POR CAROLINE BORGES/TV PRESS
Débora Evelyn enxerga “Dona Beja”, original HBO Max, como um espaço privilegiado para discutir feminismo de forma viva e multifacetada. Para a intérprete da preconceituosa Ceci, o fato de a protagonista ser inspirada em uma mulher que realmente existiu já carrega uma potência simbólica: a lembrança de que, mesmo em épocas marcadas por preconceitos e limitações, as mulheres sempre foram fortes.
“Nós, mulheres, sempre tivemos essa força. Agora temos a oportunidade de falar mais uma vez sobre essa força, mostrando diferentes formas de ser mulher, para o bem, para o mal, para si mesma ou para os outros. Mas sempre com intensidade, e isso é muito importante”, aponta.
Na produção, Cecília Sampaio, ou Ceci como é conhecida ao longo do enredo, é a principal antagonista feminina de Beja, papel de Grazi Massafera. Ela é uma mulher moralista e manipuladora que usa o preconceito social para tentar impedir o romance de seu filho, Antônio, de David Junior, com a protagonista, visando proteger seu status.
“Ela tenta segurar tudo o que a Beja quer romper, quer manter o status quo. Essa luta atravessa os 40 capítulos para que nada mude. Ela é racista, mas é casada com um homem negro e tem dois filhos negros. Mas, ainda assim, ela é racista. Olha que personagem incrível”, afirma.
P – A trama de “Dona Beja” é sua primeira experiência no streaming fora da Globo. O que chamou a sua atenção nessa oportunidade?
R – Eu já fiz muita novela na minha vida e vi a força desse texto, dessa história de todas as histórias, de todos os personagens. Desde as primeiras leituras, todo mundo na mesa lendo junto, era muito forte. Eu só pensava: “tomara que a gente consiga fazer isso que o texto está propondo: uma releitura linda, profunda, que fala de assuntos muito atuais”. Apesar de se passar no passado, fala de racismo, homofobia, transfobia, da mulher e da força da mulher. Todas as mulheres são muito fortes nessa história, de um lado ou de outro.
P – Como você define a Ceci?
R – A Ceci é a grande antagonista da Beja. Ela tenta segurar tudo o que a Beja quer romper, quer manter o status quo. Essa luta atravessa os 40 capítulos para que nada mude. Ela é racista, mas é casada com um homem negro e tem dois filhos negros lindos, Davi e Indira. Imagina que maravilha! Mas, ainda assim, ela é racista. Olha que personagem incrível!
P – A trama foi gravada há mais de dois anos. Como foi atravessar esse processo de trabalho?
R – Foram meses intensos. A Grazi foi de uma força enorme, levando tudo, porque ela é a Beja. E todo o elenco, na verdade, também. Foi uma experiência única. Não é à toa que estamos nos encontrando aqui dois anos depois, cada um já em sua vida. Quando nos vemos, é com abraços longos e saudades, porque foi muito forte em todos os sentidos.
A lembrança de que, mesmo em épocas marcadas por preconceitos e limitações, as mulheres sempre foram fortes.
P – Como assim?
R – Foi forte na coxia, esperando para gravar. Foi forte em cada cena, muito emocionante. Eu tive cenas fortíssimas com Thalma, com Davi, com Grazi, com Indira, com todo mundo. Isso a gente leva para a vida, não tem como não marcar. E isso aconteceu porque o texto pedia e porque tínhamos uma equipe maravilhosa. O trabalho de todo mundo foi impecável.
P – Apesar de ser uma história de época, você acredita que ela dialoga com o presente?
R – Estamos em 2026, e apesar da história se passar no passado, ela continua muito atual. As questões que aparecem ali ainda existem no mundo de hoje. Infelizmente, ainda convivemos com elas. Mas felizmente estamos todos aqui, lutando da maneira que podemos. Esse grupo enorme, junto com todos os envolvidos no projeto, encontrou sua forma de lutar: com arte, com cultura, com a força que a arte e a cultura têm. E isso, eu acho, é o mais importante.
"Dona Beja" – Capítulos disponíveis na HBO Max.










