POR GERALDO BESSA/TV PRESS
Carlos Araújo é um diretor que gosta de experimentar. Sem uma assinatura muito engessada, ele está sempre na busca por novos talentos, estéticas e gêneros. Por isso, nos últimos anos, tem passeado por tramas de época, produções juvenis e dramas contemporâneos. Agora, faz um mergulho atento e profundo pela música em “Coração Acelerado”, recém-lançada novela das sete.
“Minha missão nesse novo trabalho é equilibrar duas linguagens: a dramaturgia clássica e a estética dos grandes shows. Temos cenas intimistas, carregadas de emoção, e momentos grandiosos, com multidões e música ao vivo. Conciliar isso sem perder ritmo e mantendo qualidade artística é um trabalho minucioso”, destaca.
Boa parte dessa postura mais eclética de Carlos vem de como desenvolveu sua história no vídeo, onde estreou como assistente de direção da equipe de Dennis Carvalho em “Fera Ferida”, de 1993. Ao longo dos anos, trabalhou ao lado de diretores de diferentes visões e propostas, como Luiz Fernando Carvalho, Wolf Maya e Denise Saraceni.
“Minha formação teve diversas influências e acho que isso me deu um olhar muito amplo sobre como fazer televisão”, avalia Carlos, que se tornou diretor artístico de forma tardia, em “Os Dias Eram Assim”, novela das 23 h exibida em 2017. Na sequência, comandou o remake de “Éramos Seis”, chamou a atenção do público e da crítica com “Todas as Flores”, do Globoplay, e enfrentou os altos e baixos de “Mania de Você”, trama que amargou repercussão aquém do esperado, mas foi indicada ao Emmy Internacional na categoria “Melhor Novela”.
“Gosto de ajudar a contar histórias que refletem o Brasil e estou a serviço do texto. Entro no estúdio querendo entregar o melhor de mim, dos atores e da equipe técnica”, ressalta.
P – Você fez parte da equipe de direção de “Cheias de Charme”, de 2012. Como é retornar ao universo de uma novela musical em “Coração Acelerado”, agora como diretor artístico?
R – O mercado da música e da tevê mudou muito nos 14 anos que separam as duas tramas. O que permanece é a emoção do folhetim e a nossa vontade de contar uma boa história. Acho bacana quando fazem qualquer comparação deste trabalho com “Cheias de Charme”, já que é uma obra icônica, que deu muito certo. A proposta agora é um pouco mais focada, fazendo um mergulho profundo na música sertaneja, suas tradições, influências e inspirações.
P – Esse olhar mais próximo foi o que fez as gravações da novela começarem pelo estado de Goiás?
R – Com certeza. Goiás é o coração do sertanejo e traduz a essência da novela. Gravar as primeiras cenas lá foi fundamental para dar verdade à narrativa. Queríamos que o público se reconhecesse nas histórias, e isso só seria possível mergulhando na cultura local. As paisagens do Cerrado, a culinária típica e os cenários icônicos do estado agregam autenticidade e beleza cinematográfica à trama. Essa imersão permitiu criar uma identidade forte com a região e com o povo goiano.
P – “Coração Acelerado” tem participações de grandes nomes da música sertaneja. Como equilibrar essas adesões para que tudo flua naturalmente na narrativa?
R – O texto abraça essas participações de forma muito criativa. A presença de nomes como Maiara & Maraisa, Naiara Azevedo, Daniel, Michel Teló e Ana Castela em cena garante um pertencimento ao texto e aproximam ainda mais o público. Não são apenas aparições e números musicais.
P – Como assim?
R – Esses artistas ajudam a contar a história e reforçam a conexão entre ficção e realidade, criando momentos únicos na trama. Musicalmente, é um grande presente para o público. Até temos cenas mais tranquilas, em estúdio, mas também gravamos em grandes festivais, justamente para dar ao telespectador a dimensão do sucesso do estilo musical.
P – Qual o grau de complexidade dessas gravações externas?
R – São cenas que exigem muito planejamento e logística envolvendo integração com equipes dos shows, captação de som e imagem em ambientes dinâmicos, sem muito controle. Porém, o resultado justifica todo o esforço quando a gente consegue levar ao público a energia genuína desses grandes eventos. Algo impossível de reproduzir em estúdio ou em uma locação qualquer.
“Coração Acelerado” – Globo – de segunda a sábado, às 19h20.










