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Carros Quarta-feira, 04 de Março de 2026, 15:05 - A | A

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Carros / Jetour T1

Aquém da aparência

Jetour T1 tem visual e atitude off-road, mas se dá melhor no asfalto



Jorge Beher/Auto Press

Há muitas semelhanças entre os dois modelos de atitude SUV da Jetour, T1 e T2. Mas, obviamente, há uma hierarquia. Até para justificar a diferença de preços. A versão Advance do T1 custa R$ 249.900, ou R$ 40 mil a menos que a correspondente do T2, enquanto a versão Premium sai a R$ 264.900, ou R$ 35 mil a menos que a equivalente do T2. O terceiro modelo da A marca chinesa, que pertence à Chery e acaba de desembarcar no Brasil, tem ainda um terceiro modelo, o S06, assumidamente um crossover, que custa até R$ 50 mil a menos que o T1. A lógica do T1 é ser um pouco mais compacto que o T2 – tem 8 cm a menos – e ter uma engenharia mais simples. Embora ambos compartilhem a mesma plataforma, Kunlun, com igual medida de entre-eixos, de 2,80 metros e também dividem o motor 1.5 turbo, no caso do T1 ele é combinado com um motor elétrico, enquanto no T2 são dois motores no eixo dianteiro.

A alimentação é feita por uma bateria de 26,7 kWh, capaz de fornecer uma autonomia de até 80 km. Nas dimensões, o T1 tem 4,71 m de comprimento, com 1,97 m de largura e 1,84 de altura. A distância para o solo é de 19 cm e o compartimento de carga aceita até 574 litros. As medidas posicionam o T1 no segmento de médios superiores, ou C, mas com um modelo mais centrado no design e talvez mais próximo da concorrência: SUVs com um espírito mais aventureiro. Ainda assim, o T1 tem um visual urbano e integrado. A frente é bem no estilo jipão, com faróis quadrados de quatro pontos de luzes, para-lamas alargados e barras de teto funcionais, que permitem carregar 300 quilos em estática. De perfil, a linha de cintura alta e as janelas auxiliares pequenas ajudam no isual mais esportivo. As diferenças de conteúdo entre as versões Advance e Premium tentam justificam os R$ 15 mil a mais.

A lista que a versão Premium traz a mais estão teto panorâmico, ajuste elétrico do banco do carona, memória para o banco do motorista, tampa do porta-malas elétrico, carregador por indução de 50 W, sistema de som premium da Sony e câmera com modo chassi transparente. Ambas as versões trazem um pacote de recursos ADAS com controle de cruzeiro adaptativo, monitor de faixa, alerta de ponto cego e de tráfego cruzado traseiro, alerta de colisão frontal com frenagem e farol alto automático. No interior do T1 se destaca a excelente qualidade percebida nos materiais e na montagem, além de uma enorme tela central de 15,6 polegadas que domina todo o painel.

O design é simples, com linhas retas que valorizam a largura do habitáculo e conta até com uma alça à frente do carona. Logo acima das saídas de ar centrais, há um teclado confortável para operar funções do carro – com botões de verdade. Há também uma bandeja de borracha na parte inferior do console frontal. A posição de direção é típica de off-road e menos parecida com a de um carro de passeio. Até para se alinhar com o volante é preciso manter o banco um pouco mais alto. E isso ajuda a monitorar melhor os pontos cegos do carro. Os bancos são feitos de couro ecológico e contam com sistema de fácil acesso.

O único problema é que os bancos são muito duros em todos os assentos, inclusive nos que ficam atrás. Para operar o painel de instrumentos com 10,25 polegadas, há diversos botões no volante que podem parecer confusos no começo. A tela é sóbria e informativa, personalizável em dois estilos de interface, muito legível. Aqui é possível monitorar consumo, temperatura e pressão dos pneus, tração, ângulos de aproximação, entre outros. Os botões à direita do volante têm a função de gerenciar o áudio e também oferecem um atalho para o menu principal da tela da central multimídia.

Ela tem uma interface que, aos poucos, se torna a norma nos carros chineses, como no caso desnecessário de trazer ajustes indiretos para os espelhos retrovisores. Entre outras funções, a central multimídia traz espelhamento de Apple CarPlay e Android Auto sem fio, câmeras de 540°, sistema de áudio com 9 alto-falantes assinado pela Sony, sistema de controle climático duplo e monitor de profundidade (pode atingir até 60 cm).

No console central há um botão para modos de direção e atalhos para funções específicas, como ativação da câmera e um sistema de controle de cruzeiro off-road. Os espaços de armazenamento são práticos, incluindo o espaço sob o seletor de transmissão e o compartimento refrigerado generoso sob o apoio de braço. 

 

Impressões ao dirigir

Off-road, mas não muito 

As duas versões do Jetour T1 trazidas para o Brasil têm a mesma composição mecânica. Motor 1.5 Turbo com tração dianteira e 135 cv e 20,4 kgfm, acoplado a um motor elétrico de 204 cv e 31,6 kgfm. A potência combinada é de 315 cv enquanto o torque chega a 52 kgfm. É um sistema que atua somente nas rodas dianteiras, com aceleração de zero a 100 km/h em 8,7 segundos e máxima de 180 km/h. São números bons para um modelo de duas toneladas.

Ainda mais porque a vocação primária do T1 é mesmo o uso urbano e rodoviário, talvez agregando pequenos trechos de estrada de terra não muito desafiadoras. Ainda assim, tem boas capacidades off-road, como ângulo de ataque de 28°, ângulo de saída de 29° e capacidade de travessia de 60 cm, monitorados por sensores e gráficos na tela do carro. A distância livre para o solo é de 19 cm, a suspensão é macia, mas um pouco mais firme do que num SUV mais raiz.

Isso deixa o T1 estável e previsível, seja em estradas quebradas ou asfaltadas. Nesses casos, volta e meia aparece alguma vibração não filtrada no volante. Está dentro de uma faixa esperada, pois o T1 não tem o isolamento de um bom SUV europeu.

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