se trata de um cenário ideal, mas seria, sob o ponto de vista econômico, menos prejudicial do que o regime tarifário vigente no último ano, uma vez que coloca o Brasil em condições de igualdade em relação aos demais países.

Importância da diplomacia econômica

A Frente Parlamentar reforça que, mesmo diante da decisão da Suprema Corte norte-americana, é fundamental que o Brasil mantenha ativo o canal de diálogo diplomático e comercial com os Estados Unidos. A normalização plena das relações comerciais depende de negociação técnica, institucional e estratégica. O bom relacionamento bilateral sempre foi determinante para a expansão das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos e deve ser preservado.

O momento exige equilíbrio, maturidade institucional e atuação coordenada entre governo e setor produtivo para assegurar previsibilidade, competitividade e geração de empregos no Brasil. A Frente Parlamentar seguirá acompanhando os desdobramentos e atuando para defender os interesses da indústria nacional.

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