POR CAROLINE BORGES/TV PRESS
Lázaro Ramos jamais foi indiferente ao conduzir as diversas temporadas do programa “Espelho”, que completa 20 anos no ar. O ator, inclusive, destaca não apenas a relevância do programa do Canal Brasil na televisão, mas o impacto profundo em sua própria trajetória. Para ele, o espaço se tornou um laboratório de aprendizado contínuo, capaz de atualizar debates e ampliar vozes em torno de temas complexos. “O ‘Espelho’ foi se atualizando nas temáticas e me ensinou a falar sobre a luta antirracista, a formação da nossa identidade e assuntos que muitas vezes são tabus. Isso acabou me transformando como comunicador, cidadão e homem negro. Durante muito tempo fui mais escutador; nesta temporada, o escutador e o provocador agora dividem espaço”, afirma Lázaro, que em breve retornará ao ar como o vilão de “A Nobreza do Amor”, próxima novela das seis.
Após duas décadas da estreia, em 2006, a produção revisita temas que marcaram a história do programa a partir de um novo olhar. Entre os convidados estão a deputada federal Erika Hilton, os atores Juan Paiva, Clara Moneke, Tony Ramos e Andrea Beltrão, Xamã, o grupo Os Garotin, a cantora Ebony, o escritor Itamar Vieira Junior, entre outros. “O programa tem um legado de 20 anos ao abordar temas que não eram discutidos nem na tevê aberta nem na fechada, além da responsabilidade de levar esses debates à sociedade e, em um momento tão sensível, uma contribuição importante por ampliar discussões de forma consistente, para além da bolha interessada”, aponta.
Afirma Lázaro, que em breve retornará ao ar como o vilão de “A Nobreza do Amor"
P – Ao longo dessas duas décadas de programa, qual foi o maior aprendizado para você?
R – Eu acho que o que mais aprendi é que os temas que sempre tratei no “Espelho”, como a luta contra o racismo e a questão da identidade, a cada ano ganham outras características e camadas. Por isso, tento estar sempre aberto para aprender, abrir mão de apenas um modelo de ação de ativismo e entender que as pessoas mudam, que nem sempre estamos certos, mas que ao mesmo tempo é importante manter os valores e o desejo de uma sociedade mais justa, igualitária e respeitosa.
P – Como você enxerga o papel do programa neste marco de 20 anos?
R – Para mim, o “Espelho” sempre foi um lugar de aprendizado, e este ano foi mais uma oportunidade de entender novas estratégias, novas vozes e novas sensações. É uma temporada de plantar sementes para o futuro, para que a gente continue aprendendo e melhorando.
P – Como funciona o processo de escolha dos entrevistados?
R – A escolha dos personagens sempre foi muito democrática. Eu tenho alguns desejos, algumas pessoas que quero estar próximo, aprender, escutar e provocar. Mas a equipe do programa, desde o princípio, foi formada por pessoas que não são apenas técnicos, mas também colaboradores cujas opiniões são acolhidas.
P – O “Espelho” é um programa que vai no ritmo contrário das redes sociais. De que forma isso é trabalhado?
R – Eu acho que a televisão que fazemos no Canal Brasil se propõe a uma reflexão diferente das redes sociais. Nas redes, há uma aceleração, um brado, as pessoas colocam suas opiniões, mas não conversam. O formato do “Espelho” é customizado para uma reflexão mais aprofundada, com entrevistas longas, que passam conteúdos relevantes, mas também acolhem quem não sabe sobre o assunto. Há sempre algo de aprendizado.
P – Qual é o legado que o programa deixa depois de duas décadas no ar?
R – Ao longo desses 20 anos, o “Espelho” continua atual, sendo descoberto por novos públicos no YouTube, no Canal Brasil Play e na Globoplay. Ainda assim, o programa faz sentido e mantém relevância. Esse é um dos grandes patrimônios que o “Espelho” oferece.
"Espelho" – Sexta, às 22h, no Canal Brasil.










